[atualizado] Cardeais a ter “debaixo de olho”

Filipe d’Avillez iniciou no passado dia 18 de fevereiro no blogue  Actualidade Religiosa “Cardeais a ter “debaixo de olhos”. O autor descreve-nos o objetivo e a finalidade desta iniciativa aAo longo das próximas semanas vou publicar aqui textos sobre alguns dos cardeais que vale a pena ter debaixo de olho neste conclave. Incluo aqueles que são tidos como “candidatos” e outros de particular interesse. Todos sabemos que “quem entra no Conclave como Papa, sai como Cardeal”, mas em todo o caso existe claramente um lote que tem maiores probabilidades que outros. Proponho apenas conhecerem-nos melhor.”

Hoje a iMissio apresenta os cardeais papabile, estabelencendo mais uma parceria/cooperação com a Actualidedade Religiosa.

O nosso muito obrigado pela gentileza de Filipe d’Avillez.

 

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[atualizado] Cardeais presentes no “continente digital”

Redes sociais são ambientes de vidaSem querer cair no erro ou usar o mesmo conceito para apontar os cardeais papabile conservadores ou progressistas… Mais do que pensar num homem com ideias conservadoras ou progressistas, há que perceber onde está o Evangelho a gritar. Os Evangelhos testemunham um Jesus sempre a caminho em busca dos pobres e oprimidos, ricos e pobres, novos e velhos, na sua situação de vida. Assim, na raiz de tudo deverá estar o Evangelho, a boa nova. Uma boa notícia atualizada capaz de descer e responder às muitas questões da Humanidade, de curar as feridas abertas pelos muitos “ismos” da modernidade.

O filósofo e pedagogo Marshall McLuhan define este nosso mundo moderno como uma “aldeia global”. Assim, é pretensão deste espaço, apresentar alguns cardeais, que pela sua ação pastoral de proximidade e solicitude para com a humanidade se destacam. Cardeais que percorrem as estradas das vilas e cidades, capazes de comunicar com o letrado e o iletrado, o jovem e o adulto, presente no “continente digital”.

Trabalho realizado por Nuno Monteiro, prof. de EMRC

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Cardeais a ter “debaixo de olho”#2 – Cardeal Gianfranco Ravasi

Atual presidente do Conselho Pontifício para a Cultura

[Pe. Dwight Longenecker|Aleteia.org|08/mar/2013]Entre os cardeais italianos, há um que supera os demais por ser um brilhante intelectualGianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura. Foi professor de exegese bíblica e passou muito tempo em escavações arqueológicas no Oriente Médio, além de ostentar o cargo de prefeito da prestigiosa Biblioteca Ambrosiana de Milão. Ou seja, quase um Indiana Jones da Igreja.

Os especialistas vaticanos destacam que ele gosta muito de ler, dorme apenas 4 horas por noite e passa o tempo entre livros, livros e mais livros. Além disso, é um professor muito competente, grande comunicador e evangelizador. Organizou os eventos do Átrio dos Gentios – atividades famosas realizadas em Paris, Bolonha, Barcelona, Estocolmo e Bucareste, nas quais pensadores leigos falam publicamente sobre questões de religião, cultura, espiritualidade e educação.

Ravasi foi quem preparou as catequeses do retiro anual de Quaresma para a cúria romana antes de que o Papa Bento XVI renunciasse, e os especialistas comentam que suas catequeses sobre os Salmos manifestam sua mente brilhante e seus grandes dotes comunicadores. O correspondente do National Catholic Reporter, John Allen, define Ravasi como “o homem mais interessante da Igreja Católica”. Allen reconhece também que, “muitas vezes, um homem é elevado na hora certa. Assim como Joseph Ratzinger deu um passo adiante de liderança no funeral de João Paulo II, talvez Ravazi tenha subido um degrau e ganhou a atenção dos cardeais no momento adequado”.

Gianfranco é o mais velho de três irmãos. Seu pai foi um funcionário do governo fascista que abandonou o exército da Itália na 2ª Guerra Mundial e desapareceu durante 18 meses. Sua mãe foi professora. Em um comentário pessoal que demonstra sua humildade e conhecimento de si mesmo, Ravasi disse que a ausência do seu pai em uma etapa crucial da sua vida pôde ser um dos fatores que o atraíram a Deus Pai e à religião, em sua busca de permanência e segurança. Na universidade, decidiu dirigir-se ao sacerdócio ao invés de lecionar línguas clássicas e, desde então, sua carreira combinou o desafio acadêmico e sua vocação de servir como sacerdote.

O cardeal Ravasi seria uma boa escolha como papa? Aqueles que desejam uma reevangelização da Europa e do Ocidente esperam um papa intelectual e com carisma. Ravasi seria um papa que não teria nada a invejar das mentes mais brilhantes. É capaz de citar Newton, Santo Agostinho, Nietzsche, Darwin, Camus, teólogos e filósofos modernos e ateus. E não é só isso: ele é apaixonado pelas novas mídias, reconhecendo que a pregação na Igreja é importante para os fiéis, mas o Evangelho pode ser proclamado imediata e globalmente por meio de blogs, redes sociais, Twitter, rádio e televisão, a um público mais amplo.

Ravasi não é somente um intelectual, mas tem um grande bom senso, sabe como comunicar-se e não tem medo de enfrentar, em qualquer debate, tanto intelectuais como pessoas comuns do mundo pós-moderno. Ele organizou fóruns abertos sobre a questão da evolução e conhece bem o conflito entre ciência e religião.

No entanto, isso significa que o cardeal Ravasi seria um bom papa? John Allen destaca que ele quase não tem experiência pastoral. Nunca trabalhou em uma paróquia nem dirigiu uma diocese. Como uma “bomba relógio” intelectual, Ravasi não tem um grupo de pessoas que o apoie – e, para ser papa, é preciso ter votos.

Mais ainda: para ser um líder mundial, é preciso ter pelo menos algo de experiência no exterior, mas ele não tem. Seu conhecimento de idiomas não é elevadíssimo e, ainda que ele seja bem conhecido na Itália, não o é tanto no exterior. Tivemos um filósofo e um teólogo, mas agora precisamos, além de um intelectual, uma pessoa que saiba se aproximar com confiança das multidões de católicos comuns, não só da Itália e da Europa, mas do mundo inteiro.

Um papado Ravasi seria europeu, do ponto de vista intelectual. Segundo seus próprios comentários sobre a pregação, Ravasi é uma pessoa a levar em consideração para os que estão perto, mas poderia parecer uma estrela distante para os outros.

Cardeais a ter “debaixo de olho”#2 – Christoph Schönborn

Cardeal Christoph Schönborn, o “filho espiritual” de Ratzinger. De pais aristocratas alemães, é culto e poliglota

Um dos detalhes fascinantes que surge quando consideramos os cardeais da Igreja Católica é a ampla gama não só de nacionalidades, mas também de bagagem socioeducativa. O filho de um caminhoneiro aqui, o de um fazendeiro lá. De um lado, o filho de uma família burguesa de um país desenvolvido; de outro, o filho de operários de um país em desenvolvimento. Aqui, o filho de um agricultor dos EUA; lá, o herdeiro de uma dinastia aristocrática europeia.

cardeal Christoph Schönborn pertence à nobre e venerável família dos Schönborn-Buchheim-Bohemian-Wolfstahl. Ao longo dos anos, sua família ofereceu à Igreja 2 cardeais, 19 arcebispos, bispos, padres e freiras. O cardeal segue os passos de seu tio-avô, o cardeal Franz Graf Schönborn, que era também o chefe do episcopado austríaco.

Após a 2ª Guerra Mundial, a família Schönborn foi forçada a abandonar Boêmia. Christoph entrou na Ordem Dominicana em 1963, estudando teologia em Paris, Filosofia e Psicologia em Bornheim-Walberberg. Ele completou outros estudos no Institut Catholique de Paris e estudou cristianismo eslavo e bizantino na Sorbonne. Foi aluno de Joseph Ratzinger em Ratisbona, fez doutorado em Teologia Sagrada em Paris, e lecionou teologia na Universidade de Friburgo (Suíça). É fluente em sete línguas e conhecido como o principal editor do Catecismo da Igreja Católica.

Como arcebispo de Viena, o cardeal Schönborn enfrentou tempos difíceis, tendo de lidar com uma Igreja em crise, ajudando-a a estabilizar-se depois de um escândalo de abuso sexual. Parecia, no entanto, impotente para enfrentar uma rebelião aberta de alto nível no clero liberal, que pede a reforma da Igreja em questões como o celibato e a ordenação de mulheres. Também entrou em choque com altos funcionários do Vaticano e foi criticado por interferir nas disputas internas em setores da Igreja que vão além da sua autoridade.

Como seria um pontificado de Schönborn? Ele definitivamente tem perspicácia intelectual para liderar a Igreja. Ele tem sido chamado de “filho espiritual” de Bento XVI, de modo que seria conservador e um confiável defensor da fé. Não é apenas um bom acadêmico, pois se comunica bem com as pessoas comuns também. E sabe usar os meios de comunicação: tem eloquência, é popular e capaz de se comunicar com pessoas de diferentes contextos, incluindo os jovens.

O cardeal Schönborn é ativo na Nova Evangelização e é um grande apoiador da nova missão e dos movimentos espirituais que atraem os jovens. Eu me encontrei com ele quando visitei Viena para uma conferência sobre a Nova Evangelização. Falou bem e com paixão, e estava à vontade com os muitos jovens que queriam ouvi-lo e falar com ele. Falando muitos idiomas e sendo um comunicador hábil, ele se daria bem na posição mais elevada. Saberia gerenciar todos os aspectos do pontificado de Bento XVI.

A questão é que Schönborn muitas vezes parece assumir uma posição, envolver-se em um problema, colocar um pé errado e depois tentar fazer as pazes. Nele há uma ambiguidade e uma incerteza desconcertantes. Sua maneira de lidar com a crise em sua arquidiocese foi um exemplo de liderança fraca e ineficaz, ou ele era sensível no âmbito pastoral, pronto para ouvir e comprometer-se, para trabalhar nos bastidores, a fim de manter a unidade? Uma ambiguidade similar poderia significar uma falta de espinha dorsal para iniciar a reforma da qual a Igreja precisa neste momento.

Com o cardeal Schönborn, teríamos um intelectual aristocrata europeu guiando a Igreja. Ainda que ele fale sete idiomas e tenha um profundo interesse e conhecimento em relação às Igrejas Orientais, será que tem a experiência necessária para liderar a Igreja global? A Igreja precisa de outro intelectual que fale alemão ou de um líder de um país em desenvolvimento? Ela precisa de um aristocrata nascido em um castelo e educado nas melhores escolas ou de um homem com uma sensibilidade mais comum?

Talvez sejam questões irrelevantes. O sacerdócio católico é um grande nivelador; questões relacionadas à origem familiar e à bagagem tornam-se menos importantes quanto mais uma pessoa ocupa as posições mais altas. As vestes roxas dos cardeais os deixam todos iguais. Se o cardeal Schönborn for eleito papa por obra do Espírito Santo, ele saberá superar os limites de sua linhagem aristocrática, assim como o filho de um fazendeiro poderia superar seu próprio conjunto de obstáculos.

Este é, em última análise, o papel dos eleitores: avaliar os requisitos de um homem, sua bagagem social e étnica, sua experiência e seus relacionamentos, as necessidades de toda a Igreja, e depois discernir “algo” extra – as indefiníveis qualidades espirituais que distinguem o homem que entrará no “Lacrimatoio” para usar as vestes brancas.

Cardeais a ter “debaixo de olho”#2 – Cardeal Dolan

Este cardeal americano tem boas credenciais e contatos, além de uma personalidade jovial

[Pe. Dwight Longenecker|Aleteia.org|08/mar/2013]Uma vez ouvi o cardeal Timothy Dolan discursar durante um café da manhã de oração em Los Angeles. Ele falou de forma empolgante, com forte fundamento bíblico, convidando os profissionais da mídia a se comprometerem com a nova evangelização com zelo, paixão, humanidade e bom humor.

Um genial e envolvente prelado, que atendeu e ouviu cada um dos muitos participantes, seja rindo de um comentário bem humorado, seja prestando atenção em um pedido de oração; aqui cativando novos amigos, ali dedicando tempo aos velhos conhecidos. Em Los Angeles, eu vi um pastor por natureza, desarmado em seu jeito brincalhão, ao mesmo tempo em que transmitia uma mensagem dinâmica e criteriosa.

Timothy Dolan nasceu e cresceu no coração da América – na fortemente católica St. Louis, Missouri. Frequentou seminário menor e licenciou-se em filosofia no Cardinal Glennon College – um seminário da arquidiocese de St. Louis. Foi enviado para estudar no Pontifício Colégio Norte-americano em Roma e no Angelicum, onde se graduou em teologia. Depois de um período como pároco, ele se doutorou em história da Igreja Católica americana, na Catholic University of America. Lecionou em seminários até ser nomeado reitor do Colégio Norte-americano em Roma. Durante seu tempo na Europa, ele também lecionou no Angelicum e na Universidade Gregoriana.

Papa João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de St. Louis em 2001 e arcebispo de Milwaukee, Wisconsin, no ano seguinte. A arquidiocese vivia uma situação difícil, tentando se recuperar de uma liderança fraca e de escândalos sacerdotais. Dolan afastou os maus sacerdotes e se esforçou para recuperar a arquidiocese, mas, depois de apenas sete anos, ele foi designado para servir os 2,5 milhões de católicos de Nova York – a segunda em número de católicos nos EUA, depois de Los Angeles.

Poderia o jovial arcebispo de Nova York ser o primeiro Papa americano? Dolan tem boas credenciais e bons contatos. John Allen, correspondente no Vaticano do National Catholic Reporter, diz que muitos de seus encontros com cardeais invariavelmente começam com uma anedota sobre o carismático Dolan.

A afabilidade e inteligência rápida de Dolan combinam com a necessidade de comunicar a fé de forma eficaz. Tranquilo e alegre na frente das câmeras, ele domina seus entrevistadores com cordialidade e exuberância. Comunica a fé católica com um otimismo dinâmico, bom humor e a profundidade necessária. Mas Dolan não é apenas bom humor e anedotas. Ele foi duro com o presidente Obama na polêmica sobre o financiamento de contraceptivos e ao aborto. No cenário mundial, Dolan emergiria como um apaixonado e feliz guerreiro, contrariando a gentileza tímida do acadêmico Bento.

No entanto, quando comparado com outros candidatos, a Dolan parece faltar solenidade. Seus feitos acadêmicos são adequados, mas não estelares. Ele escreveu cerca de uma dúzia de livros, mas obras essencialmente pastorais e devocionais. Ele não é nem o filósofo de classe mundial que João Paulo foi nem o teólogo que vimos em Bento. Sua experiência fora dos Estados Unidos é muito pequena e isso se reflete em sua limitada habilidade com idiomas. Comparado com alguém como o canadense Ouellet, que é um respeitado teólogo, foi missionário na América Latina e é fluente em seis línguas, Dolan surge como um peso leve.

No entanto, os papas não são escolhidos por seus feitos acadêmicos ou suas habilidades linguísticas. A questão principal não é: “o que o currículo diz?” Mas: “o que os cardeais do mundo procuram?” Se eles estão em busca de um comunicador brilhante, com personalidade e vigor para ser um evangelizador dinâmico e global, então Dolan poderia ser o homem. Se eles estão em busca de um administrador eficiente para fazer a faxina na Cúria, Dolan poderia mais uma vez ser o homem. Caso eles estejam preocupados com a falta de solenidade acadêmica, pode-se argumentar que a Igreja teve um grande filósofo e um grande teólogo, e agora pode precisar de alguém que comunique essas verdades com zelo, energia, praticidade e humanidade. Nesse sentido, novamente Dolan poderia ser o próximo Papa.

Cardeais a ter “debaixo de olho”#2 – Cardeal Odilo Scherer

Trabalhador, decidido e muito bem preparado: surge entre os candidatos ao pontificado o nome de um cardeal brasileiro.

© YASUYOSHI CHIBA / AFP

[Alexandre Ribeiro|Aleteia.org|10/mar/2013]Quando Dom Odilo Scherer, então bispo auxiliar, foi nomeado arcebispo de São Paulo, em 2007, e seis meses depois criadocardeal por Bento XVI, em uma subida meteórica, no Brasil isso não foi visto como surpresa.

Acompanhando o seu trabalho como secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de 2003 a 2007, seja por sua esmerada formação, seu jeito sereno, mas firme e combativo quando necessário, já se via nele o homem preparado para assumir São Paulo, uma das maiores e mais importantes arquidioceses do mundo, com mais de 6 milhões de católicos.

Se for eleito Papa, entre os fiéis de São Paulo, mais uma vez, não haverá surpresa: eles sabem que o seu arcebispo é um homem preparado para ser o sucessor na cátedra de Pedro.

Aos 63 anos, considerado jovem e com o vigor necessário para enfrentar as enormes exigências do próximo pontificado, Odilo Scherer é apontado como o candidato latino-americano mais forte para suceder Bento XVI.

O sétimo filho – entre 13 irmãos – de pais de origem alemã nasceu em 1949 em Cerro Largo, no Rio Grande do Sul. Cresceu em Toledo (Paraná), estudando e trabalhando na lavoura. A forte tradição católica de sua família favoreceu o despertar da vocação desde pequeno.

Depois de fazer a formação básica – filosofia e teologia – em Curitiba, e ser ordenado sacerdote, Odilo Scherer desempenhou seu trabalho pastoral especialmente como reitor de seminário e professor. Fez mestrado e doutorado na Gregoriana, em Roma.

Viveu no interior da França e da Alemanha, aprendeu inglês na Irlanda, desenvolveu o espanhol, o italiano, e as línguas usadas na Igreja, como o latim, o grego e o hebraico. É comum vê-lo atender às diferentes edições da Rádio Vaticano, com a mesma facilidade, em português, inglês, francês, italiano, espanhol e alemão.

Dom Odilo Scherer também apresenta uma longa trajetória em funções importantes na Igreja. Era secretário-geral da CNBB quando, semanas antes da visita de Bento XVI ao Brasil, em maio de 2007, recebeu a nomeação para arcebispo, tornando-se anfitrião do Papa. Já nos anos 90, havia trabalhado por mais de sete anos como oficial da Congregação para os Bispos, no Vaticano.

Aqueles que convivem de perto com Dom Odilo destacam seu perfil trabalhador e decidido, porém aberto ao diálogo. Sempre firme ao defender as convicções da Igreja, a presença dos leigos na política e a importância da voz da Igreja no debate público.

Na Cúria Romana, é membro da Congregação para o Clero, dos Pontifícios Conselhos para a Família e para a Promoção da Nova Evangelização, da Pontifícia Comissão para a América Latina e do Conselho de Cardeais para o Estudo dos Problemas Organizacionais e Econômicos da Santa Sé.

Integra também a Pontifícia Comissão Cardinalícia para a supervisão do Instituto para as Obras de Religião, mais conhecido como Banco do Vaticano, uma função que evidencia ser um homem de confiança de Bento XVI.

Se os cardeais decidirem articular um nome de fora da Europa, certamente Dom Odilo desponta como uma das principais forças. Resta saber se, para a Igreja, teria chegado a hora de ter um Papa latino-americano, representante significativo do mundo em desenvolvimento, onde a fé católica, apesar dos desafios, ainda brilha em seu fervor, suas devoções e espírito fraterno.

Cardeais a ter “debaixo de olho”#2 – Luis Antonio Tagle

[nota: Todos sabemos que “quem entra no Conclave como Papa, sai como Cardeal“. O objetivo destas partilhas é podermos conhecer melhor os cardeais da Igreja Católica. Todos sabemos que é o espírito que conduz o mundo e não a inteligênciaAntoine de Saint-Exupéry]

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Juventude  um ponto a favor depois do gesto de Ratzinger?

[Pe. Dwight Longenecker|Aleteia|01/mar/2013] A estrela de Belém não é a única que nasceu no Oriente. Com apenas 55 anos, criado cardeal em novembro de 2012, Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila (Filipinas), é visto por muitos como a escolha certa para uma nova abordagem do pontificado.

A estrela de Belém não é a única que nasceu no Oriente. Com apenas 55 anos, criado cardeal em novembro de 2012, Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila (Filipinas), é visto por muitos como a escolha certa para uma nova abordagem do pontificado.

Considerando a sua recente “promoção” e a experiência quase nula no Vaticano, muitos nem sequer lhe dariam uma chance. O Beato João Paulo II foi eleito aos 58 anos, e os observadores do Vaticano poderiam concluir que a Igreja não precisa de outro pontificado com duração de 20 ou 30 anos. No entanto, agora que Bento XVI estabeleceu um novo precedente, os cardeais poderiam escolher um jovem, presumindo que ele vai se aposentar após 15 anos de ministério.

Aqueles que especulam nesse sentido não podem prever a ação nem dos cardeais nem do Espírito Santo no conclave. O próximo papa será eleito não só pelo seu talento e suas credenciais, mas também com base em fatores que não podem necessariamente ser previstos ou determinados. Na Capela Sistina, sempre há espaço para surpresas.

De pais profundamente católicos, Tagle sabia recitar o terço aos três anos de idade. Frequentou o seminário em Quezon City (Filipinas), transferindo-se para completar seu doutorado na Catholic University of America (CUA), em Washington, DC (EUA). Sua tese de doutorado foi uma exploração positiva da colegialidade episcopal no Concílio Vaticano II, o que representa uma indicação, para os cardeais mais tradicionalistas, de sua alma “progressista”. Ele também foi membro do conselho editorial da série “História do Concílio Vaticano II”, fundada na Itália por Giuseppe Alberigo.

Os observadores mais cínicos alegam que o cardeal Tagle não tem esperança de ser eleito, mas, uma vez que parece jovem e um tanto liberal, a mídia de esquerda o está promovendo como seu pupilo. Deixando de lado esta especulação, conheçamos um pouco mais de perto o cardeal de Manila.

Depois de seu tempo nos Estados Unidos, Tagle estudou em Roma, antes de voltar à sua pátria. Foi nomeado membro da Comissão Teológica Internacional em 1997 e, em 2001, bispo de Imus; posteriormente, foi nomeado arcebispo metropolitano de Manila.

O cardeal Tagle tem um caráter muito interessante. O correspondente do National Catholic Reporter, John Allen, cita um comentarista filipino, declarando que ele tem “a mente de um teólogo, a alma de um músico e o coração de um pastor”.

Allen contou muitas histórias: “Na diocese de Imus, Tagle era conhecido por não ter um carro e por usar ônibus todos os dias para ir ao trabalho, descrevendo-o como uma forma de combater o isolamento que às vezes acompanha um alto cargo. Ele também era conhecido por convidar os mendigos que estavam do lado de fora da catedral para entrar e comer com ele”.

Outra curiosidade: “A Imus, uma pequena capela localizada em um bairro carente, esperava um sacerdote para celebrar a Missa às quatro horas da manhã para um grupo composto principalmente por diaristas. Finalmente apareceu um jovem sacerdote em uma bicicleta surrada: vestia roupas simples e estava pronto para começar a celebrar a Eucaristia”. Era Tagle, o novo bispo. Ele tinha ouvido, na noite anterior, que o padre que deveria celebrar estava doente e decidiu substituí-lo.

Tagle é um orador fascinante, com um bom domínio das novas mídias. Tem uma página no Facebook e apresenta um programa de televisão. Ele também tem sido ativo em ajudar a condenar os abusos cometidos por padres contra crianças; enfrentou o governo das Filipinas sobre a polêmica legislação acerca dos “direitos reprodutivos”; e é conhecido pela promoção da sua opção preferencial pelos pobres, bem como por uma gestão adequada do meio ambiente.
Como seria um pontificado de Tagle? Em primeiro lugar, ele certamente deslocaria a atenção do mundo da Europa para os países em desenvolvimento. Um papa filipino destacaria a situação dos pobres e as necessidades espirituais, sociais e econômicas da Igreja em países menos ricos.

Em segundo lugar, Tagle mudaria o foco do mundo que envelhece para a juventude nos países em desenvolvimento. O seu seria um papado para o futuro, um papado jovem, fresco, focado, enérgico e inspirador. John Allen cita Tagle, que resume tudo isso dizendo que, “no contexto asiático, uma evangelização eficaz significa uma Igreja mais humilde, mais simples e com maior capacidade devalorizar a interioridade“.

Em terceiro lugar, um papa jovem das Filipinas, brilhante e habilidoso comunicador, daria um sentido de urgência e paixão ao papado. Muitos comentaristas falam da necessidade de corrigir a corrupção e as disputas internas no Vaticano. Um papa jovem e evangelizador que possa ser ativo no âmbito global poderia “fazer uma faxina”, avançando em um ritmo tão rápido que todos os outros acabariam tendo de correr para acompanhá-lo.
Aos 55 anos e relativamente com pouca experiência, Tagle poderia ser eleito como sucessor de Pedro? Se não for desta vez, talvez na próxima.

Cardeais a ter “debaixo de olho”#2 – Angelo Scola

[nota: Todos sabemos que “quem entra no Conclave como Papa, sai como Cardeal“. O objetivo destas partilhas é podermos conhecer melhor os cardeais da Igreja Católica. Todos sabemos que é o espírito que conduz o mundo e não a inteligênciaAntoine de Saint-Exupéry]

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[Pe. Dwight Longenecker|Aleteia|05/mar/2013] Voltaria um italiano a ser o sucessor de Pedro? Agora que a hegemonia italiana no papado foi quebrada por dois pontificados seguidos, haveria chance dos cardeais voltarem a escolher um italiano pelo simples peso da nacionalidade? Os cardeais, sem dúvida, terão de analisar o peso da nacionalidade. Seria assim com um africano ou um brasileiro, mas isso também não é diferente na hipótese de um italiano.

Se um italiano é o favorito para suceder Bento XVI, este é o cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão. Aos 71 anos, ele tem uma trajetória impressionante, tendo liderado não só a arquidiocese de Milão, mas também sendo bispo de Grosseto, reitor da Universidade Lateranense e Patriarca de Veneza.

Filho de um motorista de caminhão, o cardeal Scola tem um jeito prático e um estilo pastoral acessível. Nos tempos de colégio, ele se juntou à “Gioventù Studentesca”, grupo de estudantes associados com movimento eclesial “Comunhão e Libertação” (CL). “Comunhão e Libertação” é um movimento controverso da Igreja Católica. Sendo um movimento estudantil de perfil intelectual, os críticos dizem que é fechado e de gosto cult. Seus defensores dizem que é um movimento de evangelização e renovação, que ajuda os católicos a viver um profundo encontro com Cristo e a pertencer a comunidades cheias de fé e vida.

Como estudante universitário, o jovem Angelo Scola conheceu Luigi Giussani, fundador de “Comunhão e Libertação”. Ele se formou em filosofia, tornando-se professor em escolas secundárias. Logo depois decidiu se tornar padre. Continuou seus estudos, tendo se doutorado em São Tomás Aquino, na Universidade de Friburgo. Como teólogo, foi dirigido pessoalmente por Giussani e se tornou um líder no crescente movimento “Comunhão e Libertação”. Ainda como teólogo, contribuiu para a influente revista “Communio”, juntamente com Henri de Lubac, Hans Urs von Balthasar e o jovem Joseph Ratzinger.

O correspondente John Allen, do National Catholic Reporter, assinala quatro pontos fortes de Scola que o colocam na disputa: primeiro, ele é um peso pesado da teologia como Ratzinger, mas tem um jeito comum. Segundo, como veterano no Vaticano, ele conhece a Cúria Romana e saberia como reformá-la. Terceiro, como ex-professor de colégio, de seminário, pároco e bispo, Scola conhece a Igreja a partir da base. Em quarto lugar, ele é fundador de uma iniciativa interessante de diálogo com os muçulmanos, tema que é uma preocupação crescente na Igreja.

Como seria de esperar, as forças de Scola poderiam ser também suas fraquezas. Como italiano, os cardeais do mundo poderiam simplesmente descartá-lo como sendo alguém “de dentro”. “Comunhão e Libertação” é um movimento influente, mas controverso, e a trajetória de Scola vinculada a ele poderia afastar alguns cardeais que suspeitam do CL. A filiação de Scola com a teologia de Ratzinger pode ser também um ponto fraco, se os cardeais estiverem à procura de uma nova abordagem. Até mesmo a reputação Scola como principal candidato ao papado poderia trabalhar contra ele.

Como seria um pontificado do cardeal Scola? Teria uma abordagem prática com as pessoas comuns; sua habilidade com a mídia lhe cairia bem. Poderíamos antecipar uma repetição da abordagem apaixonada e de características pessoais pela teologia, como em Bento XVI. Em outras palavras, Scola reproduziria as ideias de Bento XVI (e de “Comunhão e Libertação”) de que o cristianismo é um encontro pessoal com Cristo – que Cristo propõe uma relação com o indivíduo, e o indivíduo pode responder com uma abordagem inteligente e com o compromisso pessoal.

Um pontificado de Scola também continuaria com a agenda de Bento XVI de tentar reconverter a Europa. A principal preocupação seria a de uma visão estritamente europeia. O cardeal Scola não tem a variedade de idiomas que os outros candidatos apresentam. Ele tem pouca experiência no trabalho da Igreja no mundo em desenvolvimento. O cardeal Scola pode ser um homem de dentro do Vaticano, um dos principais membros de “Comunhão e Libertação” e um colega e discípulo de Bento XVI, mas os cardeais podem estar à procura de um homem com mais visão global.

Sem dúvida o cardeal Scola é um forte candidato a Papa. Mas, aos 71 anos, ele pode ser mais um homem do ontem do que do amanhã.

 

Pe. Dwight Longenecker é pároco de Nossa Senhora do Rosário, em Greenville, Carolina do Sul (EUA). Site:http://dwightlongenecker.com.

Cardeais a ter “debaixo de olho”#2 – Marc Ouellet

[nota: Todos sabemos que “quem entra no Conclave como Papa, sai como Cardeal“. O objetivo destas partilhas é podermos conhecer melhor os cardeais da Igreja Católica. Todos sabemos que é o espírito que conduz o mundo e não a inteligênciaAntoine de Saint-Exupéry]

©http://www.aleteia.org/pt

Fluente em seis idiomas, longa experiência na Cúria, vivência de diferentes culturas, o cardeal Ouellet é um dos cotados para a sucessão

[Pe. Dwight Longenecker|Aleteia|01/mar/2013] Um dos candidatos mais cotados para o papado é o cardeal Marc Ouellet, natural de Quebec, Canadá. O cardeal Ouellet completa 69 anos em junho. Atualmente é prefeito da Congregação para os Bispos. Isso o coloca no comando da parte da Cúria que supervisiona a seleção de bispos para as dioceses do mundo.

O cardeal Ouellet é também o encarregado da Pontifícia Comissão para a América Latina. Ele já trabalhou na Congregação para o Clero e foi secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Além de ser Prefeito da Congregação para os Bispos e da Comissão Pontifícia para a América Latina, atua em uma longa lista de outras comissões da Cúria, conselhos e comissões.

Academicamente, tem currículo forte: licenciatura em filosofia e doutorado em teologia dogmática, passou grande parte do seu ministério lecionando e sendo reitor de seminários. Ele está associado ao prestigioso movimento teológico Communio. É fluente em inglês, francês, espanhol, português, italiano e alemão.

cardeal Ouellet é tido como conservador, mas não de linha dura. Como prefeito da Congregação para os Bispos, ele teria se envolvido na promoção de bispos como Timothy Dolan para Nova York e Charles Chaput para a Filadélfia, os dois também cotados para a sucessão como Papa.

Como possível Papa, ele faria uma ponte interessante – sendo franco-canadense, partilha a cultura europeia de uma forma mais profunda que a maioria dos americanos, mas ele é efetivamente do Novo Mundo. Com sua experiência como missionário na América Latina e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, é experiente sobre as necessidades da Igreja no mundo em desenvolvimento.

Mas como é como pessoa? O jornalista John Allen diz que ele é um homem profundamente espiritual e sensível, conhecido por se emocionar em público e manter uma fé profunda. Ele é espirituoso e afetuoso em privado, mas às vezes formal e rígido em público.

Com sua mente acadêmica e natureza reservada, alguns questionam se ele teria a personalidade carismática e dinâmica necessária para comunicar o Evangelho em um mundo de notícias instantâneas e reconhecimento global. Os críticos dizem que ele não foi capaz de transformar a arquidiocese de Montreal, como evidenciado pelo declínio alarmante de católicos praticantes na região. Se ele não pôde revolucionar Montreal, como poderia reverter o declínio da Igreja Católica em todo o mundo?

O cardeal Ouellet tem dito que não cobiça o pontificado e que “ser Papa seria um pesadelo”. Então adicione realismo à sua lista de créditos. Mas sua hesitação indicaria fraqueza? Ele seria realmente bom para limpar a Cúria e implementar reformas verdadeiras em um sistema que é muitas vezes arcaico e defensivo?

O problema das críticas a Ouellet e a outros cardeais é que elas se baseiam em limitados modelos seculares e políticos. Dizer que um bispo não “revolucionou” ou “transformou” uma diocese seria compará-lo a um CEO de uma empresa que está tendo prejuízos. Dizer que um homem seria muito fraco para limpar a Cúria não deixa de ser algo muito vago.

Por fim, e mais importante de tudo, muitos críticos desqualificam a dinâmica interna da providência de Deus. Deus sabe mais que os jornalistas e muito além dos currículos dos homens.

Isso porque ele conhece as qualidades interiores de um homem e está apto a assumir alguns riscos e até mesmo surpresas. Supostas fraquezas de Ouellet poderiam se tornar as suas forças. Um pontificado dele poderia combinar uma doce espiritualidade francesa, a sensibilidade, um intelecto agudo, a perspectiva internacional e a força interior do caráter, que se expressa em um estilo gentil e pastoral.