Papa disse aos cardeais: “Não cedam ao pessimismo e à amargura”

Já se vendem souvenirs do Papa Francisco ©MAX ROSSI/REUTERS

O Papa Francisco disse esta sexta-feira aos cardeais, num encontro privado no Vaticano, que não devem ceder ao pessimismo.

“Não vamos ceder ao pessimismo e ao desencorajamento, vamos manter os olhos focados na verdadeira missão da Igreja. (..) Não devemos ceder ao pessimismo, nem à amargura que o diabo coloca diante dos nossos olhos todos os dias”, disse o Papa aos cardeais que o elegeram e com quem se reuniu na Sala Clementina.

Francisco prestou ainda homenagem ao “gesto corajoso e humilde” que Bento XVI protagonizou ao renunciar. É com “grande afecto” que pensa no magistério do Papa emérito, na sua “bondade, humildade e doçura”. De seguida, de maneira sorridente e bem-disposta, Francisco saudou calorosamente os cardeais, um a um.

O encontro é uma tradição – após um conclave, o novo Papa recebe os cardeais que lhe dão as boas-vindas e o felicitam por ser o novo chefe da Igreja Católica. Francisco foi eleito na terça-feira ao segundo dia do conclave. Apesar de se tratar de um encontro à porta fechada, as palavras do Papa foram divulgadas e reproduzidas pela AFP e a Reuters.

Francisco disse aos cardeais que devem “encontrar novos meios de levar a evangelização aos confins da terra”, ele que é argentino e disse, ao ser eleito, que os seus então pares tinham ido buscar um papa “ao fim do mundo”.

A Sala Clementina faz parte do Palácio Apostólico, situado junto à Basílica de S. Pedro, e é usada pelo Papa para recepções e cerimónias especiais, como o primeiro encontro com os membros do conclave após a votação. É, como outros locais do Vaticano, um lugar de arte, estando as suas paredes cobertas por frescos renascentistas.

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Cardeal Dolan: novo papa, um homem de grande simplicidade

©Jeffrey Bruno 2013

[Aleteia.org] “Ele nos disse imediatamente que escolhia o nome de Francisco, em honra a São Francisco de Assis. Talvez porque pensasse que poderia sugerir São Francisco Xavier, por isso rapidamente esclareceu.”

O cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova York e um dos “papáveis” favoritos, falou ontem à noite, recém-terminado o Conclave, com os jornalistas, sobre o novo pontífice. Suas declarações foram recolhidas pela rede CBS.

A eleição “não nos surpreendeu, porque todos sabem o quão dedicado, amoroso e cuidadoso ele é com seus pobres em Buenos Aires. Lá ele pega ônibus todo dia para ir trabalhar. E foi do mesmo jeito esta noite, entenderam o que aconteceu?”, disse Dolan.

“Estávamos todos reunidos enquanto ele estava no balcão, saudando o povo. Descemos, como em outras ocasiões, e há ônibus, 5 ou 6, para levar os cardeais de volta à Casa Santa Marta. Via ali o carro do Santo Padre e a escolta, a segurança, as motocicletas. Pensei que tudo tinha voltado à normalidade, que o carro do Papa teria voltado ao serviço. Nós tomamos o ônibus. Outros cardeais esperam para saudar o Papa em seu retorno à casa Santa Marta. Quando chega o último ônibus, adivinha quem desce? O Papa Francisco! Imagino ele dizendo ao motorista: “Sem problemas, eu vou com os rapazes de ônibus”.

Segundo o cardeal Dolan, o novo Papa “é um homem maravilhoso, de grande simplicidade. Ele nos disse que tinha a intenção de visitar a Basílica de Santa Maria Maior para saudar Maria. Disse que irá saudar Bento XVI, e depois teria de ir à Casa do Clero, para pegar suas coisas e pagar a conta, pois é onde ele estava hospedado antes”.

É o Espírito Santo que escolhe o Papa?

O Espírito pode agir através dos Cardeais, desde que estejam abertos a isso, mas a única certeza que a Igreja ensina é que a Sé de Roma nunca ensinará o erro doutrinal.

[Filipe d’Avillez|RR|11/mar/2013] Em contexto de Conclave muito se tem falado sobre o papel do Espírito Santo na escolha do próximo Papa e torna-se habitual ouvir dizer, entre católicos, que será Ele a escolher quem se vai sentar no Trono de Pedro.

Contudo, não é isto que a Igreja ensina. Aliás, dificilmente se explicaria que João XII ou Alexandre VI, o famoso Borgia, tivessem sido escolhidos para o cargo directamente por Deus.

Maria Cortez Lobão, licenciada em Teologia, explica que o Espírito Santo nunca age contra a liberdade de ninguém, incluindo os cardeais: “cada um dos Cardeais, com as suas características e os seus dons, quer pôr esses dons ao serviço de Deus. Como o Espírito Santo trabalha através de, e não contra, os dons, podemos dizer que o Espírito está presente no Conclave e faz com que o coração de cada um se abra àquilo que é a perspectiva do que é preciso para a Igreja neste momento.”

Se é verdade que o fim dos poderes temporais da Igreja fez com que o Papado se tornasse menos “apetecível” por quem tem intenções menos nobres, continua a existir a possibilidade de os cardeais errarem na sua escolha. O que não pode acontecer, segundo a doutrina da Igreja, é que um Papa, por pior que seja, atente contra a verdade da fé.

“Bento XVI disse a certa altura que da promessa que temos de Jesus, que fica connosco até ao fim dos tempos, e que as portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja, temos a certeza que o erro não vai ser ensinado e não vai prevalecer. Até os Papas menos desejáveis nunca ensinaram nada contra o depósito da fé”, explica Maria Cortez de Lobão, em referência à doutrina e à fé que os primeiros apóstolos deixaram à Igreja e que nem os papas mais perversos alteraram.

“Isso dá-nos uma grande confiança, saber que quem conduz a Igreja, de facto, é Jesus, como o Papa disse antes de ir para Castel Gandolfo antes da última audiência. Por isso temos de ter toda a confiança e serenidade, apesar dos nossos erros.”

[atualizado] Cardeais presentes no “continente digital”

Redes sociais são ambientes de vidaSem querer cair no erro ou usar o mesmo conceito para apontar os cardeais papabile conservadores ou progressistas… Mais do que pensar num homem com ideias conservadoras ou progressistas, há que perceber onde está o Evangelho a gritar. Os Evangelhos testemunham um Jesus sempre a caminho em busca dos pobres e oprimidos, ricos e pobres, novos e velhos, na sua situação de vida. Assim, na raiz de tudo deverá estar o Evangelho, a boa nova. Uma boa notícia atualizada capaz de descer e responder às muitas questões da Humanidade, de curar as feridas abertas pelos muitos “ismos” da modernidade.

O filósofo e pedagogo Marshall McLuhan define este nosso mundo moderno como uma “aldeia global”. Assim, é pretensão deste espaço, apresentar alguns cardeais, que pela sua ação pastoral de proximidade e solicitude para com a humanidade se destacam. Cardeais que percorrem as estradas das vilas e cidades, capazes de comunicar com o letrado e o iletrado, o jovem e o adulto, presente no “continente digital”.

Trabalho realizado por Nuno Monteiro, prof. de EMRC

Clique na imagem para ler a descrição. 

Fumaça branca, preta ou amarela? [slideshow]

© Grzegorz GALAZKA / SIPA

[Chiara Santomiero|Aleteia.org|08/mar/2013] O sinal mais visível da importância do conclave virá do telhado da Capela Sistina, sempre que forem queimadas as cédulas das votações para eleger o papa.

São dois os fornos onde serão queimados os votos. Funcionários do vaticano já montaram a estrutura metálica que os ligará à chaminé.

O forno mais antigo, com formato cilíndrico de cerca de um metro, remonta a 1939, e é o que vai realmente queimar as cédulas escritas por cada cardeal com o nome de seu candidato para a cátedra de Pedro. Em seu tampo superior estão marcadas as datas de eleição e os nomes dos últimos seis papas, de Pio XII a Bento XVI.

Mas a fumaça produzida pela queima dessas cédulas não é suficiente para ser vista saindo pela chaminé e alcançando os céus de Roma, seja na cor preta, quando não houve eleição, ou na cor branca, quando houve a escolha.

Desde 2005, foi instalado um novo forno, que é capaz de auxiliar na produção da fumaça suficiente para anunciar o resultado das votações.

O n. 66 do Ordo Rituum Conclavis indica que, ao se confirmar a eleição do novo papa, é justo que, com o auxílio técnico, se faça sair pela chaminé da Capela a fumaça branca, como sinal visível da eleição.

O segundo forno foi ideia de João Paulo II, que também acrescentou ao ritual o som dos sinos da Basílica de São Pedro, como forma de confirmação da fumaça branca e expressão de alegria pela eleição do papa. Todos esses elementos foram testado pela primeira vez na eleição de Bento XVI, em 2005.

Até então, antes do conclave, para verificar o correto funcionamento do sistema, estava em uso também a fumaça amarela.

Para se obter a fumaça preta, as cédulas eram marcadas com cera. Então se adicionava um pouco de palha úmida e se tinha o resultado.

Nesse tempo, a fumaça branca servia para, do Quirinal, que era o palácio dos papas, sinalizar para a Guarda dar o salve e anunciar para toda cidade a recente eleição de seu novo bispo e sucessor de Pedro.

Mas apesar de todas as precauções, muitas vezes se criaram dúvidas sobre a cor da fumaça.

Houve até um anúncio em falso. Em 1958, o patriarca de Veneza, Angelo Giuseppe Roncalli, Papa João XXIII, foi eleito na tarde de terça-feira 28 de outubro, depois de várias votações. Mas já na primeira rodada de votos, no domingo anterior, por alguns segundos, uma fumaça branca saiu pela chaminé, dando ao mundo a falsa notícia da eleição. Em seguida a fumaça escureceu, e todos ficaram confusos e voltaram a esperar.

Quando João Paulo I foi eleito papa, por muito tempo ficou a incerteza sobre a cor da fumaça que saía pela chaminé da Capela Sistina. O mesmo aconteceu com Bento XVI, mas, nesse caso, para dissipar as dúvidas, os sinos da Basílica ressoaram.

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Cardeais nas redes sociais.

Redes sociais são ambientes de vidaDentre os desafios do mundo moderno que aguardam o novo Papa, existe um que se destaca pela rapidez com que avança: o uso das novas mídias e a capacidade de comunicação com as novas gerações.

Segundo padre Antônio Spadaro, doutor em teologia pela Universidade Gregoriana de Roma e redator chefe da revista ‘Civiltá Cattólica’, o uso das novas tecnologias é muito importante para fazer com que a Igreja seja fermento de vida e esperança nestes novos ambientes de vida que João Paulo II chamou de “areópagos digitais”.
“O Papa está diante do mundo e por isso ele deve ser um homem de comunicação”, disse padre Antônio Spadaro.
Se depender de muitos dos nossos cardeais – e claro, possíveis sucessores de Pedro – este espaço de comunicação entre a Igreja e as novas gerações será cada vez mais curto. O uso das redes sociais pelos prelados da Igreja Católica tem sido cada vez mais comum nos dias de hoje.
Dentre os cardeais mais presentes e influentes nas redes sociais, estão o americano Timothy Dolan, o filipino Luis Tagle, o italiano Giafranco Ravasi e o brasileiro Odilo Scherer.
No Twitter, quem lidera a lista é o cardeal Timothy Dolan (@CardinalDolan), seguido pelo cardeal Gianfranco Ravasi (@CardRavasi@CardRavasi_sp@CardRavasi_en) e pelo brasileiro Odilo Scherer (@DomOdiloScherer). Em quarto lugar aparece Angelo Scola (@angeloscola) e por fim, o cardeal O’Malley (@CardinalSean) [ver lista mais alargada em Cardeais no Twitter].
Já no Facebook, o ranking é liderado pelo filipino Luis Antonio Tagle [125.882 gostos], seguido pelo americano Dolan [17.394 gostos], e, novamente na terceira posição, o cardeal Scherer [6.218 gostos]. Seguindo a lista, o cardeal Burke aparece em quarto lugar, seguido por Francis George, em quinto.
Lido aqui!

Conclave para escolher sucessor de Ratzinger começa na terça-feira

©VINCENZO PINTO:AFP

©VINCENZO PINTO:AFP

(|Público|08/mar/2013) Os 115 cardeais eleitores e os que por terem mais de 80 anos já não poderão participar no próximo conclave decidiram que o encontro para escolher o substituto de Bento XVI terá início na próxima terça-feira, 12 de Março, um mês depois da renúncia do Papa alemão.

Coube ao porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, anunciar o resultado da votação feita pelos cardeais reunidos desde segunda-feira nas Congregações Gerais, um pré-conclave que serve para garantir a administração dos assuntos da Igreja em período de sede vacante e para preparar o encontro em que o novo Papa será eleito.

As Congregações vão continuar ainda por alguns dias em Roma, esperando-se novos encontros para sábado e ainda para segunda-feira. Na terça, os cardeais mudam de cenário, transferindo-se para novos aposentos, mais próximos da Capela Sistina, onde decorrem as votações.

Para a manhã de dia 12 está marcada a missa que antecipa a eleição – da parte da tarde será feita a primeira votação.

A partir daí, tudo depende da contagem dos votos e do eventual consenso que estes debates pré-conclave tenham podido começar a construir em torno de um dos nomes.

Os cardeais farão votações sucessivas até que um deles obtenha uma maioria de dois terços, 77 votos. Então, sairá fumo branco da chaminé, ainda a ser montada no Vaticano, e os 1200 milhões de católicos poderão ver o rosto do novo sumo pontífice.

Um Papa com desafios únicos e que vai assumir as rédeas de uma Igreja atormentada por “individualismos” e “pecados”, num momento de crise de fé, um peso que Ratzinger sentia não poder mais carregar, como explicou em todas as intervenções públicas desde a renúncia, inédita em 600 anos.

Cardeais no Twitter

• Gianfranco Ravasi (@CardRavasi@CardRavasi_sp@CardRavasi_en), presidente do Conselho Pontifício da Cultura, VaticanoRedes sociais são ambientes de vida

• Angelo Scola (@angeloscola), arcebispo de Milão, Itália [conta suspensa durante a Sé vacante/Conclave]

• Lluís Martínez Sistach (@sistachcardenal), arcebispo de Barcelona, Espanha

• Timothy Dolan (@CardinalDolan), arcebispo de Nova Iorque, EUA

• Roger Mahony (@Cardinalmahony), arcebispo emérito de Los Angeles, EUA

• Séan Patrick O ́Malley (@CardinalSean), arcebispo de Boston, EUA

• Odilo Scherer (@DomOdiloScherer), arcebispo de São Paulo, Brasil

• Rubén Salazar Gómz, (@cardenalruben), arcebispo de Bogotá, Colômbia

• Wilfrid Naper (@CardinalNapier), arcebispo de Durban, África do Sul

• Norberto Rivera (@primadodemexico), arcebispo da Cidade do México.