Tolentino de Mendonça: “A Igreja não precisa só de correcção, precisa de inspiração”

Para o poeta e teólogo, o novo Papa inspirou-se em Francisco de Assis para mudar através do carisma e da inspiração uma Igreja que está preparada para a mudança.

©RUI GAUDÊNCIO

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Poeta, professor de Teologia. vice-reitor da Universidade Católica, responsável pela Capela do Rato e da Pastoral da Cultural, José Tolentino de Mendonça diz que a Igreja Católica está preparada para a mudança e que o Papa Francisco está pronto a transformá-la através do carisma. Nesta entrevista, identifica as cinco mudanças que considera prioritárias para a Igreja, revisita as polémicas em torno do passado do cardeal Bergoglio, a relevância de um Papa latino-americano e a relação entre a Igreja e a crise da Europa. O escritor que escreveu um poema para Bento XVI diz que já está a ouvir o poema que o Papa Francisco começou a escrever.
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O computador tem saudades de Deus?

Foi um caso que colocou a linguagem teológica no arquipélago da técnica da informática? A revolução digital desafia também a teologia. Salvar equivale a guardar um documento word; converter é adotar um formato eletrónico; justificar corresponde a ajustar a página.

©Expresso|Revista|16/fev/13

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Religião&sociedade

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Este fim de semana foi riquíssimo em notícias, artigos e crónicas em que o tema religião esteve em destaque.

Comecei o SÁBADO por  aprender a ceder [José Luís Nunes Martins – Viver é aprender a ceder. A libertarmo-nos de nós mesmos. Só o nosso espírito nos pode soltar porque só ele nos aprisiona]. De seguida Querido “Diário de Notícias [Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada – Obrigado por me fazeres sentir a alegria de ser discípulo de Cristo, na sua Igreja e nesta obra de Deus, que tem a glória humana de não ter, nem querer ter, como Jesus, nenhuma glória humana]. Terminei, já noite dentro, com o preço de um poema [Pe. José Tolentino Mendonça – se aceitássemos sem mais que o valor intrínseco de um bem é aquele determinado pelo seu potencial económico, a poesia já há muito teria desaparecido].

DOMINGO, depois da eucaristia dominical dou comigo a ler quando a religião colide com o trabalho [Joana Gorjão Henriques. P2 – 3|fev|13O caso de uma procuradora adventista que pediu para não trabalhar ao sábado por motivos religiosos foi parar aos tribunais. Quando a religião colide com o emprego, como é que se decide? Fomos à procura de respostas em três comunidades religiosas onde a questão se coloca em Portugal: a Igreja Adventista do Sétimo Dia, o judaísmo e o islamismo. Falámos com especialistas sobre como o problema é tratado no mundo e na União Europeia. Um relatório do americano Pew mostra que em Portugal o Governo impõe poucas restrições e há pouca hostilidade social em relação às práticas e crenças religiosas.

HOJE, através da página do Facebook do próprio Tiago De Oliveira CavacoFamília, Deus e Rock&Roll [na Notícias Magazine, Tiago de Oliveira Cavaco, pastor da Igreja Batista e pai de 4 filhos, é roqueiro nas horas vagas e blogueiro todos os dias aqui http://vozdodeserto.blogspot.pt/].

Deus seja louvado.

A esperança ativa

© deltafrut

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É verdade que todos os paraísos são paraísos perdidos? A julgar pela aparência todas as histórias, até a história bíblica, nos garante que sim. De facto, no livro do Génesis, o primeiro casal humano acaba lançado para fora do paraíso, depois de uma breve e atrapalhada permanência. E as portas do paraíso ficam interditas aos humanos. Contudo, a linguagem simbólica e a natureza teológica daquele relato exigem uma atenção a investimentos de sentido que se podem sintetizar assim: o tempo da salvação não é narrado como nostalgia de uma época de ouro passada, mas, o que se procura afirmar é que, através de vicissitudes e contradições, o tempo não deixa de avançar para uma plenitude. De certa forma, o homem descobre que está fora do paraíso para que possa encaminhar-se para ele. A expulsão bíblica não é, portanto, uma perda, mas o primeiro, e misterioso, passo para o caminho da promessa.  O que não se escamoteiam são as tensões e desvios que o homem vai introduzindo. Reconhecer, porém, que mundo e a história não são propriamente lugares paradisíacos não nos deve fazer cair os braços, nem desesperar.

No território ambíguo que se abre, na irresolução que nos caracteriza a nós próprios, os crentes são chamados a identificar (e a imaginar) novas possibilidades.

Que ensina a sabedoria bíblica aos nossos tempos conturbados? Ensina, sem dúvida, que a esperança é mais importante de que a saudade; e que a promessa humilde que, quotidianamente, nos coloca a caminho é bem mais preciosa que os paraísos que nos deixam parados a olhar para trás.

Na magnífica encíclica sobre a Esperança, e que podia bem servir-nos de mapa nas horas de sofrimento e de incerteza, escreve o Papa Bento XVI: “A esperança em sentido cristão é sempre esperança também para os outros. E é esperança ativa, que nos faz lutar para que as coisas não caminhem para o «fim perverso». É esperança ativa precisamente também no sentido de mantermos o mundo aberto a Deus. Somente assim, ela permanece também uma esperança verdadeiramente humana”.

José Tolentino Mendonça
Diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura

Citação

Segredos de uma espécie tão rara

na altura das grandes migrações

a vida pobre os bosques

o vento arrasta nuvens pelo céu

sem outro saber

 

o tempo era maior

do que se dizia

e ela dispunha-se a contar tudo.