Da dúvida à fé

O homem moderno aprendeu a duvidar. É próprio do espírito dos nossos tempos questionar tudo para progredir em conhecimento científico. Neste clima a fé fica com frequência desacreditada. O ser humano caminha pela vida cheio de incertezas e dúvidas. Por isso, todos nos sintonizamos sem dificuldade com a reação de Tomé, quando os outros discípulos lhe comunicam que, estando ele ausente, tiveram uma experiência surpreendente: “Nós vimos o Senhor”. Tomé poderia ser um homem dos nossos dias. A sua resposta é clara: “Se eu não vir… eu não acreditarei” (Jo 20, 25).

A sua atitude é compreensível. Tomé não diz que os seus companheiros estão mentindo ou que estão enganados. Apenas afirma que o seu testemunho não lhe basta para aderir à sua fé. Ele necessita viver a sua própria experiência. E Jesus não o recriminará em nenhum momento. Continuar a ler

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40 dias de quaresma: Domingo III da quaresma#2

No Amor de Deus e no amor do próximo, caríssimos, consiste a força e a sabedoria da fé cristã. Não falta a dever algum da caridade quem se preocupa em cultuar ao Senhor e em ajudar o próximo. A união destas duas afeições deve ser realizada em todas as ocasiões e progredir sempre, mas agora precisa ser amplamente incrementada.

Que os quarenta dias de jejuns precedentes à festa pascal toquem o ouvido interior do coração, como se fossem a voz de João Batista, a repetir as palavras do profeta Isaías: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas (Is 40,3; Lc 3,4). Quer pensemos na parte do povo já na arena do certame evangélico e que incessantemente tende à palma pela corrida no estádio espiritual, quer se trate da segunda parte que, cônscia de pecados mortais, apressa-se pelo auxílio da reconciliação para o perdão; seja ainda a outra que vai ser regenerada pelo batismo do Espírito Santo e deseja despojar-se do velho Adão para se revestir da novidade de Cristo, a todas, de maneira apta e útil se proclama: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas (Lc 3,4). Quais, porém, sejam esses caminhos do Senhor, quais as veredas, aprendamo-lo da exortação do mesmo pregador que, prometendo a operação e os dons da graça divina, revelava os efeitos das transformações futuras, acrescentando a sentença da palavra do profeta: Que todo vale seja entulhado, que toda montanha e colina sejam abaixadas; que os cimos sejam aplainados, que as escarpas sejam niveladas! (Is 40,4). O vale significa a mansidão dos humildes, o monte e a colina indicam a exaltação dos soberbos. Mas, como disse a Verdade, se todo aquele que se exaltar, será humilhado; e todo aquele que se humilhar, será exaltado (Lc 14,11; 17,14), com razão, anuncia-se aos vaies a aterragem e aos montes, a depressão. Assim, a estrada plana não ocasionará tropeço, e o caminho reto não causará desvios. Embora, pois, seja estreito e apertado o caminho da vida(Mt 7,14), avança por ele sem dificuldade quem é corroborado pela verdade e a piedade. Terá prazer em caminhar se a estrada estiver bem calçada com as pedras das virtudes e não ceder devido à areia dos vícios.

Mas, para sabermos com maior exatidão quais os caminhos por onde haveremos de tender às promessas de Deus, ouçamos o ensinamento do profeta David: Todos os caminhos do Senhor são graça e fidelidade (Sl 24,10). A vida dos fiéis tem por norma o exemplo das obras divinas. Com razão, exige Deus imitação da parte dos seus, criados à sua imagem e semelhança. Não tomaremos posse, em verdade, da dignidade desta glória a não ser que em nós se encontrem a misericórdia e a verdade. Foi por elas que o Senhor veio até os que queria salvar, por elas também devem os salvos apressar-se ao encontro de quem salva. A misericórdia de Deus fez-nos misericordiosos, e a sua verdade, verdadeiros. Pois, como a alma justa caminha pela via da verdade, a alma bondosa avança pela estrada da misericórdia. Estes caminhos jamais se dividem, como se estes bens pudessem ser buscados através de sendas diversas; ou uma coisa seja crescer em misericórdia e outra progredir por meio da verdade. Quem é estranho à verdade não é misericordioso; nem é capaz de justiça quem for estranho à piedade. Não possui nem uma, nem outra, quem não estiver enriquecido de ambas.

A caridade é a força da fé, e a fé a fortaleza da caridade. Só é verdadeiro o nome e genuíno o fruto das duas, se permanecer indissolúvel a união de ambas. Onde não estiverem juntas, de lá simultaneamente se ausentam, porque são uma para a outra auxílio e luz, até que o anelo da fé se consuma na remuneração da visão, seja imutavelmente visto e amado o que agora sem a fé não é amado, e sem o amor não é crido. Uma vez que afirma o Apóstolo: estar circuncidado ou incircunciso de nada vale em Jesus Cristo, mas sim a fé que age pela caridade (Gl 5,6), apliquemo-nos simultânea econjuntamente à fé e à caridade. Duas asas, pois, para um vôo muito eficaz, por meio do qual a mente pura se eleva a merecer a Deus, e a vê-lo a fim de que o peso das preocupações carnais não a faça abaixar. Aquele que afirma: Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11,6) também assevera: Mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada (1Cor 13,2). Quem quiser prestar os obséquios devidos aos divinos mistérios dos sacramentos pascais, anele com maior ardor por estas duas coisas, nas quais se concentra o ensinamento acerca de todos os preceitos, e que transformam cada fiel num sacrifício a Deus e em templo de Deus. Persista a fé em esperar o que crê, persista a caridade em impetrar o que ama; as duas coisas são peculiares a quem ama, ambas caracterizam a quem crê. Unamo-nos pela imitação da piedade àquele ao qual nos submetemos por assentimento da inteligência. É palavra de Deus: Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo (Lv 19,2) e é palavra do Senhor: Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso (Lc 6,36).

S. Gregório Magno (c. 540-604)
Sermão 36
Seleção e tradução: Fr. Isidro Lamelas, OFM,

professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa

Fonte: SNPC

[vídeo] O que é a fé?

[youtube http://youtu.be/RPjEES9fnGU]

A fé para mim é força que me faz andar para a frente.

É encontrar um caminho na vida,

e fazer com que cada coisa seja bela,

e assim ter uma razão para viver.

A fé é a essência para o cristão.

Sem a fé, penso, não somos ninguém.

Ter fé é crer em Deus e abandonar-me nas Suas mãos.

É crer sem condições,

Entregar-se a Deus e confiar plenamente n’Ele.

A fé é um presente que me dá a força

para perseverar na minha procura da verdade,

do bem e da beleza em todas as coisas.

A fé é a coisa mais importante da nossa vida.

É aceitar Deus na nossa vida

e, pouco a pouco, fazermo-nos Seus amigos, amá-l’O.

É como uma luz que me guia e me ensina

como chegar ao Céu, que é como o sol.

A fé é como uma luz que vai ao sol,

uma luz que me leva à sua fonte: o Céu.

Dá-nos um objetivo na vida.

É encontrar o sorriso de Deus nas coisas de todos os dias.

É uma força que muda a minha vida

e me converte numa pessoa nova todos os dias.

A fé dá um sentido às minhas atividades correntes.

É um raio de esperança que sabemos que nunca se apagará.

É confiar em Deus e não apenas na razão do homem.

Ter fé é falar com Deus e orientar a nossa vida para Ele.

Desse modo, ainda que tenhamos dificuldades e problemas,

nunca deixamos de andar para a frente.

E isto transforma-nos, ficamos mais contentes,

mais felizes, sentimo-nos amadas.

A fé ajuda-me a fazer melhor o que já faço.

Não apenas aquilo que os outros podem ver, mas também

os pequenos detalhes que normalmente não se notam.

A fé permite que continuemos a viver o dia a dia com mais força,

e ajudando outras pessoas e, assim, conseguir

que outros sejam felizes como nós

e alegrarmo-nos nós também com isso

“Que este Ano da fé torne cada vez mais forte

a relação com Cristo, Senhor,

pois só n’Ele temos certezas para olhar o futuro

e a garantia de um amor autêntico e duradouro”.

Bento XVI, Porta Fidei

Lido aqui!

Proposta de leitura_#3

Sinopse

«Esta pequena obra sobre o Credo – Síntese da fé cristã não tem qualquer pretensão a ser exaustiva ou definitiva. Tal como muitos outros “teólogos”, ao longo dos séculos e no século XX e XXI, pretende ser apenas um resumo e uma introdução a este “documento” essencial da fé cristã que, devo confessar, sempre me fascinou: li, com gosto e proveito, muitos dos “credos” antigos e actuais e com regularidade, dei pequenos cursos sobre o Credo.
O ano de 2012-13 foi proclamado solenemente, pelo Papa Bento XVI, “Ano da Fé” e incentivados os trabalhos e reflexões sobre a fé cristã. Assim, por estas razões e ainda outras, pareceu-me oportuno, reler, coligir notas e apontamentos e apresentar, como contributo aos leitores, “de fora e de dentro”, um comentário que ajude a conhecer, a compreender e a viver melhor a nossa fé. O resultado é o texto que agora se apresenta, que esperamos venha a suscitar interesse e proveito e promova o aprofundamento, sempre possível, desta grande síntese da nossa fé, ajudando assim a vivê-la mais conscientemente, mais intensamente e com mais ânimo e alegria.»
P. António Vaz Pinto, SI