Cardeais a ter “debaixo de olho”#2 – Angelo Scola

[nota: Todos sabemos que “quem entra no Conclave como Papa, sai como Cardeal“. O objetivo destas partilhas é podermos conhecer melhor os cardeais da Igreja Católica. Todos sabemos que é o espírito que conduz o mundo e não a inteligênciaAntoine de Saint-Exupéry]

©www.aleteia.org

[Pe. Dwight Longenecker|Aleteia|05/mar/2013] Voltaria um italiano a ser o sucessor de Pedro? Agora que a hegemonia italiana no papado foi quebrada por dois pontificados seguidos, haveria chance dos cardeais voltarem a escolher um italiano pelo simples peso da nacionalidade? Os cardeais, sem dúvida, terão de analisar o peso da nacionalidade. Seria assim com um africano ou um brasileiro, mas isso também não é diferente na hipótese de um italiano.

Se um italiano é o favorito para suceder Bento XVI, este é o cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão. Aos 71 anos, ele tem uma trajetória impressionante, tendo liderado não só a arquidiocese de Milão, mas também sendo bispo de Grosseto, reitor da Universidade Lateranense e Patriarca de Veneza.

Filho de um motorista de caminhão, o cardeal Scola tem um jeito prático e um estilo pastoral acessível. Nos tempos de colégio, ele se juntou à “Gioventù Studentesca”, grupo de estudantes associados com movimento eclesial “Comunhão e Libertação” (CL). “Comunhão e Libertação” é um movimento controverso da Igreja Católica. Sendo um movimento estudantil de perfil intelectual, os críticos dizem que é fechado e de gosto cult. Seus defensores dizem que é um movimento de evangelização e renovação, que ajuda os católicos a viver um profundo encontro com Cristo e a pertencer a comunidades cheias de fé e vida.

Como estudante universitário, o jovem Angelo Scola conheceu Luigi Giussani, fundador de “Comunhão e Libertação”. Ele se formou em filosofia, tornando-se professor em escolas secundárias. Logo depois decidiu se tornar padre. Continuou seus estudos, tendo se doutorado em São Tomás Aquino, na Universidade de Friburgo. Como teólogo, foi dirigido pessoalmente por Giussani e se tornou um líder no crescente movimento “Comunhão e Libertação”. Ainda como teólogo, contribuiu para a influente revista “Communio”, juntamente com Henri de Lubac, Hans Urs von Balthasar e o jovem Joseph Ratzinger.

O correspondente John Allen, do National Catholic Reporter, assinala quatro pontos fortes de Scola que o colocam na disputa: primeiro, ele é um peso pesado da teologia como Ratzinger, mas tem um jeito comum. Segundo, como veterano no Vaticano, ele conhece a Cúria Romana e saberia como reformá-la. Terceiro, como ex-professor de colégio, de seminário, pároco e bispo, Scola conhece a Igreja a partir da base. Em quarto lugar, ele é fundador de uma iniciativa interessante de diálogo com os muçulmanos, tema que é uma preocupação crescente na Igreja.

Como seria de esperar, as forças de Scola poderiam ser também suas fraquezas. Como italiano, os cardeais do mundo poderiam simplesmente descartá-lo como sendo alguém “de dentro”. “Comunhão e Libertação” é um movimento influente, mas controverso, e a trajetória de Scola vinculada a ele poderia afastar alguns cardeais que suspeitam do CL. A filiação de Scola com a teologia de Ratzinger pode ser também um ponto fraco, se os cardeais estiverem à procura de uma nova abordagem. Até mesmo a reputação Scola como principal candidato ao papado poderia trabalhar contra ele.

Como seria um pontificado do cardeal Scola? Teria uma abordagem prática com as pessoas comuns; sua habilidade com a mídia lhe cairia bem. Poderíamos antecipar uma repetição da abordagem apaixonada e de características pessoais pela teologia, como em Bento XVI. Em outras palavras, Scola reproduziria as ideias de Bento XVI (e de “Comunhão e Libertação”) de que o cristianismo é um encontro pessoal com Cristo – que Cristo propõe uma relação com o indivíduo, e o indivíduo pode responder com uma abordagem inteligente e com o compromisso pessoal.

Um pontificado de Scola também continuaria com a agenda de Bento XVI de tentar reconverter a Europa. A principal preocupação seria a de uma visão estritamente europeia. O cardeal Scola não tem a variedade de idiomas que os outros candidatos apresentam. Ele tem pouca experiência no trabalho da Igreja no mundo em desenvolvimento. O cardeal Scola pode ser um homem de dentro do Vaticano, um dos principais membros de “Comunhão e Libertação” e um colega e discípulo de Bento XVI, mas os cardeais podem estar à procura de um homem com mais visão global.

Sem dúvida o cardeal Scola é um forte candidato a Papa. Mas, aos 71 anos, ele pode ser mais um homem do ontem do que do amanhã.

 

Pe. Dwight Longenecker é pároco de Nossa Senhora do Rosário, em Greenville, Carolina do Sul (EUA). Site:http://dwightlongenecker.com.


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