Três provas do sentido da vida

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Cada homem é parte importante da Verdade. Mas, a cada um de nós é dado escolher-se dentro dela.

A única Verdade que existe é aquela da qual cada homem faz parte. Muitos são os que defendem a ideia de que a Verdade absoluta não existe, alegando que existem sim muitas verdades e até que cada um tem a sua, e mais do que possuí-la, pode-se até, segundo eles, modificá-la a gosto! Cada um de nós vê a Verdade a partir de uma posição diferente, mas não existem verdades. Só há uma, a autêntica… o resto são preguiças, enganos ou tolices.

Aquilo que cada um de nós deve buscar de forma pessoal é o sentido da vida. Da sua. Aqui sim, é pertinente distinguirmo-nos uns dos outros. Afinal, a existência humana é profundamente individual e subjectiva. A minha vida é completamente pessoal e incomunicável, também o rumo que segue resulta de decisões minhas, mais ou menos conscientes, até mesmo quando decido não decidir… sou eu, e eu só, quem decide.

A história resulta do encontro da liberdade individual com a realidade. O sentido da vida não surge do exterior. Cada homem é parte importante da Verdade. Mas, a cada um de nós é dado escolher-se dentro dela.

A essência da existência humana é a profunda abertura do ser em relação ao que há de ser. Ao futuro. A cada homem é dado decidir o que será a sua vida, aquilo em que se tornará no momento seguinte. Um instante basta para que se mude uma vida inteira.

Alguns passam os dias a acumular e a carregar cobranças e reclamações a respeito do mesmo mundo em que, outros, conseguem sempre encontrar bondades para agradecer e, voluntária e generosamente, multiplicar…

Ninguém pode encontrar um sentido para a sua vida que não passe pelas três provas essenciais à sua autenticidade: a culpa, o sofrimento e a morte.

A culpa é a prova da liberdade. Resulta de um reconhecimento responsável pela autoria do mal. Mas, se fomos livres para ter errado, hoje continuamos livres para agora fazer diferente. Se a ninguém é dado viver o mesmo momento duas vezes, a vida é uma cadeia quase infinita de instantes… Para o melhor e para o pior, há sempre mais tempo. Assim, apesar da culpa, temos sempre o futuro para nos escolhermos melhor.

O sofrimento é prova da coragem. Quem sente a dor profunda, sabe que ela é uma vontade de não-ser, como que uma investida de um inimigo que é estranho à justiça e que visa apenas a destruição. Mas sofrer faz parte da vida, não se trata de uma eventualidade a que alguém se possa furtar, não. O sofrimento é parte essencial de cada vida humana. Viver é também atravessar a dor e ser por ela atravessado… Assim, talvez os nossos piores dias sejam, na Verdade, os melhores. Vale a pena – qualquer pena – sermos capazes de recordar os momentos em que o sofrimento nos engrandeceu.

A morte é a prova do Amor. Esta vida tem fim. Todos morremos. Alguns lamentando não terem sido capazes de viver, de se entregar pelo Amor. Mas os que amam, ao dar-se, passam a viver no coração daqueles a quem amaram, sobrevivendo assim à própria morte. A morte vence tudo menos o Amor. O Amor não acaba. Nunca. Mas assim como nos leva a Deus também nos faz passar pelo inferno… engrandece mas também crucifica…

Os caminhos da vida são duros e penosos.

A alegria é só parte da história e metade da Verdade.

Ninguém busca a felicidade, o que todos procuramos é uma razão para sermos felizes… por entre todas as que nos fazem sofrer.

José Luís Nunes Martins|JornalI|9/Mar/2013

Um sorriso que há no fundo de mim

Será o peixe menos livre que o pássaro? Será o mar mais difícil do que ar?

©Carlos Ribeiro

Cada homem vive inserido numa determinada circunstância, um contexto que o condiciona mas que não lhe anula a liberdade. Esta não pode ser entendida como a capacidade de todas as possibilidades, mas antes a possibilidade de alguém se fazer a si mesmo. De se dar a si mesmo, e ao mundo, uma vida carregada de sentido.

Claro que sempre haverá quem prefira a segurança tranquila de uma qualquer gaiola ou aquário à vertigem da liberdade autêntica. Ao ver em cada dificuldade um limite e não um degrau diminui-se aparentemente a responsabilidade individual, mas apenas e só na aparência, porque ainda que no pior dos cenários é sempre dado ao homem escolher, e escolhendo, escolher-se.

Uma vida humana implica uma administração, mais ou menos corajosa, dos encontros e desencontros com os outros. Do meu mundo fazem parte os outros homens. Vivo um pouco as suas vidas assim como também eles vivem a minha. Tende-se a julgar que são as semelhanças que nos aproximam do outro, mas talvez sejam, admiravelmente, as diferenças que o fazem de forma ainda mais profunda. Afinal, todos somos únicos e essa é a maior das semelhanças que há entre todos. A autenticidade da minha existência revela-se no encontro com o outro, onde as diferenças são mais evidentes. Não numa lógica de complementaridade, mas antes numa linha de originalidade. Eu sou quem sou, porque não sou como tu.

Partilhamos os mundos e as vidas uns dos outros. Esta partilha ativa que supõe um gesto generoso que expressa o meu interior, permite-me ser mais. Porque sou mais de cada vez que o centro da minha vida não sou eu, alargo-me e torno-me maior, vivo mais vida, porque sou e estou em mais coisas… Partilhar é a essência da vida. Romper a solidão e criar o encontro. Libertar-se de si mesmo para ser… mais.

A vida humana constrói-se no difícil equilíbrio entre a esperança e a realidade… há momentos em que devemos largar tudo e rumar ao melhor de nós mesmos, abdicando da segurança da solidão para arriscar tudo no abraço ao desconhecido.

Ao ver-me no espelho, vejo o melhor de mim? Não. A minha face ao espelho revela-me um eu já feito, só o rosto do outro me apresenta um eu a fazer…

Tal como a semente que brota da terra em busca da luz, também os homens devem ser capazes de deixar para trás o que são para se transformarem na realização do que lhes é possível.

Um sorriso pode ser um capricho divino. Um brilho da alma. O gesto mais difícil… mas será sempre uma prova da nossa capacidade de compreender que a vida que nos anima não é nossa…

Nesta existência nada se repete, tudo é sempre novo, absolutamente original. Devemos pois ser capazes de não perder a pureza de admirar a beleza de cada pedaço de tudo.

… e sorrir, principalmente quando nem o mundo nem os outros nos sorrirem… pois que o grande combate a travar é contra o desespero e a angústia com que tantas vezes nos anulamos…

Ninguém está verdadeiramente sozinho. Mesmo quando o mundo parece impossível e os outros teimam em ser desencontros. Afinal, no fundo de nós há um sorriso que, depois de descoberto, ilumina um mundo inteiro… o corpo do homem é sempre muito pequeno comparado com a alma que nele habita.

A fé da paciência garante bons frutos.

JornalI|José Luís Nunes Martins|o2/mar/2013

Saudade e arrependimento

©Carlos Ribeiro

Somos aquilo que escolhemos. A nossa identidade constrói-se no tempo com o que é mais relevante nos dias. Tristezas e alegrias sucedem-se. Os dias passam por nós, um a um, ordenadamente, e nós, passamos por eles… Sucedemo-nos a nós mesmos numa construção contínua que retém a luz e a escuridão de cada hoje.

Cada vida humana é tão singular e original como dinâmica e contínua, integrando sempre várias ideias, sentimentos, espaços e tempos… perante o que fica do que passámos podemos entristecermo-nos ou alegrarmo-nos, umas coisas pesam-nos outras fazem-nos voar.

Vivemos num pedaço de tempo a que chamamos presente, numa dinâmica entre o passado e o futuro. Estes, quase nunca se tocam. Mas no arrependimento e na saudade… sim. O arrependimento é um compromisso que assumimos connosco mesmos em que apresentamos o nosso futuro como redentor da culpa passada. Funciona de forma eficaz, se formos sérios. A saudade constitui-se como a presença de algo ausente, que se perdeu no tempo mas permanece no sentimento. O saudoso vive um estado de contraste entre o que lhe é dado no presente, o que tem diante de si, e o passado, representado dentro de si… a carência que sente é acompanhada pelo desejo de recuperar o que já foi e pela consciência de que tal anseio é impossível… mas, também aqui, se pode dar um salto logicamente absurdo pelo qual o futuro dá sentido ao passado, através da livre decisão de lhe alterar o rumo.

Há quem não se arrependa, talvez na convicção de que não foi livre de escolher, donde lhe resta apenas assumir aquilo que o destino lhe reservou; outros, não se arrependem porque acreditam que é possível e desejável passar por cima de si mesmos sem deixar marca do que foram… o arrependimento surge-lhes como uma mancha que lhes estraga o projeto de serem felizes, como se a culpa não fizesse parte da vida de qualquer ser humano comum. É necessário assumir os erros passados, tê-los presentes, para que os futuros sejam diferentes. Melhores.

A vida é curta, mas suficientemente extensa para que nela caiba a verdade toda.

A multidão é composta por muitos eus que não são diferentes de mim, não há bons nem maus, há pessoas de carne e osso, cada uma com a sua vida, construindo histórias sempre simples e complicadas. São raras as que se dão conta da urgência de sermos felizes e da tamanha responsabilidade própria em relação a isso. Não, não devemos acreditar que a felicidade nos virá abraçar enquanto deitados e tristes esperamos por ela. A alegria autêntica depende de mim, depende do que eu decidir hoje. A felicidade não é um destino paradisíaco a que se chega, mas uma forma de caminhar na vida, neste vale onde se misturam as solidões e o amor, neste imenso mar de saudades e arrependimentos.

As pessoas mudam, evoluem e revelam-se…

Da solidão que me rodeia devo concluir a certeza de que dependo inteiramente de mim. No fundo do que sou posso encontrar algo mais do que sonhos e memórias, algo divino que me ultrapassa mas que me pede que seja eu a decidir, que confia no que sou para criar uma vida que seja ela própria parte da alma do mundo, que o anime e faça avançar, enfim, que a minha existência funcione como um sustentáculo à vida plena dos que estão ao alcance do meu braço e do meu abraço.

Se compreendermos a essência irreversível do tempo e assumirmos corajosamente as saudades e os arrependimentos do ontem e do anteontem, então, estaremos no caminho certo. Aquele em que se é feliz a cada passo.

José Luís Nunes Martins|JornalI|23 Fev 2013

O amor é o contra-egoísmo

©Carlos Ribeiro

Cada vez mais pessoas estão preocupadas consigo mesmas. Cuidam de si de uma forma tão dedicada que se poderia supor que estão a construir algo de verdadeiramente belo e forte; mas não… os resultados são normalmente fracos e frágeis. Gente manipulável que se deixa abater por uma simples brisa… cultivam o eu como a um deus, mas são facilmente derrubados pela mínima contrariedade.

Tendo a originalidade por moda não será paradoxal que a sociedade esteja a tornar-se cada vez mais uniforme? Como a multidão tende sempre a nivelar-se por baixo, estamos a tornar-nos cada vez piores.

Hoje parece não haver tempo nem espaço para um cuidado mais fundo com a nossa essência – são poucos os que hoje têm amigos verdadeiros com quem aprendem, a quem se dão e de quem recebem valores essenciais.

Por medo da solidão quer-se conhecer gente, cada vez mais gente. Talvez o facto de se buscar uma quantidade de amizades mais do que a qualidade das mesmas explique por que, afinal, há cada vez mais solidão… sempre que prefiro partir em busca do novo, escolho abandonar aquele(s) com quem estava.

O sucesso das redes virtuais é hoje um sintoma, um resultado, do mal estar fundo de quem se sente só, de quem busca o encontro com o outro, mas não quer ir até à sua presença; de quem busca palavras de apoio, mas não está disposto a abrir-lhes o seu coração e a escutá-las intimamente… perdem-se horas, dias e anos assim. Parece um exército de eremitas narcisos. Se precisam tanto do outro, porque se deixam ficar atrás do teclado? Longe do braço e do abraço do amor do outro?

A vaidade não eleva o sujeito, afoga-o. Sucumbe porque lhe falta a ligação vital ao outro, essa humildade que engrandece, essa pobreza que nos faz ricos através do sorriso do outro.
O amor é uma espécie de compromisso com a felicidade do outro. A vontade e o empenho real pelo bem do próximo. Um contra-egoísmo. Esqueça-se a auto-estima, o amor próprio ou a auto-ajuda… amar é esquecer-se de si. Deixar-se para trás. Mais adiante, virá a lúcida consciência de que é só quando me dou genuína e gratuitamente que me encontro. Que preciso de sair de mim para, através do outro, ver como sou. Ali, paradoxalmente, longe do espelho. Onde as palavras importantes se escutam com os ouvidos e os sorrisos verdadeiros são dados olhos nos olhos.
A sociedade está progressivamente mais pobre, com gente que, ao invés de ter uma interioridade autónoma capaz de sonhar e de lutar por um caminho seu, tem por alma uma mera caixa de reação aos contextos, previsível, estável… triste. Muito.

Só uma revolução das vontades fundas, uma tomada do poder individual das dimensões mais livres e criativas do homem, poderá inverter esta tendência de degradação essencial da alma humana.
Ninguém se encontra na solidão. Ninguém pode sequer sonhar de forma verdadeira se não tem com quem partilhar os seus desejos íntimos. Ninguém chegará sequer perto da felicidade se não viver abraçado a alguém. Ninguém se completa a si mesmo. Ninguém se basta.

O egoísta e o vaidoso não percebem que a nossa felicidade não passa por cuidarmos de nós mesmos, mas dos outros. Que só esquecendo-nos de nós e entregando o melhor de nós mesmos conseguiremos permanecer para sempre naqueles a quem assim amámos.
Ser é amar, e amar é dar-se.

É urgente cuidar da dimensão mais funda da nossa existência, fazendo prevalecer o amor sobre todas as vaidades, com a felicidade por fim e a verdade por regra… depois, no mundo, entregarmo-nos bondosamente ao outro, iluminando as trevas, pois que o Amor é a luz do mundo.

José Luís Nunes Martins

JornalI|9 Fev 2013

Religião&sociedade

©DN

Este fim de semana foi riquíssimo em notícias, artigos e crónicas em que o tema religião esteve em destaque.

Comecei o SÁBADO por  aprender a ceder [José Luís Nunes Martins – Viver é aprender a ceder. A libertarmo-nos de nós mesmos. Só o nosso espírito nos pode soltar porque só ele nos aprisiona]. De seguida Querido “Diário de Notícias [Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada – Obrigado por me fazeres sentir a alegria de ser discípulo de Cristo, na sua Igreja e nesta obra de Deus, que tem a glória humana de não ter, nem querer ter, como Jesus, nenhuma glória humana]. Terminei, já noite dentro, com o preço de um poema [Pe. José Tolentino Mendonça – se aceitássemos sem mais que o valor intrínseco de um bem é aquele determinado pelo seu potencial económico, a poesia já há muito teria desaparecido].

DOMINGO, depois da eucaristia dominical dou comigo a ler quando a religião colide com o trabalho [Joana Gorjão Henriques. P2 – 3|fev|13O caso de uma procuradora adventista que pediu para não trabalhar ao sábado por motivos religiosos foi parar aos tribunais. Quando a religião colide com o emprego, como é que se decide? Fomos à procura de respostas em três comunidades religiosas onde a questão se coloca em Portugal: a Igreja Adventista do Sétimo Dia, o judaísmo e o islamismo. Falámos com especialistas sobre como o problema é tratado no mundo e na União Europeia. Um relatório do americano Pew mostra que em Portugal o Governo impõe poucas restrições e há pouca hostilidade social em relação às práticas e crenças religiosas.

HOJE, através da página do Facebook do próprio Tiago De Oliveira CavacoFamília, Deus e Rock&Roll [na Notícias Magazine, Tiago de Oliveira Cavaco, pastor da Igreja Batista e pai de 4 filhos, é roqueiro nas horas vagas e blogueiro todos os dias aqui http://vozdodeserto.blogspot.pt/].

Deus seja louvado.

TERÇA-FEIRA – NATAL DO SENHOR

Deus escolheu ser pobre

Muitos são os que acreditam que Deus é infinitamente bom e misericordioso, mas é um completo absurdo que tenha descido à Terra para viver como nós e, pior ainda, que tenha terminado a sua vida numa cruz.

Este homem, que era Deus, quis experimentar viver a nossa vida e morrer a nossa morte. Não chegou envolto em honras e nunca as quis. Preferiu sempre ser simples, tendo apenas o essencial, nada mais. Veio até nós amar-nos e viver connosco. Pediu-nos que fôssemos ao encontro dos nossos semelhantes mais pobres, tal como Ele veio ter connosco.

Felizes de nós se, pelo menos no dia de Natal, nos sentirmos da mesma família dos pobres, dos doentes, dos que choram e de todos os que sofrem; somos tão carenciados como eles noutros aspectos da nossa vida, e mais felizes seremos se dermos um passo na sua direção. Amar alguém é ir ao seu encontro.

Um dos mais admiráveis poderes deste Deus que se fez homem não consiste em responder às nossas dificuldades com milagres, mas em dar a todos nós a possibilidade de nos transformarmos, de transformarmos as nossas vidas e, através disso, o mundo em que vivemos. Deu-nos ombros fortes, a fim de sermos capazes de carregar a nossa própria cruz e deste modo ajudar os outros a carregar também as suas.

Talvez o sentido da vida seja fazer vencer o Amor sobre o egoísmo.

Tempo de profetas

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O advento é o tempo em que se prepara a chegada de Cristo a este nosso mundo. Somos chamados a ser profetas de uma esperança forte e verdadeira: que se o Amor nascer nos nossos corações, teremos força e lucidez para escolher e seguir o caminho que leva à verdadeira paz; à verdadeira felicidade.

Quando preparamos um encontro sentimos necessidade de pensar, não só em como vai ser o momento da chegada, mas também o que podemos e devemos fazer depois. Assim mesmo, também a Igreja nos convida a pensar neste tempo até ao Natal, não apenas na forma de receber Deus em nós, mas também de nos irmos preparando, a fim de que tenhamos condições para que Ele fique a viver connosco, entre nós, dentro do coração cada um.

Vivemos tempos difíceis, parecem até perfilar-se problemas maiores. Há uma crise de esperança, uma falta de fé no mundo. Os homens de hoje parecem estar preocupados com muitas coisas a respeito de si mesmos, pouco com o seu próximo, esquecendo-se de pensar uns nos outros no sentido de se ajudarem mutuamente. Perde-se a maior parte do seu tempo com egoísmos, sobra pouco para o Amor. O convite do advento é para que nos preparemos para abrir as portas e aceitar na nossa casa a Deus, Àquele que veio ensinar-nos a ser felizes, amando. Que tomando-O como exemplo sejamos bons para com todos os que se cruzam na nossa vida, principalmente com os que disso mais precisam.

Aproveitemos estes dias para meditar um pouco nas escolhas que temos feito. Aceitemos o desafio de experimentar amar os nossos irmãos. Partilhemos, não cedamos à paixão pelo ter, que sejamos capazes de nos darmos ao outro, a fim de que consigamos assim alcançar o dom da felicidade.

Deus chegará de novo, para nos chamar, um a um, a nascermos no Seu mundo, onde nos receberá com o profundo Amor de um pai que vê o seu filho muito amado regressar depois de uma longa e atribulada viagem.

Bom advento para todos.

José Luís Nunes Martins

41 anos. gosta de Filosofia. estuda. escreve. prefere o existencialismo.

trabalha nas áreas da comunicação e da gestão de crises/emergências.

gosta muito de mar, montanhas e tempestades.

O esplendor do silêncio

©Carlos Ribeiro

Uma palavra calada pode sempre ser dita. Mas o que foi já dito, não poderá jamais ser calado. Aprender o silêncio é um dos segredos da sabedoria.

Não será difícil compreender que não há verdade sem silêncio; que é na paz de quem aprendeu a calar-se que residem as forças que dão vida à vida; que os egoísmos falam muito, nunca se calam, precisam de atenção e julgam-se capazes de ensinar tudo a todos… não se dão conta que o seu discurso é tremendamente vazio e barulhento. Sujo.
As palavras são importantes instrumentos de comunicação, mas são, na esmagadora maioria dos casos, meios pelos quais nos desviamos do essencial, nos distraímos do que vale mesmo a pena, nos entretemos na preguiça de não lutar pelo que devemos ser. Hoje fala-se demais. Bastam poucas palavras para dizer tudo o que há a dizer. O que é realmente importante dá-se no silêncio.
Há um enorme e constante barulho no mundo. Ruídos que corroem a paz que se deseja. Torrentes de palavras que prometem sempre tudo. Cumprem pouco, muito pouco. Será pois muito importante voltar ao simples, dar tempo e espaço ao que de valioso há no mundo para que ele se revele… Para que estejamos atentos quando, no gritante desassossego dos dias, a descoberta do sentido silencioso de tudo nos ilumine a construção do nosso caminho.
Toda a palavra é um nada. Algumas merecem o respeito de serem destacadas das demais, de não as contarmos como apenas mais umas, resgatando-as da lixeira onde se encontram as demais. Por isso quem fala com propriedade tem de se empenhar no silêncio que deve envolver abundantemente o que há a dizer. Continuar a ler

Para além da fé e da esperança

©Carlos Ribeiro

Ninguém acredita no que não espera, nem espera por aquilo em que não acredita. Cremos porque queremos e queremos porque cremos.

A fé é mais do que acreditar em Deus e a esperança muito mais do que esperar sentado que os sonhos se concretizem. Fé e esperança implicam mudanças na vida, exigem que nos levantemos do conforto e corramos rumo a algo maior do que aquilo que conseguimos compreender.

Acreditar não é uma atitude passiva de esperar que o mundo se alinhe para nos satisfazer, mas sim uma vontade ativa de criar o que se espera. De erguer com as próprias mãos aquilo em que se tem fé.

O Homem tende naturalmente para os bens futuros, incertos, mas cuja ocorrência depende, na maior parte dos casos de uma disposição determinada e de uma série de ações concretas. A expectativa é a base do esforço que luta pelo bem.

Esperamos porque acreditamos ou acreditamos porque esperamos? Não tem sentido. Esperança e fé são indissociáveis. Não existem como realidades distintas. Contêm elementos irracionais, mas ninguém acredita no que não espera, nem espera por aquilo em que não acredita. Cremos porque queremos e queremos porque cremos.

O Amor promete e garante uma vida que há de ser vivida, mas também que, ao longo do percurso até lá, cada passo seja apreciado mas sofrido… o sofrimento faz parte da prova do Amor. Até que ponto se acredita? Se espera? Se segue adiante sem chão por debaixo dos pés? Dói. Muito. Mas valerá mais que todas e cada uma das penas.

Eis a essência da eternidade: a inesgotabilidade do Amor. Há sempre (mais) Amor, ao ponto do tempo ser vencido e ultrapassado. Continuar a ler