Carta aberta ao novo Papa

Primeiro Angelus do Papa Francisco, 17 de março de 2013.

Primeiro Angelus do Papa Francisco, 17 de março de 2013.

Meu querido Papa:

Passada a incontinência verbal sobre os prognósticos da escolha de Vossa Santidade em conclave, espero que não seja um “superman” e se pareça mais à fragilidade de Pedro que negou três vezes o seu Mestre, mas, chorando de arrependimento, sob o olhar de Jesus, lhe afirmou, também por três vezes, que O amava mais do que os outros, para os confirmar na fé e os unir na caridade.
Antes da sua eleição, tantos rios de tinta e tanto caudal de imagens, sem que algum dos candidatos tenha apresentado o seu programa ou feito promessas eleitorais, a não ser o seu propósito, comum aos demais eleitores e possíveis eleitos, de ser dócil ao sopro do Espírito, que não retira a liberdade de escolha nem a singularidade das estratégias que resultaram na eleição de Vossa Santidade.
Não têm faltado à Igreja papas santos, mas isso não significa que ela seja, por vezes, cenário de escândalos e pecados, do vértice à base da pirâmide.
Meu querido pai na fé, sei que não vai ler a minha carta, não faltava mais nada, mas fique a saber que espero de Vossa Santidade que seja um enamorado de Cristo, carisma seguro para a missão que lhe cabe de renovar a Igreja para que ela seja fermento de um mundo novo. Fico na retaguarda a rezar, meu jeito preferido de me juntar à comunhão dos santos.
Deus queira que o novo Papa seja um homem cheio de fé e conhecedor do nosso tempo. A missão da Igreja, com Vossa Santidade à cabeça, não é nada fácil para a aproximar aos homens e às mulheres de Deus, no meio da turbulência das culturas que propõem hoje paradigmas contrários aos do Evangelho.
Confio nas qualidades humanas espirituais do meu querido Papa. Aposto que é exímio na humildade, perspicaz na inteligência e mestre na sabedoria; dotado de fortaleza física e espiritual, corajoso, bom comunicador e jovem de espírito para animar a Igreja e merecer crédito no Mundo com o prestígio da sua autoridade moral.
Seja, peço a Deus, o pai misericordioso de tantas filhas e filhos pródigos, uns vencidos do catolicismo, outros, talvez a maioria, indiferentes à mensagem do Evangelho. Que muitos voltem à Igreja, casa-mãe da família de Deus.
Tenha a coragem, meu querido Papa, de abrir as janelas do seu palácio para que entre o ar que sacuda o pó e limpe todas as sujidades. Que essa limpeza seja modelar para arejar a Igreja onde quer que ela se constitua e se reúna em assembleia de povo crente, num ambiente saudável para que as maçãs não apodreçam.
Quem quer que o senhor seja – à hora da crónica ainda desconheço o nome que escolheu ou vai escolher -, é, desde já, o meu Papa, por mais que contrarie o perfil que esbocei nos meus desejos. Só tem vantagem em ser diferente. O meu prognóstico sofre de miopia jornalística, quando apenas quero ser um homem fiel à Igreja.

[Cón. Rui Osório|Voz Portucalense|13/mar/2013]


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