Evento: Unidos em oração pelo novo Papa

alessandro bianchi-reutersbNa págiana do Facebook do imissio, lançamos hoje um novo evento: Unidos em oração pelo novo papa. Esta iniciativa teve a sua origem no site  www.imision.org, pensada no Twitter. Como em Portugal esta rede social ainda tem pouco utilizadores, criamos um evento no facebook.

O Papa emérito Bento XVI repetiu, nos últimos dias, a importância de nos unirmos todos em oração neste momento tão importante — «Peço-vos que me recordeis diante de Deus, e sobretudo que rezeis pelos cardeais chamados a uma tarefa tão relevante; e pelo novo Sucessor do Apóstolo Pedro: que o Senhor o acompanhe com a luz e a força do seu Espírito» (Última Audiência Geral).
Colocarmos a Igreja nas mãos de Deus e pedir ao Espírito Santo que sopre com força e derrame abundantemente a sua graça naqueles que terão a missão de eleger (cardeais) e naquele que, posteriormente, assumirá o «peso» de toda a Igreja.
Por isso, lançamos esta nova iniciativa pelo Twitter e Facebook sob a hashtag #iOrarPapa e #iOracionPapa: para rezar juntos, para pedir pelo novo Papa, pela sua missão, por aqueles que têm de o eleger…
A campanha começa hoje, dia um de Março, e viverá um momento de grande intensidade no dia do começa do Conclave, dia em que convidamos todos a uma participação mais intensa no Twitter para que as nossas orações se unam numa só voz pelo novo Papa.
Contamos convosco! É tempo de oração!

Partilhem com os vosso amigos o evento “Unidos em oração pelo novo Papa

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A radicalidade da oração

Última Audiência de Bento XVI ©news.va

Última Audiência de Bento XVI ©news.va

Não abandono a cruz. Permaneço apenas de um modo novo junto do senhor crucificado. “Já não sou portador do poder do Governo da Igreja, mas continuarei, no recinto de São Pedro, ao serviço da oração”. Se dúvidas houvesse ficaram na sua última audiência, esclarecidas. O Papa não foge, não abdica, não vai gozar de uns anos sabáticos dedicados à reflexão e à música. Não voltará à sua condição de brilhante teólogo não irá viajar pelo mundo ou a fazer conferências. Não. Vai continuar, a sua mesma missão, dedicando-se a uma tarefa fulcral para o governo da Igreja. Não parte, fica. Tal como João Paulo II, também ele permanecerá junto à cruz até ao fim.

E se o Papa polaco fez do seu pontificado uma catequese da vida mostrando ao mundo (que abomina a doença e foge da velhice), o valor sagrado da vida desde a concepção até à morte natural, Bento XVI, na sua racionalidade germânica, oferece-se também ele em catequese. Mostrando-nos agora o que na Vida de um cristão é verdadeiramente essencial, importante e prioritário. Num mundo vergado ao activismo mais produtivista ele abdica do óbvio poder da acção deixando-a humildemente ao sucessor, e às suas redobradas forças, para escolher o mais difícil: confiar inteiramente na força da oração contemplativa.

E o que é a oração? Nada, a inutilidade perfeita, dirá o mundo. Tudo. Responde o Papa, guiado pela sua própria razão iluminada pela força da sua fé inquebrantável. Porque sabe e não duvida que essa mesma força moverá montanhas. Pedi e obtereis. Batei e abrir-se-vos-á. Disse o mestre.

E Bento XVI que podia limitar-se a pregar brilhantemente essa doutrina mostra-nos como se faz quando se acredita, como ele, que a barca da Igreja, não é dele, “não é nossa” mas pertence ao próprio Cristo que nunca a abandona.

Já em 2005 o então cardeal Ratzinger, a escassos dias de ser Papa, numa dorida oração da nona estação da via sacra nos falava da sua visão da Igreja como uma barca que parece pronta a afundar-se e “ mete água por todos os lados”. Oito anos depois está agora para todos os cristãos bem mais óbvia a fragilidade da barca e a violência da tempestade. Mas, por mais que as lutas de poder lhe transfigurem o rosto e as suas vestes se sujem com os pecados daqueles que deveriam servi-la, acima de tudo os sacerdotes, como não teme repetir-nos, ainda por estes dias, o próprio Papa, ele é também o primeiro a recordar-nos: descansemos, porque só aparentemente o Senhor dorme. Continuar a ler

Eis o Papa com a Cruz

©news.va

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Da Cruz do Redentor
Irrompe a força viva
Que sustenta bem erguida
A nossa fé em Cristo Senhor.

E nas dores e canseiras
Vem o bálsamo de Deus
Derramado aos filhos seus
Em dias e vigílias inteiras.

O báculo do pastor
Encimado pela Cruz
Mostra bem que é Jesus
Que guia a Igreja com amor.

E na fraqueza das dores
De um homem todo inteiro
É Deus sempre o primeiro
O maior de todos os amores.

Eis o Papa que renuncia
Pois a fraqueza reconhece
E a grandeza aparece
Em réstia de luz que alumia.

Eis o Papa com a Cruz
Qual “eis o homem” de outro tempo
A dizer que em cada momento:
Reina e governa o Cristo Jesus!

P. José António Carneiro

40 dias de Quaresma: Tempo oportuno

©imissio: ano da fé

©imissio: ano da fé

Não faz mal a ninguém orar, amar o próximo e educar a própria vontade!

Ganhar tempo, aproveitar o tempo, antecipar-se, não perder tempo… São expressões encontradiças em nossa boca com extrema frequência. Diferente do adulto é o tempo da criança, ou os sonhos do adolescente com a vida, ou o tempo carregado de memórias dos anciãos. Tempo medido e contado ou tempo a ser desfrutado ou, quem sabe, desperdiçado. Tempo simbólico, quarenta anos ou quarenta dias, vinte e cinco ou cinquenta anos, aniversários e jubileus! Fomos feitos por Deus e mergulhados no tempo, não apenas aquele que a física estuda ou é marcado pelo relógio, mas o tempo presente, dado por Ele, carregado de sentido porque se torna história de nossa salvação.

A sabedoria milenar na Igreja construiu, pouco a pouco, o que se chama “Ano litúrgico”, com o qual, a partir da Morte e Ressurreição, seu “Mistério Pascal”, os cristãos percorrem os eventos da vida do Senhor nesta terra, para o reconhecerem sempre presente (Mt 28,20), até sua vinda gloriosa no final dos tempos. A pedagogia da Igreja nos faz reencontrar os mesmos acontecimentos salvíficos, mas nos espera crescidos e mais maduros, capazes de acolher melhor as graças de cada época do ano. Todas as suas etapas são “tempo oportuno”. Atualiza-se o apelo do Apóstolo São Paulo: “Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, pois ele diz: ‘No momento favorável, eu te ouvi, no dia da salvação, eu te socorri’. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2 Cor 6,1-2).

Quarenta dias dedicados à oração, à fraternidade e ao jejum! Todas as pessoas que fazem uma experiência “religiosa”, mesmo em outras vertentes, até não cristãs, descobrem a necessidade de um relacionamento com Deus, um novo trato com o próximo e as exigências de um equilíbrio das forças de sua própria natureza. Observe-se que muitas delas fazem dietas ou jejuns muito mais estritos e exigentes do que a Igreja propõe para a Quaresma, por motivos espirituais, estéticos ou por prescrições médicas. É que não faz mal a ninguém orar, amar o próximo e educar a própria vontade! Continuar a ler

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

A «Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos», está decorrendo (18 a 25 de Janeiro de 2013), sob o lema «O que exige Deus de nós» (Miqueias 6, 6-8). Adiante apresentamos uma breve reflexão para cada dia da semana que tirei do documento subsídios do PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A UNIDADE DOS CRISTÃOS.
Dia 1 [18.01.13]Caminhando nas conversas. Refletimos sobre a importância das práticas de diálogo e conversação, como meio de superar barreiras. Tanto no ecumenismo como nas lutas pela libertação de povos em todo o globo, as habilidades de falar e escutar são reconhecidas como essenciais. Em conversas realmente autênticas podemos vir a reconhecer Cristo mais claramente.
©Jahmanta .com

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Dia 2 [19.01.13]Caminhando com o corpo ferido de Cristo. Reconhecendo a solidariedade entre o Cristo crucificado e os “povos feridos” do mundo, como os dalits, buscamos, unidos como cristãos, aprender mais profundamente a viver como participantes dessa mesma solidariedade. Especialmente isso se mostra na relação entre eucaristia e justiça e os cristãos são chamados a descobrir maneiras de viver na prática a experiência eucarística.
©Jahmanta .com

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Dia 3 [20.01.13]Caminhando para a liberdade. Hoje somos convidados a celebrar os esforços das comunidades oprimidas de todo o mundo, como os dalits na Índia, quando elas protestam contra o que escraviza os seres humanos. Como cristãos comprometidos com a mais ampla unidade, aprendemos que a remoção de tudo o que separa as pessoas umas das outras é uma parte essencial da plenitude da vida, da liberdade no Espírito.
©Álvaro Oliveira

©Álvaro Oliveira

Dia 4 [21.01.13]: Caminhando como filhos da terra. A consciência do nosso lugar na criação de Deus nos leva à união, na medida em que vamos percebendo a interdependência de uns com os outros e com a terra. Contemplando os urgentes apelos de cuidado com o meio ambiente e com a necessidade de adequada partilha e justiça no uso dos frutos da terra, os cristãos são chamados a dar efetivo testemunho, no espírito do ano do Jubileu.
©Arturo PAIANO

©Arturo PAIANO

Dia 5 [22.01.13]Caminhando como amigos de Jesus. Hoje vamos refletir sobre as imagens bíblicas de amizade e amor humanos como modelos do amor de Deus por todos os seres humanos. Compreender nossa situação de amados amigos de Deus tem conseqüências nos relacionamentos dentro da comunidade de Jesus. Dentro da Igreja, todas as barreiras que geram exclusão são incoerentes numa comunidade na qual todos são igualmente amados amigos de Jesus.
©sonny-hamauchi

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Dia 6 [23.01.13]Caminhando além das barreiras. Caminhar com Deus significa ir além das barreiras que dividem e prejudicam os filhos de Deus. As leituras bíblicas deste dia contemplam várias maneiras pelas quais as barreiras humanas são superadas, culminando no ensinamento de São Paulo: “ vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há mais nem judeu nem grego, já não há mais nem escravo nem homem livre, já não há mais o homem e a mulher; pois todos vós sois um só em Jesus Cristo.” (Gálatas 3, 28)
©Yannis Hatzianastasiu

©Yannis Hatzianastasiu

Dia 7 [24.01.13]Caminhando em solidariedade. Caminhar humildemente com Deus significa caminhar em solidariedade com todos os que trabalham pela justiça e pela paz. Caminhar em solidariedade traz consequências não apenas para os crentes individualmente, mas para a própria natureza e missão da comunidade cristã inteira. A Igreja é chamada e fortalecida para partilhar os sofrimentos de todos, através da defesa e do cuidado oferecidos aos pobres, aos necessitados e aos marginalizados. Isso está implícito em nossa oração pela unidade dos cristãos nesta Semana.
©imissio

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Dia 8 [25.01.13]Caminhando em celebração. Os textos bíblicos neste dia falam sobre celebração, não no sentido de celebrar um sucesso já completo, mas apresentando a celebração como um sinal de esperança em Deus e na sua justiça. Do mesmo modo, a celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é nosso sinal de esperança de que nossa unidade será conseguida no tempo e pelos meios que pertencem a Deus.
©pierofix

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JOSÉ LUÍS RODRIGUES – O BANQUETE DA PALAVRA

Um sorriso

©Viviane Mattozzi,Araujo

©Viviane Mattozzi,Araujo

Senhor, renova o meu espírito e desenha, no meu rosto, sorrisos de alegria pela riqueza da tua benção.

Que os meus olhos sorriam diariamente pelo cuidado e companheirismo da minha família e da minha comunidade.

Que o meu coração sorria diariamente pelas alegrias e dores que partilhamos.

Que a minha boca sorria diariamente com a alegria e regozijo dos teus trabalhos.

Que o meu rosto dê testemunho diariamente da alegria com que tu me brindas.

Dou graças por este presente do meu sorriso, Senhor.

 Amém

Teresa de Calcutá

Rezar é escutar

© Ed Kashi/VII/Corbis

Kierkegaard escreveu: «quando a minha oração se foi tornando cada vez mais devota, comecei a ter cada vez menos o que dizer. Por fim, fiquei em silêncio total. Tornei-me no que porventura ainda é um grande oponente à conversa, tornei-me em alguém que escuta. Inicialmente pensava que rezar era falar; aprendi, porém, que rezar não é apenas ficar em silêncio, mas escutar. Então é assim: rezar não é apenas ouvirmo-nos a falar. Rezar é ficar em silêncio e estar em silêncio, e esperar até que o Deus que reza escute».

A centralidade da Palavra na vida e na missão da Igreja é indiscutível, todavia «o primado não cabe à evangelização, mas à escuta» (B. Maggioni). Recordemos as palavras de S. Bento: «Escuta, filho, os preceitos do mestre, e inclina o ouvido do teu coração».

Escutar, significa um confronto permanente da Palavra com a existência e vice-versa. Para tal exige-se tempo, estudo, oração, contemplação. Com efeito, «a evangelização nasce da escuta: uma escuta viva, contínua, sempre renovada, indispensável para que o anúncio conserve intacta e visível a própria frescura, capaz de suscitar surpresa» (B. Maggioni). (…)

Escutar é deixar Deus falar e entrar no coração, como escreveu a grande Etty Hillesum: «Creio que vou ser capaz. De manhã, antes de começar a trabalhar, passar meia hora a ouvir-me a mim própria, a voltar-me “para dentro”. “Submergir-me”. Também podia dizer: meditar. Mas esse verbo ainda me assusta um bocado (…) Uma “hora silenciosa” não é fácil de conseguir. Tem que se aprender a consegui-la (…) O objetivo da meditação é, cá dentro, uma pessoa transformar-se numa planície grande e vasta, sem o matagal manhoso que não nos  deixa ver. Deixar entrar um pouco de “Deus” em nós, como existe um pouco de “Deus” na Nona de Beethoven». (…) Continuar a ler

Como orar?

Marco Basaiti (det.)

1. Numa perseverança confiante

A partir do momento em que compreendemos os sentimentos paternais do Deus, a perseverança confiante na oração surge naturalmente.

“Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á” (Lucas 11, 9-10).

Pedi, procurai, batei… Pedi tudo, pedi o Espírito, procurai Deus, batei à porta do Reino: “Abre-nos, Senhor” (Lc 13, 25-27).

Batei à porta que é Cristo, Ele que é o caminho que conduz ao Pai; através das suas feridas, acedemos ao Pai, que é o primeiro a procurar-nos no seu Filho.

“Olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Apocalipse 3, 20).

Portanto, quando rezo, a minha oração é o eco da oração de Deus. Sendo assim, como pode Ele recusar, recusar-Se?

Mas é preciso que a minha oração seja, antes de tudo, humilde.

2. Com a humildade das mãos vazias: o fariseu e o publicano (Lc 18, 10-14)

O importante é que a confiança que devemos ter na oração não seja fundada sobre a nossa própria “justiça”, mas unicamente na bondade misericordiosa de Deus, que é um fundamento infinitamente mais sólido.

Leiamos a parábola no presente. O fariseu e o publicano são cada um de nós. O fariseu faz valer-se da sua fidelidade às prescrições da Lei, chega mesmo a dar graças a Deus por aquilo que é, e isso é bom. Mas não é verdadeiramente consequente com ele próprio. Em lugar de fazer subir a Deus a justiça que acredita descobrir nele, atribui-a a si próprio e daí tira um motivo de orgulho pessoal. Ele não é nem um mendigo nem um “servo inútil”, está cheio de si mesmo. A sua atitude de menosprezo para o seu irmão publicano é o fruto inevitável dessa atitude.

O publicano, por seu lado, contenta-se em pedir a Deus que o perdoe, dado que se sabe pecador. A sua atitude é simples. É um homem que cumpre os seus deveres religiosos, visto que sobe ao Templo para orar, tal como o fariseu. Contudo não apresenta as suas boas acções diante de Deus. Ele sabe simplesmente que é pecador mas que o Pai é bom; entrega-se à misericórdia de Deus. Esta disposição vale-lhe o perdão, enquanto que o fariseu permanece fechado na cegueira da sua própria “justiça”.

“Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 18, 14).

O humilde coloca a sua confiança só em Deus. Por trás desta simples parábola projectam-se as vertiginosas profundezas da doutrina sobre a fé que salva por si própria, antes de todo o mérito. A bondade, o amor gratuito do Pai são a nossa única segurança, a nossa única garantia.

“Que tens tu que não tenhas recebido?” (1 Coríntios 4, 7).

Que liberdade nesta pobreza radical!

Ser filhos, unicamente suspensos pela bondade infinita do Pai eterno.

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