Não somos nós a possuir a verdade. É Cristo, a Verdade, a possuir-nos

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2013-02-20 Rádio Vaticana. “A Igreja do amor é também a Igreja da verdade”: desde o início do seu pontificado, Bento XVI pôs em relevo a centralidade do testemunho da verdade evangélica. Um desafio que, na verdade, poderíamos dizer que está no “DNA” do cristão Joseph Ratzinger que, em 1977, para o seu lema episcopal, escolheu a fórmula “Cooperatores Veritatis”, (“Colaboradores da Verdade”), extraída de uma passagem da terceira Carta de São João.
“Quantos ventos de doutrina conhecemos nestas últimas décadas, quantas correntes ideológicas, quantas modas de pensamento!” Nós, contudo, “temos uma outra medida: o Filho de Deus”, que “nos dá o critério para discernir entre o verdadeiro e o falso, entre engano e verdade”. Quando Joseph Ratzinger pronuncia estas palavras a 18 de Abril de 2005, ainda é “apenas” o decano do Colégio Cardinalício. Mas, neste momento, é fácil ver que naquela homilia sobre a “ditadura do relativismo” o futuro Pontífice indicava já à Igreja um dos desafios mais urgentes dos nossos tempos. No fundo e sempre: testemunhar a verdade. Mas o que é a verdade, ou melhor, quem é a verdade para Bento XVI, e – podemos possuí-la?
“É claro que não somos nós que possuímos a verdade, mas é ela a possuir-nos: Cristo que é a verdade, pegou-nos pela mão, e no caminho da nossa busca apaixonada de conhecimento sabemos que a sua mão nos segura firmemente. Ser sustentados pela mão de Cristo torna-nos livres e seguros ao mesmo tempo”. (Discurso à Cúria Romana, 21 de Dezembro de 2012)Portanto, a verdade é uma Pessoa, Jesus Cristo. Por outro lado, observa Bento XVI na sua primeira Encíclica “Deus caritas est”, no início do Cristianismo “não está uma decisão ética ou uma grande ideia”, mas sim, precisamente “o encontro” com esta Pessoa. Quanto mais autêntico for este encontro, adverte o Papa, tanto mais somos chamados a aceitar sacrifícios e perseguições: “Quem participa na missão de Cristo deve inevitavelmente enfrentar tribulações, contrastes e sofrimentos, porque entra em conflito com as resistências e os poderes deste mundo”. (Audiência para as Pontifícias Obras Missionárias, 21 de Maio de 2010)
Mas a verdade, não se cansa de afirmar Bento XVI, não está separada da caridade. Ao mesmo tempo, explica na Caritas in veritate, “sem verdade, a caridade degenera no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, a preencher arbitrariamente”. E’, adverte, “o risco fatal do amor numa cultura sem verdade”. Eis, então, que a fé, bem longe de ser um obstáculo, se torna a luz que ilumina o caminho para a verdade:
“Diante de tal atitude que tende a substituir a verdade com o consenso, frágil e facilmente manipulável, a fé cristã oferece, pelo contrário, uma contribuição real também no âmbito ético-filosófico, não fornecendo soluções pré-constituídas para problemas concretos, como a investigação e experimentação biomédica, mas propondo perspectivas morais fiáveis dentro das quais a razão humana pode investigar e encontrar soluções válidas.” (Audiência à Congregação para a Doutrina da Fé, 15 de Janeiro de 2010).

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Proposta de leitura_#2

A revista italiana MicroMega lançava um volume sobre o confronto entre Fé e Razão, com textos, entre outros, do seu Director, Paolo Flores d’Arcais, e do então Prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger. Para o efeito, organizou um debate com ambos os autores, num lugar público de Roma, e sob moderação do jornalista Gad Lerner. O histórico diálogo foi seguido por mais de duas mil pessoas, dentro e fora do Teatro Quirino (muitas em plena rua, recorrendo-se a um amplificador improvisado).

“Existe Deus? — Um confronto sobre verdade, fé e ateísmo” apresenta a transcrição desse debate, bem como dos textos de Ratzinger e Flores d’Arcais que estavam, nesse dia, a ser lançados.

Nova encíclica de Bento XVI sai na Quaresma e vai centrar-se na morte e ressurreição de Jesus

Bento XVI
Vaticano, 11.11.2012
EFE/EPA

A quarta encíclica de Bento XVI vai centrar-se na morte e ressurreição de Jesus (Páscoa) como a razão principal da fé cristã, avança este domingo o site “Vatican Insider”, ligado ao jornal italiano “La Stampa”.

A obra, que terá sido praticamente concluída este verão em Castel Gandolfo, residência estival dos papas próxima do Vaticano, está agora na fase dos retoques finais, prevendo-se que a sua publicação ocorra entre fevereiro e março, constituindo um dos momentos mais importantes da Quaresma de 2013.

No Ano da Fé, que começou a 11 de outubro e termina a 24 de novembro de 2013, o papa quer oferecer à Igreja a sua reflexão sobre o que significa ser cristão hoje, sobre o papel da fé na vida da pessoa e da sociedade e sobre o valor da verdade cristã, ligando estes elementos à Páscoa.

«O texto do papa é belíssimo», afirmou um prelado da cúria do Vaticano, acrescentando que Bento XVI recorreu a uma «linguagem simples» para exprimir «verdades complexas e muito profundas».

Esta carta sobre a fé completa o tríptico das virtudes teologais, fundamentos do cristianismo, já abordadas por Bento XVI nas encíclicas sobre a caridade (“Deus caritas est”, de 2006) e a esperança (“Spe salvi”, de 2007), a que se juntou em 2009 a “Caritas in veritate”, sobre questões de ordem social.

No próximo dia 21 de novembro vai estar disponível nas livrarias portuguesas, bem como nos principais mercados mundiais, o livro “Jesus de Nazaré – A infância de Jesus”, assinado por Joseph Ratzinger – Bento XVI.

Rui Jorge Martins
© SNPC | 11.11.12