A resignação de Bento XVI e o novo Papa Francisco – Perspetiva de um não-crente.

A comunidade iMissio é uma comunidade virtual que pretende explorar o lado mais familiar da comunidade concreta, a IGREJA, sendo expressão quotidiana da nossa fé, utilizando para isso os meios tecnológicos mais atuais. Como comunidade está também aberta a todas as pessoas de boa vontade. No seguimento do encontro do Papa Francisco com os jornalistas, crentes e não crentes, convidei o Frederico Francisco, não crente, a partilhar connosco a sua perspetiva sobre os últimos acontecimentos na igreja: a resignação de Bento XBI e a eleição do Papa Francisco. Segue-se a perspetiva do Frederico Francisco.

GIUSEPPE CACACE:AFP

A resignação de Bento XVI ao pontificado apanhou o mundo de surpresa. Antes de qualquer análise às suas causas e consequências, numa reação inicial, tomei imediatamente esse ato como um sinal positivo. Sendo um defensor da renovação no poder no sentido republicano, não pude deixar de ver algum desse espírito nesta decisão.

Não sendo crente e, em particular, não acreditando que o mandato do Papa lhe é conferido pelo Espírito Santo, não tenho qualquer conflito com a ideia de que Deus possa dar uma tarefa alguém que não tem capacidade de a cumprir até ao fim. Ainda assim, percebo que muitos católicos pudessem questionar a decisão do anterior Papa nesta base, no contexto da sua fé. Penso, no entanto, que se trata da maior demonstração de humanidade e do carácter terreno do seu cargo que um Papa poderia dar.

Na minha perspectiva tratou-se, por um lado, do reconhecimento que as pressões e exigências a que o Papa está sujeito são muito grandes e que estão para lá das forças de um Joseph Ratzinger com 86 anos e uma saúde em declínio. Por outro lado, penso que há um sinal muito forte no sentido de uma renovação da Igreja. Isso fica patente no seu discurso, quando Bento XVI fala nas rápidas mudanças que o mundo de hoje atravessa e reconhece a sua incapacidade para governar a “barca de Pedro”. Para além disso, a resignação voluntária de um Papa estabelece um precedente para o futuro, a meu ver positivo, e que penso que não foi ignorado por Bento XVI.

Aquilo que observamos após a resignação de Bento XVI foi o mais mundano dos processos de disputa pela liderança de uma organização, em muito pouco diferente do que esperaríamos, por exemplo, de uma disputa pela liderança de um partido político. Houve fugas de informação para os jornais, factos desfavoráveis da vida pessoal que vieram a lume precisamente nesta altura (por mera coincidência, certamente…) e até uma aparente “contagem de espingardas”, muito à semelhança do que antecede antes de um congresso de um partido. Todos estes factos vão bastante de encontro à minha convicção de que o Espírito Santo não tem qualquer intervenção no processo de escolha do Papa. Não deixa de ser lamentável que os círculos de poder da Igreja não aparentem ter critérios morais e éticos superiores aos de um mundo político que todos reconhecemos ter uma grande falta de moral e de ética.

A escolha final acabou por recair num nome que, apesar de falado como possível, não era apontado como um dos favoritos. As informações que, entretanto, chegaram à imprensa vindas do conclave indicam que houve uma convergência dos cardeais das Américas em torno de Jorge Bergoglio em oposição a outra facção liderada por membros da curia romana. Em todo o caso, estas informações tem sempre uma validade bastante questionável.

Mais relevante é observar o perfil e a atuação inicial do novo Papa Francisco. Desse ponto de vista, não me parece que seja irrelevante o facto de se um jesuíta, tal como não me parece irrelevante a escolha do nome. Estamos, então, perante um homem que é apresentado como um conservador da linha dura em aspectos doutrinários, na melhor tradição da Companhia de Jesus. A somar a isso, é membro da hierarquia da Igreja num país em que esta colaborou com o poder do regime autoritário de Pinochet. Finalmente, é apresentado como um “homem do povo” que vive no seu apartamento, cozinha a sua comida, conduz o seu carro e leva uma vida “normal”.

Sinais contraditórios: Conservador ou exigente? Colaboracionista ou resistente? Homem do povo ou populista? Aqui penso que teria sido útil algum esforço de escrutínio por parte de quem tem a competência para o fazer: os jornalistas. Aliás, ao longo de todo este processo, que começou com a resignação de Bento XVI, a comunicação social tem-se abstido de fazer o seu trabalho de análise que se pretende objetiva. Nos aspetos relacionados com a Igreja há, na minha opinião, por parte, em especial de alguns jornalistas destacados para o Vaticano, um défice de jornalismo que é compensado com um excesso de algo que eu classificaria como propaganda.

Ainda assim, todos os sinais que temos apontam, de facto, para um novo estilo de pontificado menos magestático e mais próximo das pessoas. Desde algumas mudanças subtis nas vestes do Papa até ao estilo de discurso mais coloquial fazem por aumentar essa proximidade. Soma-se a isso uma ênfase maior no título de “Bispo de Roma” do que no de “Pastor da Igreja Universal”. Desta forma, parece haver uma vontade de fazer a Igreja regressar às suas raízes, de ser mais uma comunidade de fiéis do que organização centralizada e poderosa.

Posto isto, e apesar de alguma preocupação inicial com um excessivo conservadorismo do Papa Francisco em questões de costumes, acompanhado de uma atuação que poderia ser classificada como populista, estou agora mais optimista. A minha expectativa é que este Papa tenha a força, a vitalidade, a coragem, o peso político e, se necessário, a dureza suficiente para fazer as reformas que a Igreja e, em particular, a curia romana precisam. Espero que, desta forma, atue no sentido de retomar o papel da Igreja como uma das referências morais de uma sociedade em busca de referências (especialmente, na Europa). Mesmo não tendo fé, considero que este é um papel essencial da religião na manutenção das sociedades.

Estou convencido que foi por saber da necessidade e urgência dessas reformas que Bento XVI abriu caminho para a sua sucessão.

Fredrico Francisco

Papa Francisco visita Bento XVI, dia 23 de março.

Ratzinger e Bergoglio, em 2007 ©OSSERVATORE ROMANO/AFP

Falaram ao telefone assim que houve fumo branco e estava prometido o encontro. O Papa Francisco vai reunir-se com Bento XVI no próximo sábado, em Castel Gandolfo, a residência papal de Verão e local onde Joseph Ratzinger se recolheu depois de ter renunciado.

O anúncio do encontro foi feito pelo Vaticano, em comunicado, citado pela AFP.

O Papa argentino deixará o Vaticano de helicóptero, às 11h (hora de Lisboa), e almoçará com o seu antecessor.

Esta é a primeira vez em 600 anos que um Papa poderá conviver com um antecessor.

As mulheres na vida da Igreja e do mundo

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura publicou hoje, Dia Internacional da Mulher, excertos de algumas das reflexões sobre santas da Idade Média e Renascimento que o papa emérito Bento XVI proferiu nas audiências gerais de quarta-feira realizadas em 2010 e 2011.

Destacamos Santa Clara, podendo ler na íntegra a publicação na página do SNPC.

Uma das Santas mais amadas é, sem dúvida, Santa Clara de Assis, que viveu no século XIII, contemporânea de São Francisco. O seu testemunho mostra-nos como a Igreja inteira é devedora a mulheres intrépidas e ricas de fé como ela, capazes de dar um impulso decisivo para a renovação da Igreja. (…)

No convento de São Damião, Clara praticou de maneira heroica as virtudes que deveriam distinguir cada cristão: a humildade, o espírito de piedade e de penitência, a caridade. Não obstante fosse a superiora, ela queria servir pessoalmente as irmãs enfermas, sujeitando-se inclusive a tarefas extremamente humildes: com efeito, a caridade ultrapassa qualquer resistência, e quem ama realiza todo o sacrifício com alegria. A sua fé na presença real da Eucaristia era tão grande que, por duas vezes, se verificou um acontecimento milagroso. Só com a ostensão do Santíssimo Sacramento, ela afugentou os soldados mercenários sarracenos, que estavam prestes a invadir o convento de São Damião e a devastar a cidade de Assis.

Também estes episódios, assim como outros milagres dos quais se conservava a memória, impeliram o Papa Alexandre IV a canonizá-la apenas dois anos depois da sua morte, em 1255, delineando um seu elogio na Bula de canonização, em que lemos: «Como é vivo o poder desta luz e como é forte a resplandecência desta fonte luminosa! Na realidade, esta luz mantinha-se fechada no escondimento da vida claustral, enquanto fora irradiava clarões luminosos; recolhia-se num mosteiro angusto, enquanto fora se difundia em toda a vastidão do mundo. Conservava-se dentro e propagava-se fora. Com efeito, Clara escondia-se, mas a sua vida era revelada a todos. Clara calava-se, mas a sua fama clamava». E é precisamente assim, estimados amigos: são os Santos que mudam o mundo para melhor, que o transformam de forma duradoura, infundindo as energias que unicamente o amor inspirado pelo Evangelho pode suscitar. Os Santos são os grandes benfeitores da humanidade! (…)

Gratos a Deus que nos doa os Santos que falam ao nosso coração e nos oferecem um exemplo de vida cristã a imitar, gostaria de concluir com as mesmas palavras de bênção que Santa Clara compôs para as suas irmãs de hábito e que ainda hoje as Clarissas, desempenhando um papel precioso na Igreja com a sua oração e a sua obra, conservam com grande devoção. São expressões em que sobressai toda a ternura da sua maternidade espiritual: «Abençoo-vos na minha vida e após a minha morte, como posso e mais do que posso, com todas as bênçãos com as quais o Pai da misericórdia abençoou e há de abençoar no céu e na terra os filhos e as filhas, e com as quais um pai e uma mãe espiritual abençoaram e hão de abençoar os seus filhos e as suas filhas espirituais. Amém!»

© SNPC | 07/mar/2013

Foto do dia. Sede vacante

©News.va

©News.va

Enquanto Bento XVI concluía, em Castel Gandolfo, o seu pontificado, no Vaticano, foram lacrados os aposentos pontífícios situados no terceiro andar do Palácio Apostólico. A cerimónia foi presidida pelo cardeal e Secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone.

©News.va

©News.va

 

Uma sensação de vazio na despedida de Bento XVI

Bento XVI despediu-se ontem dos cardeais que irão escolher o próximo Papa ©REUTERS/OSSERVATORE ROMANO

Antes de deixar vazia a cadeira de Pedro, Bento XVI prometeu obedecer ao sucessor e lembrou os “momentos em que houve nuvens no céu”. Os fiéis despediram-se com lágrimas

No dia em que o Papa passou a ser “um simples peregrino”, houve católicos de coração apertado e sem poderem conter as lágrimas, invadidos por “um vazio difícil de explicar”. Pessoas que nunca mais esquecerão os momentos que passaram na Praça de S. Pedro, os últimos sorrisos e acenos de Bento XVI, as suas últimas palavras enquanto Sumo Pontífice.

Ana, Sandra e João Emanuel não sabiam se chegariam a tempo, mas algo lhes disse que tinham de tentar. “Viemos hoje de Portugal e há uma hora e meia não sabíamos se conseguiríamos…”, conta Sandra. “Saímos de Portugal num grupo de 15 pessoas e estamos aqui três”, diz João. Não se conheciam. “É como se tivéssemos sido chamados. Tínhamos de estar aqui os três”, completa Sandra. “Bem-haja este momento”, diz Ana.

Neste momento, o Papa já deixou o Vaticano. Os três portugueses esperaram por vê-lo sair do Palácio Apostólico, caminhar até à rua e depois, de carro, até ao helicóptero que o fez sobrevoar Roma e o levou até Castel Gandolfo, onde viverá nos próximos dois meses, até voltar ao Vaticano, para o mosteiro onde passará a viver. Ainda esperam para vê-lo aterrar e despedir-se.

Como todos os outros que fizeram questão de estar em S. Pedro, os portugueses só arredarão pé quando Bento XVI disser as suas últimas palavras, quando os sinos de Roma se calarem por fim.

Vê-lo partir dali, de tão perto, foi “emocionante”, diz Daniele, luxemburguesa que veio com o marido e com uma amiga só para não deixar de “estar aqui na sua despedida”. “Viemos para nos despedir, depois de termos estado em tantas das suas audiências”, diz Daniele, de 56 anos, bandeira do Vaticano erguida no ar.

O Papa despediu-se do Vaticano a vê-lo de cima e foram muitos os cartazes trazidos para o acompanhar. Muitos “obrigado” em línguas diferentes, frases a dizer-lhe que “continuarás sempre connosco”.

Na quarta-feira, quando uma multidão encheu a praça e o Papa sorriu e rezou, uma parte de Roma parou. Ontem, nem tanto. A multidão diluiu-se em poucos milhares – mais aguardavam em Castel Gandolfo – e a vida da cidade em redor do Vaticano continuou. Continuar a ler

@Pontifex

Hoje será fechada a conta de Twitter @pontifex. Na sua última mensagem publicada nesta rede social, Bento XVI afirmou que “Queria que cada um sentisse a alegria de ser cristão, de ser amado por Deus, que entregou o Seu Filho por nós.” Este tuite já foi retuitado 23.975 vezes e foi adicionado como tuite favorito de 8.662 utilizadores.

Das 7 contas abertas para o efeito (@Pontifex@Pontifex_ln@Pontifex_de@Pontifex_es@Pontifex_pl@Pontifex_it@Pontifex_fr@Pontifex_ar) podemos aferir que esta iniciativa teve um grande impacto juntos dos cristãos de língua inglesa, seguidos de língua espanhola e os de língua portuguesa (as 3 línguas mais “faladas” no Twitter).

Sua Santidade Bento XVI também para nós foi uma alegria caminhar com Sua Santidade ao longo deste anos, seguindo o seu pensamento e exemplo através dos seus escritos e das redes sociais. OBRIGADO.

Português

@Pontifex

Espanhol

@Pontifex_es

Inglês

@Pontifex_pt

“Também para mim foi uma alegria caminhar convosco ao longo destes anos”, Bento XVI

Venerados e queridos Irmãos!

 É com  grande alegria que vos recebo e ofereço a cada um de vós a minha saudação mais cordial. Agradeço ao cardeal Angelo Sodano que, como sempre, soube fazer-se intérprete dos sentimentos do Colégio inteiro: Cor ad cor loquitur. Obrigado de coração,  Eminência. E gostaria de dizer – retomando a referência da experiência dos discípulos de Emaús – que também para mim foi uma alegria caminhar convosco ao longo destes  anos, na luz da presença do Senhor ressuscitado.

Como disse ontem diante dos milhares de fiéis que encheram a Praça de São Pedro, a vossa proximidade e o vosso conselho  foram para mim de grande ajuda no meu ministério. Nestes oito anos, vivemos com fé momentos muito agradáveis de luz radiosa no caminho da Igreja, juntamente com momentos nos quais algumas nuvens se adensaram no céu. Procurámos servir Cristo e a sua Igreja com amor profundo e total, que é a alma do nosso ministério. Demos esperança, a que vem de Cristo, que só pode iluminar o caminho. Juntos podemos dar graças ao Senhor que nos fez crescer na comunhão, e juntos pedir-lhe  para que vos ajude a crescer ainda nesta unidade profunda, de modo que o Colégio dos Cardeais seja como uma orquestra, onde as diversidades – expressão da Igreja universal  –  concorram  sempre para a harmonia superior e concorde.

Gostaria de vos deixar um pensamento simples, que me está muito a peito: um pensamento sobre a Igreja, sobre o seu mistério, que constitui para todos nós – podemos dizer – a razão e a paixão da vida. Deixo-me ajudar por uma expressão de Romano Guardini, escrita precisamente no ano em que os Padres do Concílio Vaticano II aprovavam a Constituição Lumen gentium, no seu último livro, com uma dedicatória pessoal também para mim; portanto as palavras deste livro são-me particularmente queridas. Diz Guardini: A Igreja «não é uma instituição pensada e construída sob um projecto…. mas uma realidade viva… Ela vive ao longo do tempo, no futuro, como todos os seres vivos, transformando-se… E no entanto na sua natureza permanece sempre a mesma, e o seu coração é Cristo». Foi a nossa experiência, ontem, parece-me, na Praça: ver que a Igreja é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo e vive realmente pela força de Deus. Ela está no mundo, mas não é do mundo: é de Deus, de Cristo, do Espírito. Vimos isto  ontem. Por isso é verdadeira e eloquente também outra famosa expressão de Guardini: «A Igreja desperta nas almas». A Igreja vive, cresce e desperta nas almas, que – como a Virgem Maria – acolheram a Palavra de Deus e a conceberam por obra do Espírito Santo; oferecem a Deus a própria carne  e, precisamente na sua pobreza e humildade, tornam-se capazes de gerar Cristo hoje no mundo. Através da Igreja, o Mistério da Encarnação permanece para sempre presente. Cristo continua a caminhar através dos tempos e em todos os lugares.

Permaneçamos unidos, queridos Irmãos, neste Mistério: na oração, especialmente na Eucaristia quotidiana, e assim servimos a Igreja e a humanidade inteira. Esta é a nossa alegria, que ninguém nos pode tirar.

Antes de vos saudar pessoalmente, desejo dizer-vos que continuarei a estar convosco com a oração, especialmente nos  próximos dias, a fim de que sejais plenamente dóceis à acção do Espírito Santo na eleição do novo Papa. Que o Senhor vos mostre o que Ele quer. E entre vós, entre o Colégio Cardinalício, está também o futuro Papa ao qual já hoje prometo a minha reverência e obediência  incondicionadas. Portanto, com afecto e reconhecimento, concedo-vos de coração a Bênção Apostólica.

2013-03-01 – L’Osservatore Romano

Oito anos de ensinamentos de Bento XVI que vão passar para a História

Última Audiência de Bento XVI ©news.va

Última Audiência de Bento XVI ©news.va

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 27-02-2013, Gaudium Press– Em seu Pontificado de quase oito anos, Bento XVI publicou três Encíclicas. A primeira delas veio a lume apenas oito meses depois que ele foi eleito: “Deus caritas est“. Numa tradução literal seu nome seria “Deus é Amor” e trata do tema “amor divino e amor humano” com profunda reflexão.

Na ocasião de sua publicação o próprio Papa, em palavras proferidas em 23 de janeiro de 2006, afirmou: “Nesta Encíclica queria mostrar as diversas dimensões do conceito de amor. O eros, o dom do amor entre o homem e a mulher vem da mesma fonte de bondade do Criador, como também a possibilidade de um amor que renuncia a si mesmo em favor dos demais“.

Em 2007 foi a vez do Santo Padre tratar da esperança em uma Encíclica que se chamou “Spe salvi”. Era a segunda Encíclica de Bento XVI. Nela ele explica os motivos que levam os cristãos a ter esperança na vida terrena e na vida futura. Ela traz argumentos que justificam a virtude da esperança cristã.

A terceira encíclica foi publicada no ano de 2009. Seu nome: “Caritas in veritate”, ou seja, A Caridade na Verdade. Trata-se de uma Encíclica sobre questões sociais. Nela o Papa propõe um desenvolvimento integral com base na caridade e respeitando a verdade da pessoa. Uma orientação que traz luz sobre a grave crise econômica mundial.

Além da três Encíclicas, Bento XVI escreveu quatro Exortações Apostólicas, fruto das reflexões dos sínodos dos Bispos. Dessas exortações, uma fala sobre o sacramento da Eucaristia, uma segunda exortação tem como tema “a Palavra de Deus e a missão da Igreja. A terceira exortação Apostólica trata sobre a Igreja na Africa. A última delas trata da Igreja no Oriente Médio.

O Papa Bento XVI publicou também um grande número de documentos de governo: 129 Cartas Apostólicas e 116 Constituições Apostólicas. 

Para o Diego Contreras, professor de Comunicação Social Institucional da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, em Roma, em declarações feitas a “Rome Reports”, afirma: “Não só a especulação teológica mas a forma em que essa especulação é feita se faz vida e a aplica aos fiéis de todas condição. Creio que é uma riqueza que lembra os Padres da Igreja que eram muito profundos, porém, eram entendidos por todos e o que ensinavam tinha aplicações práticas para a maioria dos cristãos”.

Destaca-se também sua trilogia de discursos sobre o bom governo e as relações Igreja-Estado, em Paris, Londres e Berlim; ou seu discurso acadêmico em Regensburg, na Alemanha.

A tudo isso ainda é necessário que seja somado outro presente que Bento XVI deixa para a Igreja: suas catequeses e homilias. sem dúvida, um imenso patrimônio magisterial que os católicos levarão muitos anos para assimilar.