Ser capaz de “romper”

©MARCO LONGARI

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[Sofia Lorena|Público|15/mar/2013]Patriarca de Lisboa diz que está tudo preparado para haver mudanças se o Papa as quiser fazer

No dia em que entrou cardeal e saiu Papa da Capela Sistina, Jorge Mario Bergoglio “esteve muito sereno todo o tempo”, contou D. José Policarpo a um grupo de jornalistas portugueses no Vaticano. “Eu brinquei com ele, a páginas tantas ele mudou de cor…”, descreveu, entre risos, o cardeal-patriarca de Lisboa, um dos eleitores a quem coube escolher o sucessor de Ratzinger.

Entre os 115, calhou a Policarpo prestar o juramento de silêncio a seguir a Bergoglio. Já em conclave, estiveram sentados ao lado um do outro.

Quando o nome do argentino foi pronunciado, houve palmas. “Foi tudo muito simples, ele é um homem muito caloroso”, descreveu o cardeal português na conferência de imprensa.

Policarpo comentou a obrigação de segredo e sugeriu que um dia o juramento deixará provavelmente de existir. Até lá, cada cardeal encontra maneira de falar do que viveu sem sentir estar a quebrar o juramento. Timothy Dolan, de Nova Iorque, contou que o momento em que ficou claro que o arcebispo de Buenos Aires tinha os 77 votos (dois terços) não deixou ninguém indiferente: “Houve um grande aplauso e soubemos “aqui está o homem”. Depois, quando foi anunciada a contagem final, houve mais aplausos, e ainda mais quando ele aceitou a eleição”, afirmou. “Não acredito que houvesse um único par de olhos secos na sala.”

“Não me pareceu nada atrapalhado. Antes pelo contrário, quando ficou vestido de branco ficou ainda mais à vontade”, descreveu, por seu turno, Policarpo. “Nem ele sabe onde se meteu… A estrutura onde ele vai meter-se é enorme…”, continuou o patriarca de Lisboa. “Ontem, no fim de ele se vestir de branco, surgiu a estrutura, quer dizer… Cercaram-no de tal maneira, e eu disse, “pronto, já está”. Mas ele foi capaz de romper… Não fez aquilo que eles mandaram, fez aquilo que ele achava que devia fazer.”

Policarpo espera que o agora Papa Francisco continue a fazer aquilo que entender – uma batalha “difícil”, mas na qual “terá muitos apoiantes”. “Penso que a grande promessa deste Pontificado é uma simplificação da vida da Igreja, das suas estruturas, da sua maneira de estar no mundo”, disse. “Ele entra como Papa num momento em que está tudo preparado para se ele quiser fazer grandes mudanças. Há oito anos não estava.”


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