Pedro, o teu desejo de amor já é amor.

Os relatos da experiência que os Apóstolos têm do Ressuscitado continuam a acompanhar os encontros semanais que cada um de nós tem com Aquele que faz “novas todas as coisas” (Ap 21, 5).

©ANNIBALE CARRACCI FRANCESCO ALBANI Apostles around the Empty Sepulchre End of 1604 – beginning of 1605

©ANNIBALE CARRACCI FRANCESCO ALBANI
Apostles around the Empty Sepulchre End of 1604 – beginning of 1605

Anos antes, como refere o Evangelho de Lucas, Jesus encontra-se com Pedro e outros pescadores no mar da Galileia e diz a Pedro “Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca”. Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe. Também agora, neste relato, João, Simão Pedro, Tomé, Natanael, Tiago e João e mais dois discípulos subiram para o barco mas não pescaram nada durante toda a noite – porque sem o Ressuscitado nada conseguiam fazer. Porém, Jesus está mais próximo do que possamos imaginar. Uma figura surge nas margens do Lado de Tiberíades, era Jesus. Ainda que os discípulos não O reconhecessem, responderam positivamente ao Seu mandato. Lançadas de novo as redes à água “mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes”. Eram 153 peixes, tantos quantas as espécies conhecidas naquele tempo, simbolizando assim a universalidade da Igreja. Quando reconheceram Jesus apressam-se a chegar junto d’Ele. Na praia uma fogueira, sobre a fogueira uma refeição preparada por Jesus. Diz D. António Couto “Desta vez, Pedro está no lugar certo, com Jesus, e aquece-se no lume vivo, que é Jesus. Belo e exemplar contraponto: pouco antes, narrativamente falando, Pedro estava com os guardas, que andavam na noite, e aquecia-se a outro lume, aceso na noite. Tinha rompido a sua intimidade com Jesus” (A nossa Páscoa, da Paulus editora). Uma intimidade reatada e enfatizada por três vezes, tantas quantas as negações de Pedro na noite da Paixão do Mestre.

Após a refeição, por três vezes Jesus pergunta a Pedro pelo seu amor e por três vezes Pedro diz do seu amor e assim lhe são confiadas as ovelhas do Ressuscitado. Com este diálogo Jesus não pretende julgar nem condenar mas sim perscrutar o que diz o coração de Pedro. Afirma Ermes Ronchi “a nossa santidade não consiste em nunca ter pecado, mas em renovar agora a nossa amizade por Cristo. O paraíso não está cheio de santos, mas de pecadores perdoados, de gente como nós… Jesus, mendigo de amor, que a Pedro confia todo o rebanho, pequenos e grandes. E garante-lhe, como a mim me garante: Pedro, o teu desejo de amor já é amor.” (A esperança que nasce da Palavra, Paulinas editora).

©Nuno Monteiro


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