As tradições e o Papa Francisco

20130330-082741.jpgNos últimos anos do Papa João Paulo II questionei-me muitas vezes se não seria melhor quebrar a tradição e resignar…
Nos primeiros anos do pontificado do Papa Bento XVI assumi sempre de forma aberta e inequívoca que não era um perfil que me agradasse mas que o encararia como um desafio à minha fé e à minha capacidade de gestão de conflitos interiores. Nunca tive grandes motivos… apenas uma sensação de que não seria alguém com quem simpatizava de forma espontânea. Aprendi a admirá-lo, muito lentamente… quando, quebrando a tradição, resignou, tive uma sensação estranha de que estava a perder alguém precioso… 
Nas conversas que fui tendo antes e durante este último conclave disse que gostava, de entre os que conhecia, do Cardeal Sean O’Malley, pela coragem que tem tido em enfrentar uma quantidade de problemas. Não conhecia o Cardeal Bergoglio… Mas assim que comecei a ler os gestos do Papa Francisco (do simples facto de no final da eucaristia ter vindo para a porta da igreja cumprimentar quem saía, até à forma como é capaz de quebrar um cortejo para ir beijar uma pessoa portadora de deficiência…) percebi que se tratava de alguém de excelência, que encaixava perfeitamente da minha sensibilidade… talvez mais até que o cardeal O’Malley…
Fiquei muito surpreendido com algumas (contra-)informações que, que por todo o mundo e também aqui, foram saindo a respeito da sua (eventual) postura, mais ainda quando vi que algumas tinham por origem membros do clero que, tanto ou mais que eu, têm o dever de obediência… e afinal, o dever está sempre acima da sensibilidade, tendo de ser, pelo menos, seu filtro.
Não me é estranho o peso e a importância da tradição numa instituição, mas segui-la por si só sem alicerces no significado último de cada gesto, parece-me ainda mais errado do que reformar o que nela possa estar menos ajustado… o Papa é, julgo, alguém que deve ser respeitado nessa interpretação… não devendo ser apontado e questionado de cada vez que faz algo diferente. Um pai não deve ser posto em causa por um filho, isso é, em qualquer situação, errado e feio. Por isso, fiz um comentário menos agradável a respeito de quem me pareceu escolher um caminho que me parece… desacertado.
Como reagiriam os membros deste grupo se eu pusesse em causa, ainda que de forma subtil, o prior da minha paróquia?
Se o Papa Francisco prefere usar isto ou aquilo, celebrar nesta ou naquela igreja, lavar os pés a mulheres, usar sapatos velhos e pretos, falar em italiano, etc. isso talvez sejam gestos que deverão, antes de tudo, ser por nós, cristãos, assumidos como mensagens que eventualmente precisemos de escutar… e até, eventualmente, aplicar à nossa escala…
Permitam-me terminar com a firme certeza de que todos saberemos que Jesus Cristo foi bastante claro na Sua crítica à importância e ao peso Lei face ao Homem e ao Amor…

José Luís Nunes Martins


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