40 dias de quaresma: Quinta-feira da Semana Santa

Restolho, uma canção para este tempo.

«Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração…»

A letra da música «Restolho» de Mafalda Veiga reflecte o ciclo existencial de vida e morte. Desde que nascemos estamos num processo contínuo de recriação: morrer para viver. O fim de um percurso significa, portanto, o início de uma nova etapa.

A aceitação da morte como possibilidade de uma nova vida está patente no Cristianismo. Ela ocupa um lugar central na nossa Fé. Acreditamos num Deus feito Homem que, tal como o Restolho, aceitou morrer para abrir caminhos de vida para todos os homens.

Santa Páscoa.

Pensamento do Pe. Nélio Pita

40 dias de quaresma: Quarta-feira da Semana Santa

© Ewan Adamson

© Ewan Adamson

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último.
O último para dizer “obrigado”. O último para dizer “me desculpa”. O último para dizer “eu te amo”.
O último para abraçar cada pessoa amada com aquele abraço bom que faz um coração cantar para o outro.
… O último para apreciar a vida com o entusiasmo que não guarda nenhuma delícia nem ternura para depois.
O último para fazer as pazes. Para desfazer enganos.
Para saborear com calma, como se me servissem um banquete, a preciosidade genuína que cada único respiro humano representa…
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. Eu não perderia uma chance para me presentear com os agrados que me nutrem.
Eu criaria mais oportunidades para dizer o meu amor.
Para expressar a minha admiração.
Para destacar para cada pessoa a beleza singular que ela tem. Para compartilhar.
Eu não adiaria delicadezas. Não pouparia compreensão.
Não desperdiçaria energia com perigos imaginários e com uma série de bobagens que só me afastam da vida.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último, porque pode ser.

Pensamento de Zimbórios

40 dias de quaresma: Terça-feira da Semana Santa

[youtube http://youtu.be/UMrmUpNpC70]

Não se pode viver a Semana Santa sem Amor, tentando não cair em perigos de quantificações, se se ama menos ou mais, deixando-se ficar pelo simples amar. Seria uma semana estranha, vazia, oca e desnecessária se não tivesse essa carga do amor tão intenso e incompreensível. Aqui tocamos a subtileza da fé que, em modo de nardo puro, se espalha pela vida humana se abrimos o coração a esse Mistério. A dor só pode ser vivida pela certeza de um Amor mais forte.

[Esta música escutei-a hoje, enquanto rezava a proposta do passo-a-rezar.net para o dia de hoje]
Meditação de Paulo,sj

40 dias de quaresma: Segunda-feira da Semana Santa

©Nesiho Asiraki

©Nesiho Asiraki

Prepara-se o caminho da Morte e da Ressurreição. Mas antes, mais uma vez a revelação do sentido de tudo o que aconteceu e vai acontecer: o serviço. A credibilidade de Jesus surge, entre outras coisas, porque amou, em gestos e palavras, de modo especial os oprimidos e aqueles que não correspondiam aos parâmetros da época. Quem deseja um poder que exclui, separa ou anula o que lhe pode fazer sombra (mesmo em nome da fé), não compreende, nem vive, o dia que celebramos hoje. Jesus é Rei e Senhor “que veio para servir e não para ser servido”… o suficiente para baralhar qualquer sistema.

Pensamento de Paulo,sj

foto do dia, 24 de março de 2013

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Vivamos a alegria de caminhar com Jesus, de estar com Ele, levando a sua Cruz, com amor, com um espírito sempre jovem!Peçamos a intercessão da Virgem Maria. Que Ela nos ensine a alegria do encontro com Cristo, o amor com que O devemos contemplar ao pé da cruz, o entusiasmo do coração jovem com que O devemos seguir nesta Semana Santa e por toda a nossa vida.

Papa Francisco, Homilia da Eucaristia de Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR

“Ele passou por mim e sorriu,
e a chuva parou de cair,
o meu bairro feio tornou-se perfeito,
e o monte de entulho, um jardim.
O charco inquinado voltou a ser lago,
e o peixe ao contrário virou.
(…)
Sei que a chuva é grossa, que entope a fossa,
que o amor é curto e deixa mossa,
mas quero voar, por favor!”

Deolinda | Passou Por Mim e Sorriu

©Catarina Pereira

©Catarina Pereira

Com o DOMINGO DE RAMOS, INICIAMOS A SEMANA SANTA. Na liturgia deste DOMINGO tão especial unimo-nos ao Povo de Jerusalém, que aclama alegre e feliz: “Hosana ao Filho de Davi” e depois somos introduzidos à Semana Santa.

Este ano o Evangelho convida-nos a contemplar a PAIXÃO e Morte de Jesus, segundo a narrativa de Lucas. (Lc 22, 1-49). Como entender O Sentido da Paixão e Morte de Jesus? Sobretudo no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus percebeu que o Pai o chamava a uma missão: Anunciar a Boa Nova aos pobres e pôr em liberdade os oprimidos. Para concretizar este projeto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina, “fazendo o bem” e anunciando um mundo novo de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos.

Celebrar a Paixão e Morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, as tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, traído, abandonado, incompreendido, continuou a amar.

SOMOS CONVIDADOS A COMEÇAR A SEMANA SANTA, EM FAMÍLIA, COM UM NOVO ARDOR… CAMINHEMOS ATÉ A PÁSCOA COM AMOR. SIM,  sabemos “que a chuva é grossa, que entope a fossa, mas o amor pode ser PARA SEMPRE e “deixa mossa” PARA VOARMOS, “queremos voar, por favor!”.

Domingo de Ramos: Um vídeo divertido

[youtube http://youtu.be/-0Sq3jD_zDE]

A liturgia do Domingo de Ramo sintroduz-nos  na Semana Santa. Combina dois momentos radicalmente opostos, separados apenas por alguns dias de intervalo: o acolhimento gloriosa de Jesus em Jerusalém e execução implacável no Gólgota, o hossana transbordante de fervor e o cruel Crucifica-o.

INTIMIDADE E TRAIÇÃO!

Entrada de Jesus em Jerusalém celebrada no Domingo de ramos©Pietro Lorenzetti - Basílica de São Francisco, Assis.

Entrada de Jesus em Jerusalém celebrada no Domingo de Ramos
©Pietro Lorenzetti – Basílica de São Francisco, Assis.

1. Baptizado com o Espírito Santo no Jordão, confirmado com o Espírito Santo no Tabor, Jesus realizou a sua missão filial baptismal anunciando o Evangelho do Reino de Deus e fazendo as suas «obras». A sua «viagem» chega agora ao fim, na Judeia, em Jerusalém, onde o seu Baptismo deve(plano divino) ser consumado (ainda Lc 12,49-50) na sua Morte Gloriosa: única Fonte do Espírito Santo para nós (sempre Act 2,32-33; Jo 19,30 e 34; 7,38-39). A missão filial baptismal do Filho de Deus finalmente consumada! É que fomos, de facto, baptizados na sua Morte (Rm 6,3-4), e, com Ele, fomos já «com-sepultados», «com-ressuscitadoss», «com-vivificados» e «com-sentados» na Glória! (Ef 2,5-6; Cl 2,12-13: tudo verbos cunhados por Paulo e postos em aoristo (passado) histórico!). Formamos, por isso, «a Igreja que Ele amou» (Ef 2,25). A este amor de Cristo pela Igreja chama Paulo «o mistério grande» (Ef 5,32). Nós, a Igreja do amor de Cristo, somos, portanto, a Esposa bela, a nova Jerusalém (Ap 19,7-9; 21,2 e 9-10) que, juntamente com o Espírito, diz ao Senhor Jesus: Vem! (Ap 22,17).

 2. É esta Igreja bela, porque incondicionalmente amada, que acolhe hoje, Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, com o coração em festa, o seu Senhor (Lucas 19,28-40), gritando jubilosamente: «Bendito o que vem em nome do senhor!».

 3. Acolhe-o jubilosamente, para depois discipularmente o seguir nos seus passos decisivos, de que aqui salientamos apenas alguns momentos. A partir do cenário apresentado no ponto 5., todos os dados são exclusivos de Lucas. Continuar a ler

40 dias de quaresma: Sábado da semana V

Escutando no vento
 Tua voz secreta
 Que me sopra por dentro
 Deixa-me ser só seu
 No teu colo eu me entrego,
 Para que me nutras
 E me envolvas
 Deixa-me ser só seu

Sara Tavares, Um ponto de luz

©Alex Wolkowicz

©Alex Wolkowicz

A Quaresma é caminho de libertação do que nos separa de Deus para chegar, a partir da morte e Ressurreição de Jesus, ao encontro com a vida divina. Isto é algo grande e ao mesmo tempo simples a partir da nossa história, do nosso nome: Deus conhece cada pessoa pelo seu nome. Temos sempre uma identidade com Deus, que se O escuto pode mudar. Ou seja, quando há uma disposição de coração, dá-se o encontro e entende-se a missão, a chamada, a vocação que Deus tem para cada ser humano. Assim, que este tempo que nos aproxima da Semana Santa seja ainda tempo para abrir o coração às mudanças que Deus convida e, “não apanhando pedras para atirar a Jesus” e a mais ninguém, seja oportunidade de escutá-Lo: “eu existo, no entanto, o meu existir é tão humilde que te peço colaboração para dar vida às pessoas que se aproximam de ti”.

Pensamento de Paulo,sj