Páscoa é Páscoa

«Páscoa é Páscoa. Simplesmente.
Sem IVA nem adjectivo pascal.

Páscoa é lua cheia, inconsútil, inteira,
sementeira de luz na nossa eira.

Deixa-a viver, crescer, iluminar.

Afaga-lhe a voz e o olhar.

Não lhe metas pás, não lhe deites cal.

Não lhe faças mal.

Não são notas enlatadas, brasas apagadas.

É música nova, lume vivo e integral.

Não é paragem, mas passagem,
aragem a ferver e a gravar em ponto cruz

a mensagem que arde no coração dos dois de Emaús.
A Páscoa é Jesus.»

António Couto, «A Nossa Páscoa», Lisboa 2013.

A todos os amigos e leitores do iMissio, os desejos de uma Bela Páscoa!
Rui Vasconcelos, Livraria Fundamentos
Anúncios

Livro da semana: A Páscoa de Jesus

Porque um livro não tem de ser uma novidade para ser de qualidade! O padre François Varillon, jesuíta francês (1905-1978), ficou conhecido sobretudo entre os leitores de obras de espiritualidade (sobretudo em comunidades de vida religiosa) pelos exercícios espirituais por si orientados, segundo a tradição de Inácio de Loyola (publicado em Portugal na AO). A originalidade do pensamento de François Varillon está no modo como consegue ajudar-nos a, através da nossa leitura pessoal e espiritual do Evangelho, aprofundar o Projecto de Deus, revendo – e criticando – algumas imagens tradicionais que temos de Deus. F. Varillon vem de um contexto muito particular, o contexto francês do período pós Concílio Vaticano II em que, numa sociedade já tradicionalmente e maioritariamente não-cristã, os cristãos são chamados – por necessidade! – a aprofundar a sua fé, a dar “as razões da sua esperança” não apenas de um modo teórico ou através de fórmulas, mas num encontro pessoal, adulto e consciente, com o Evangelho de Jesus. Continuar a ler

Livro da semana: Só o Pobre se faz Pão

Só o Pobre se faz PãoApesar de ser uma prática usual e muito comentada no tempo da Quaresma, não é muito frequente encontrarmos um aprofundamento sobre o sentido do Jejum para os cristãos. É o que nos oferece, agora, o monge português Carlos Maria Antunes, no seu livro «Só o Pobre se faz Pão». Carlos M. Antunes foi pároco, na diocese de Santarém, durante década e meia, até ter sido admitido, como monge de votos temporários, no Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Sobrado, na Galiza. Tornou-se conhecido entre nós, a nível literário, através do livro «Atravessar a própria solidão» (ed. Paulinas, 2011).

Em «Só o Pobre se faz Pão», somos convidados a viver o a prática do jejum como abertura para quatro dimensões, ou experiências, profundamente humanas e cristãs (e que constituem os passos desta obra): o desejo, a procura, o dom, e a partilha. Sem procurar “justificar” uma prática («temos de fazer jejum porque…»), o autor procura “preencher” aquele espaço que ficou vazio entre a prática ritual, legal ou tradicional do jejum – que já não encontra sentido em grande parte das comunidades cristãs – e a vivência entendida, compreendida do jejum não como fim em si mesmo, mas como lugar de encontro com a verdade do Evangelho – «o jejum aponta para», constitui uma pista (mais uma) para a descoberta de um sentido cristão da vida humana, a partir do contexto de uma sociedade fortemente desenvolvida a nível económico mas, apesar disso, situada numa profunda crise geradora de injustiças – algo que o autor não cessa de abordar. Um excerto de uma obra que pode constituir uma boa proposta de reflexão, humana e cristã, para a Quaresma, vivida como um Caminho Pascal, de transformação pessoal, familiar e social.

 «O jejum, no seu sentido mais amplo, mais do que uma prática pontual confinada a determinados dias – ainda que esta seja importante como marca que assinala um caminho -, constitui-se num convite a cultivar um estilo de vida sóbrio. Precisamos de integrar o gesto, que nalguns momentos é mais visível, numa prática que configure a vida. O jejum pode estar presente nas opções de fundo que orientam o nosso viver. Reconhecemos, com frequência, que nos deixamos seduzir por essa espiral da acumulação, que é tão característica dos nossos dias. O consumo sem critério exige de nós uma prática de resistência ativa. Esta afirmação não está inspirada por nenhum moralismo em relação à posse. O que está aqui em causa é uma conceção de vida. Se se defende o fomento de uma cultura de sobriedade é porque se entende que esta expande o horizonte da realização da vida humana, quer individual quer coletivamente. Urge que cada ser humano descubra dentro de si o seu melhor tesouro. A vida em comum não é viável sem o aprofundamento da interioridade. E isto é tão verdade para a pequena comunidade, que pode ser a nossa família, como para a grande comunidade universal» (pág. 113).

Carlos M. Antunes, «Só o Pobre se faz Pão: entrecruzando Jejum, Interioridade e Compaixão». Lisboa 2013, 126 págs.
 
Rui Vasconcelos

Livro da semana: A nossa Páscoa, D. António Couto

A nossa Páscoa, D. António CoutoDesde Maio de 2008 que D. António Couto (ainda antes de ser bispo) nos habitua a, todas as semanas, partilhar connosco algumas reflexões a partir das leituras dominicais no seu blog (www.mesadepalavras.wordpress.com). Agora como bispo de Lamego, e certamente para possibilitar que essas reflexões cheguem a um publico maior e menos habituado a navegar na net, D. António Couto decidiu reunir e adaptar alguns desses textos e publicá-los em pequenos livros, económicos e de leitura acessível. Começou com «Vejo um Ramo de Amendoeira» (onde de certo modo apresenta o modo como vê a sua missão de bispo), seguiu-se «Estação de Natal», e agora «A nossa Páscoa».

Deixemos a apresentação de «A nossa Páscoa» a cargo das palavras do próprio autor: «Intitula-se este livrinho «A nossa Páscoa», no seguimento de 1 Coríntios 5,7, e compreende três partes: a primeira, intitulada «Tempo da Quaresma», oferece uma leitura do itinerário dos Domingos da Quaresma do Ano A, que pode sempre ser seguido também nos Anos B e C, e que deve mesmo ser seguido caso haja catecúmenos; a segunda, intitulada «Semana Santa, Semana Grande, Semana Autêntica», oferece o itinerário crente dos últimos dias de Jesus; a terceira, intitulada «Tempo da Páscoa», abre com dois textos de teor indicativo e exemplar, seguindo-se uma leitura do itinerário dos Domingos da Páscoa até ao Pentecostes, acrescida de alguns textos de João 20 e 21 não contemplados no percurso litúrgico. Insisto no nome Páscoa e evito o adjectivo pascal, que o texto bíblico não conhece. Portanto, Páscoa, sem «pás» e sem «cal», como digo na leitura poética da Ressurreição do Senhor.»

Um conjunto de 21 breves textos, que nos acompanham num caminho ao longo do Tempo da Páscoa. Textos nos quais se entrecruzam, como os fios de um tapete, breves explicações históricas sobre a origem das festas da Páscoa, histórias bíblicas e judaicas que a interpretam, e pistas para o Seguimento do Ressuscitado, «que Se levanta do chão raso e da folha plana de papiro ou de papel, elevando a humana vida e a inteira Escritura à sua Plenitude». Tudo numa linguagem de textura poética, que nos faz ler com calma, com muita calma, os passos bíblicos desta História de Deus com a Humanidade, a História de Deus connosco.

António Couto, «A nossa Páscoa». ed. Paulus, Lisboa 2013, 119 págs.

Logotipo Fundamentos

DE BRAGA PARA A IMISSIO, UM LIVRO SAI DA PRATELEIRA TODAS AS SEMANAS

Logotipo FundamentosA partir de 6 de março de 2013 a página da nossa comunidade IMISSIO acolhe o Rui Pedro, alguém que tal como nós “deseja trabalhar no que acredita” e mentor do projeto que está por detrás da FUNDAMENTOS, uma Livraria dedicada ao Cristianismo e religiões, através de Livros novos e usados. Rui Pedro é teólogo de formação, no Porto, descobriu a beleza do Evangelho através dos Missionários Redentoristas, fazendo parte desta família entre 2004 e 2011. Trabalha a tempo inteiro e fora dele na Fundamentos. Adora dar uns passeios em Braga com uma mulher muito bonita chamada Maria, com quem esta casado desde o ano passado.

A Fundamentos, de portas abertas na cidade de Braga, irá fazer semanalmente uma proposta de um livro. Obras que apesar de se exibirem também numa montra ao pé da Sé, nesta cidade do norte, podem chegar a casa de qualquer um de nós num instante de um dia ou dois.

Como projeto pessoal, não é de estranhar que a dinâmica da livraria vá muito além da mera venda de livros, falamos de um espaço acolhedor, que sempre que é possível marca presença em iniciativas/ projetos que se prendem com a sua área, que vai partilhando notícias e atualidade e que se dedica também à tradução e divulgação de textos e autores que dificilmente temos acesso em português, com temas variados; normalmente serão capítulos de livros, ou artigos, de algumas páginas, sob a chancela do nome “Cadernos Fundamentos”.

Fiquem atentos porque aqui na IMISSIO as distâncias são apenas teclas que rapidamente transformam gostos em partilhas, likes em conversas que se tornam mais assíduas e porque não ENCONTROS FELIZES?

Parece-nos fundamental uma visita ao n.º 3 da Rua Dom Paio Mendes, numa próxima visita a Braga.

Interior da Livraria Fundamentos

Interior da Livraria Fundamentos