Cardeal Dolan: novo papa, um homem de grande simplicidade

©Jeffrey Bruno 2013

[Aleteia.org] “Ele nos disse imediatamente que escolhia o nome de Francisco, em honra a São Francisco de Assis. Talvez porque pensasse que poderia sugerir São Francisco Xavier, por isso rapidamente esclareceu.”

O cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova York e um dos “papáveis” favoritos, falou ontem à noite, recém-terminado o Conclave, com os jornalistas, sobre o novo pontífice. Suas declarações foram recolhidas pela rede CBS.

A eleição “não nos surpreendeu, porque todos sabem o quão dedicado, amoroso e cuidadoso ele é com seus pobres em Buenos Aires. Lá ele pega ônibus todo dia para ir trabalhar. E foi do mesmo jeito esta noite, entenderam o que aconteceu?”, disse Dolan.

“Estávamos todos reunidos enquanto ele estava no balcão, saudando o povo. Descemos, como em outras ocasiões, e há ônibus, 5 ou 6, para levar os cardeais de volta à Casa Santa Marta. Via ali o carro do Santo Padre e a escolta, a segurança, as motocicletas. Pensei que tudo tinha voltado à normalidade, que o carro do Papa teria voltado ao serviço. Nós tomamos o ônibus. Outros cardeais esperam para saudar o Papa em seu retorno à casa Santa Marta. Quando chega o último ônibus, adivinha quem desce? O Papa Francisco! Imagino ele dizendo ao motorista: “Sem problemas, eu vou com os rapazes de ônibus”.

Segundo o cardeal Dolan, o novo Papa “é um homem maravilhoso, de grande simplicidade. Ele nos disse que tinha a intenção de visitar a Basílica de Santa Maria Maior para saudar Maria. Disse que irá saudar Bento XVI, e depois teria de ir à Casa do Clero, para pegar suas coisas e pagar a conta, pois é onde ele estava hospedado antes”.

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Diário do #Conclave: outro fumo negro, agora “atira nomes para o ar”

©REUTERS

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[Sofia Lorena|Público|13/mar/2013] Ainda fumo negro, o segundo, no final da manhã do segundo dia do conclave, depois da terceira votação. Inconclusiva, como se esperava. O fumo saiu pela chaminé instalada na Capela Sistina quando ainda não eram 12h em Roma (11h em Lisboa) e a Praça de S. Pedro era já um mar de gente. Como na véspera, ouviu-se um longo “ohhhh”, como na véspera muitos dispersaram depois de se despedirem. “Até amanhã, às 10h”, disseram na terça-feira. “Até logo.”

O fumo estava marcado para as 12h. Sim, estas coisas são imprevisíveis mas têm o seu guião. Chegou às 11h39 (menos uma hora em Portugal continental).

Na véspera, depois da primeira votação, o fumo saiu cedo e saiu negríssimo, para não deixar dúvidas. Nesta quarta-feira, no final das duas votações que agora serão feitas a cada manhã (seguidas de outras duas da parte da tarde), os cardeais foram menos previsíveis: votaram ainda mais depressa do que se poderia ter antecipado e de previsível só o desfecho, ainda em aberto.

Tal como os cardeais, quem tem de queimar os votos e introduzir na chaminé o químico que define a cor do fumo também tinha pressa: o segundo fumo foi negro, mas menos do que o da véspera. E os jornalistas não estavam preparados.

“O fumo de hoje não foi negríssimo, por isso alguns jornalistas tiveram dúvidas antes de enviar os seus urgentes… Grande confusão na sala de imprensa”, twittou o vaticanista Andrés Beltramo, correspondente permanente no Vaticano. “Às 11h39 saiu o segundo fumo negro do Conclave, com alguma antecipação em relação ao que se previa e isto desconcertou a imprensa”, twittou a seguir. Continuar a ler

Por que motivo é que os Papas escolhem um novo nome?

São Pedro foi o primeiro que mudou de nome, algo que os sucessores não fizeram durante centenas de anos. Mais tarde, entre os séculos VI e XVI, tornou-se um hábito intermitente e acabou depois por ser comum. Escolha de um nome ajuda a desvendar as prioridades de um pontificado.

©Reuters

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[Filipe d’Avillez|RR|13/mar/2013]A primeira decisão que um novo Papa toma não tem que ver com o Governo da Igreja ou com questões teológicas. É sim qual o nome pelo qual quer ser conhecido.

O primeiro Papa a adoptar um novo nome foi o primeiro, São Pedro. Originalmente chamado Simão, o nome foi-lhe mudado por Jesus quando este lhe disse que era sobre ele que iria edificar a sua Igreja, chamando-o então Pedro, que significa “pedra” ou “rocha”.

Até ao sexto século, todos os Papas usaram o seu nome de baptismo. O primeiro a mudar depois de São Pedro foi Mercuriano, que adoptou o nome João II por considerar que o seu nome, escolhido em homenagem ao deus romano Mercúrio, não era adequado para um Vigário de Cristo. O hábito foi intermitente daí em diante, mas desde Marcelo II, no século XVI, que todos os Papas adoptam novos nomes.

Os nomes têm necessariamente um significado e o mais provável é que os cardeais que sabem que têm possibilidade de ser eleitos já tenham pensado no que vão adoptar. Na base da decisão pode estar uma ligação aos antecessores, como foi o caso de João Paulo II, que sucedeu a João Paulo I, ou pode estar a intenção de querer evocar a memória e o legado de um anterior Papa ou de um santo do mesmo nome. Foi este o caso de Bento XVI, que tanto queria evocar Bento XV, que reinou durante um período de crise na Europa durante a Primeira Guerra Mundial, como o de São Bento, que evangelizou grande parte da Europa, criando os mosteiros beneditinos.

Assim, é desde logo possível fazer uma leitura das prioridades do novo Papa com base na escolha do novo nome. Um Paulo VII, por exemplo, pode indicar a urgência da evangelização que levou o apóstolo a viajar por todo o mundo para pregar aos gentios. Já João XXIV pode ter múltiplas leituras, incluindo a necessidade de cumprir o Concílio Vaticano II, convocado por João XXIII.

Há vários exemplos de Gregórios que ajudaram a Igreja a atravessar momentos de crise e Leão XIV pode ser entendido como uma necessidade de combater o racionalismo, como fez Leão XIII no seu tempo, reforçando a fé.

Conheça o cardeal vai dizer o “Habemus Papam”

Os católicos anseiam ouvir a frase que irá anunciar o novo papa, mas poucos sabem quem é o responsável de dizer ao mundo que “Habemus Papam”.

Jean-Louis Tauran foi nomeado há dois anos Cardeal Protodiácono por estar entre os mais antigos cardeais diáconos, e, portanto, será responsável por anunciar o novo Romano Pontífice. O Cardeal será convidado a pronunciar a famosa frase a partir da varanda da Basílica de São Pedro.

Jean-Louis Tauran, 67 anos, nasceu em Bordeaux (França), fala francês, espanhol, inglês e italiano e é membro do corpo diplomático do Vaticano desde 1975. Tauran preside o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e, graças, entre outras coisas, à sua extensa experiência internacional, é o principal responsável pelas relações com o mundo muçulmano.

[feito a partir desta leitura]

Fumo negro no Vaticano após segunda votação no Conclave

A primeira votação desta quarta-feiras no Conclave para a eleição do novo Papa da Igreja Católica não teve um vencedor. Os cardeais reuniram-se de manhã cedo na Capela Sistina e, cerca de duas horas depois, voltou a sair fumo negro da chaminé.

Isto significa que ainda não há um sucessor de Bento XVI, que renunciou e pôs fim ao seu pontificado a 28 de Fevereiro. Na Praça de S. Pedro, no Vaticano, há centenas de pessoas à espera, que rezam no exterior, apesar da chuva que continua a cair e do frio que se sente, enquanto o Conclave se encontra reunido no interior da Capela Sistina.

Por volta das 10h30, as imagens em directo a partir daquela praça mostrava muitos rostos expectantes, sentimento que terá sido adiado quando a primeira nuvem de fumo negro saiu da chaminé, às 10h38, assinalando que os 115 eleitores não tinham dado a maioria de dois terços dos votos a um dos elegíveis.

Escolher um Papa em mais de dois anos ou em dez horas

Ao longo de séculos o processo de escolha de um Papa chegou a durar semanas, meses e anos. Apenas numa ocasião não chegou a 24 horas.

No espaço de uma semana é esperado que o novo Papa seja anunciado do balcão da basílica de São Pedro FILIPPO MONTEFORTE/AFP

[Público|12/mar/2013)Aquele que será o segundo conclave do século XXI, depois da morte de João Paulo II e da renúncia de Bento XVI, começa nesta terça-feira e não deverá demorar mais do que uma semana, um autêntico recorde quando recuamos oito séculos, mais precisamente ao ano 1268, data da morte de Clemente IV. Foram necessários dois anos e nove meses para que o seu sucessor fosse anunciado, ficando para a história como o conclave mais longo.

Escolher um novo Papa foi em tempos um processo demorado. Demasiado demorado e carregado de impaciência por parte dos fiéis católicos. Com uma Igreja sem direcção, a solução encontrada para acelerar o processo eleitoral foi colocar sob isolamento, à porta fechada, sem influências externas e pressões, os cardeais que iriam tomar a importante decisão. Foi desta forma que se elegeu o Papa Celestino IV, em 1241, e que decorreu o conclave que se seguiu à morte de Clemente IV, 29 anos depois. Mas seria neste conclave que os cardeais acabaram submetidos a uma prova de força e resistência.

Em Viterbo, cidade no centro de Itália que serviu de morada aos papas, os prelados foram convocados para escolher o sucessor de Clemente IV. Perante a indecisão dos cardeais e passado quase um ano sobre a morte do Papa, a população tomou uma decisão extremada, como é referido no livro Lux in arcana, disponível nos arquivos secretos do Vaticano. No Outono de 1269, a população de Viterbo fechou os cardeais no palácio pontifical e em Junho de 1270, ainda sem o anúncio do novo Papa, o telhado do palácio foi retirado para os expôr a condições meteorológicas extremas. Só em Setembro de 1271, cerca de dois anos e nove meses depois, um grupo reduzido a seis cardeais apresentou Gregório X como o novo Santo Padre. Continuar a ler

Vaticano bloqueia Internet para eleição do Papa

Cardeais não podem usar telemóveis, Internet, ouvir rádio ou ler jornais.

A Capela Sistina está preparada para evitar escutas PIER PAOLO CITO/AP

[Público|13/mar/2013]Numa era em que se partilha quase tudo online, o Vaticano tomou medidas para assegurar que o conclave que vota o novo Papa não terá contacto com o exterior, como mandam as regras.

Na Capela Sistina foram instalados dispositivos para interferir com as telecomunicações, impedindo o uso de telemóveis e de aparelhos ligados à Internet (algo que já tinha sido feito em 2005, quando Ratzinger foi eleito). Estes dispositivos servirão ainda para evitar que alguém possa tentar escutar o que se passa dentro do conclave – por exemplo, através de microfones escondidos.

Para além disto, as redes de Internet sem fios vão estar cortadas na Cidade do Vaticano e o bloqueio tecnológico só terminará quando houver fumo branco.

Os cardeais que têm blogues e contas no Facebook e no Twitter foram avisados de que não podem ceder à tentação de anunciar o novo Papa (ou o que quer que seja relacionado com a votação) na Internet. Também não terão acesso a rádio, televisão, jornais ou telefones fixos e estão alojados próximo da capela, para onde se deslocarão num autocarro.

Numa conferência de imprensa, um porta-voz do Vaticano desmentiu artigos na imprensa que davam conta de que os cardeais seriam revistados.