Os Jesuítas e Portugal

Ainda que o embrião da Companhia de Jesus se possa notar já na celebração de Montmartre, Paris (1543), e ainda que a aprovação oficial das primeiras Regras tenha sido em Roma (1540), os primeiros passos da Companhia foram dados em Portugal, com Simão Rodrigues e Francisco Xavier. O rei D. João III insistira com o fundador, Inácio de Loiola, na vinda do maior número de membros, para evangelizarem as novas descobertas.

Foi Lisboa que a Companhia de Jesus escolheu, ainda em vida do fundador, como ponto de partida para expandir as suas iniciativas de cariz missionário, em direção ao Oriente (Índia, Japão e China), ao Ocidente (Brasil e América Latina) e ao Sul (Congo e Etiópia). Prova disso, para além de ser a primeira Província instituída pelo fundador, é, na Mouraria, a primeira casa que os jesuítas tiveram no mundo (1542), o “Coleginho”, cuja igreja serve ainda hoje de paroquial do Socorro. Desde 1553, os jesuítas deste Colégio assumiram o apoio educativo e a formação cristã do Colégio dos Meninos Órfãos, junto à Capela de Nossa Senhora da Saúde.

E são também desses primeiros anos, na segunda metade do século XVI: a Casa Professa (1553) e a Igreja de São Roque (1565), hoje ocupadas pela Misericórdia de Lisboa; o Recolhimento das Órfãs de Santa Marta (1569); o Colégio de Santo Antão-o-Novo (1579), com a sua tão

prestigiada “aula da esfera”, hoje Hospital de São José; o Noviciado da Cotovia (1603), no Príncipe Real, hoje Museu Nacional de História Natural e da Ciência, na Rua da Escola Politécnica.

Para se perceber a importância dada a Lisboa pelos jesuítas, tanto no aspeto educativo como social, nos cerca de 220 anos da sua vida em Portugal, até à expulsão pelo Marquês de Pombal (1759), podem citar-se as obras: Seminário de S. Patrício (1611); Noviciado das Missões de S. Francisco Xavier, em Arroios (1697); Colégio do Paraíso ou de S. Francisco Xavier (1679), hoje Hospital da Marinha; Recolhimento de Nossa Senhora da Natividade e Recolhimento de Convertidas (1583 e 1585); Colégio Real dos Catecúmenos (1579), no Bairro Alto. E fora de Lisboa, colégios em: Angra do Heroísmo, Braga, Bragança, Coimbra, Elvas, Évora, Faro, Funchal, Horta, Gouveia, Lamego, Porto, Ponta Delgada, Portimão, Santarém e Viana do Castelo.

Regressando a Portugal (meados do séc. XIX), até à nova expulsão de 1910, a Companhia de Jesus fundou os Colégios de Campolide (hoje nas Caldinhas) e de São Fiel, na Beira Baixa.

De 1935 até hoje, não deixou a Companhia de se empenhar no nosso País. Falando apenas de instituições de ensino, citaremos os Colégios das Caldinhas, de S. João de Brito e de Cernache (Coimbra), a par da Faculdade de Filosofia de Braga, a primeira Faculdade da Universidade Católica Portuguesa.

©João Caniço, Sacerdote jesuíta


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