A resignação de Bento XVI e o novo Papa Francisco – Perspetiva de um não-crente.

A comunidade iMissio é uma comunidade virtual que pretende explorar o lado mais familiar da comunidade concreta, a IGREJA, sendo expressão quotidiana da nossa fé, utilizando para isso os meios tecnológicos mais atuais. Como comunidade está também aberta a todas as pessoas de boa vontade. No seguimento do encontro do Papa Francisco com os jornalistas, crentes e não crentes, convidei o Frederico Francisco, não crente, a partilhar connosco a sua perspetiva sobre os últimos acontecimentos na igreja: a resignação de Bento XBI e a eleição do Papa Francisco. Segue-se a perspetiva do Frederico Francisco.

GIUSEPPE CACACE:AFP

A resignação de Bento XVI ao pontificado apanhou o mundo de surpresa. Antes de qualquer análise às suas causas e consequências, numa reação inicial, tomei imediatamente esse ato como um sinal positivo. Sendo um defensor da renovação no poder no sentido republicano, não pude deixar de ver algum desse espírito nesta decisão.

Não sendo crente e, em particular, não acreditando que o mandato do Papa lhe é conferido pelo Espírito Santo, não tenho qualquer conflito com a ideia de que Deus possa dar uma tarefa alguém que não tem capacidade de a cumprir até ao fim. Ainda assim, percebo que muitos católicos pudessem questionar a decisão do anterior Papa nesta base, no contexto da sua fé. Penso, no entanto, que se trata da maior demonstração de humanidade e do carácter terreno do seu cargo que um Papa poderia dar.

Na minha perspectiva tratou-se, por um lado, do reconhecimento que as pressões e exigências a que o Papa está sujeito são muito grandes e que estão para lá das forças de um Joseph Ratzinger com 86 anos e uma saúde em declínio. Por outro lado, penso que há um sinal muito forte no sentido de uma renovação da Igreja. Isso fica patente no seu discurso, quando Bento XVI fala nas rápidas mudanças que o mundo de hoje atravessa e reconhece a sua incapacidade para governar a “barca de Pedro”. Para além disso, a resignação voluntária de um Papa estabelece um precedente para o futuro, a meu ver positivo, e que penso que não foi ignorado por Bento XVI.

Aquilo que observamos após a resignação de Bento XVI foi o mais mundano dos processos de disputa pela liderança de uma organização, em muito pouco diferente do que esperaríamos, por exemplo, de uma disputa pela liderança de um partido político. Houve fugas de informação para os jornais, factos desfavoráveis da vida pessoal que vieram a lume precisamente nesta altura (por mera coincidência, certamente…) e até uma aparente “contagem de espingardas”, muito à semelhança do que antecede antes de um congresso de um partido. Todos estes factos vão bastante de encontro à minha convicção de que o Espírito Santo não tem qualquer intervenção no processo de escolha do Papa. Não deixa de ser lamentável que os círculos de poder da Igreja não aparentem ter critérios morais e éticos superiores aos de um mundo político que todos reconhecemos ter uma grande falta de moral e de ética.

A escolha final acabou por recair num nome que, apesar de falado como possível, não era apontado como um dos favoritos. As informações que, entretanto, chegaram à imprensa vindas do conclave indicam que houve uma convergência dos cardeais das Américas em torno de Jorge Bergoglio em oposição a outra facção liderada por membros da curia romana. Em todo o caso, estas informações tem sempre uma validade bastante questionável.

Mais relevante é observar o perfil e a atuação inicial do novo Papa Francisco. Desse ponto de vista, não me parece que seja irrelevante o facto de se um jesuíta, tal como não me parece irrelevante a escolha do nome. Estamos, então, perante um homem que é apresentado como um conservador da linha dura em aspectos doutrinários, na melhor tradição da Companhia de Jesus. A somar a isso, é membro da hierarquia da Igreja num país em que esta colaborou com o poder do regime autoritário de Pinochet. Finalmente, é apresentado como um “homem do povo” que vive no seu apartamento, cozinha a sua comida, conduz o seu carro e leva uma vida “normal”.

Sinais contraditórios: Conservador ou exigente? Colaboracionista ou resistente? Homem do povo ou populista? Aqui penso que teria sido útil algum esforço de escrutínio por parte de quem tem a competência para o fazer: os jornalistas. Aliás, ao longo de todo este processo, que começou com a resignação de Bento XVI, a comunicação social tem-se abstido de fazer o seu trabalho de análise que se pretende objetiva. Nos aspetos relacionados com a Igreja há, na minha opinião, por parte, em especial de alguns jornalistas destacados para o Vaticano, um défice de jornalismo que é compensado com um excesso de algo que eu classificaria como propaganda.

Ainda assim, todos os sinais que temos apontam, de facto, para um novo estilo de pontificado menos magestático e mais próximo das pessoas. Desde algumas mudanças subtis nas vestes do Papa até ao estilo de discurso mais coloquial fazem por aumentar essa proximidade. Soma-se a isso uma ênfase maior no título de “Bispo de Roma” do que no de “Pastor da Igreja Universal”. Desta forma, parece haver uma vontade de fazer a Igreja regressar às suas raízes, de ser mais uma comunidade de fiéis do que organização centralizada e poderosa.

Posto isto, e apesar de alguma preocupação inicial com um excessivo conservadorismo do Papa Francisco em questões de costumes, acompanhado de uma atuação que poderia ser classificada como populista, estou agora mais optimista. A minha expectativa é que este Papa tenha a força, a vitalidade, a coragem, o peso político e, se necessário, a dureza suficiente para fazer as reformas que a Igreja e, em particular, a curia romana precisam. Espero que, desta forma, atue no sentido de retomar o papel da Igreja como uma das referências morais de uma sociedade em busca de referências (especialmente, na Europa). Mesmo não tendo fé, considero que este é um papel essencial da religião na manutenção das sociedades.

Estou convencido que foi por saber da necessidade e urgência dessas reformas que Bento XVI abriu caminho para a sua sucessão.

Fredrico Francisco

Siempre renuncias, Benedicto!

Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender as 8h da manhã quando te acordam …para dizer em poucas palavras: “Daniel, o papa renunciou.”
Eu apressadamente contestei: “Renunciou?”.
A resposta era mais que óbvia, “Renunciou, Daniel, o papa renunciou!”.
O papa renunciou. Assim amanheceu escrito em todos os jornais, assim amanheceu o dia para a maioria, assim rapidamente alguns tantos perderam a fé e outros muitos a reforçaram.
Poucas pessoas entendem o que é renunciar.
Eu sou católico. Um de muitos. Desses que durante sua infância foi levado à missa, cresceu e criou apatia.
Em algum ponto ao longo da estrada deixei pra lá toda a minha crença e a minha fé na Igreja, mas a Igreja não depende de mim para seguir, nem de ninguém (nem do Papa).
Em algum ponto da minha vida, voltei a cuidar da minha parte espiritual e assim, de repente e simplesmente, prossegui um caminho no qual hoje eu digo: Sou católico.
Um de muitos sim, mas católico por fim. Mas assim sendo um doutor em teologia, ou um analfabeto em escrituras (desses que há milhões), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de provocações e orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre sendo Papa.
Por isso hoje quando acordei com a notícia, eu, junto a milhões de seres humanos, nos perguntamos “por que?”. Por que renuncia senhor Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? A ganhou? E hoje, 12 horas depois, creio que encontrei a resposta: O senhor Ratzinger renunciou toda a sua vida.
Simples assim.
O papa renunciou a uma vida normal.
Renunciou a ter uma esposa.
Renunciou a ter filhos. Renunciou a ganhar um salário.
Renunciou à mediocridade.
Renunciou às horas de sono pelas horas de estudo.
Renunciou a ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial.
Renunciou a preencher a sua cabeça de Mozart, para preenchê-la de teologia.
Renunciou a chorar nos braços de seus pais.
Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira.
Renunciou a desfrutar  de seu país.
Renunciou a seus dias de folga.
Renunciou a sua vaidade.
Renunciou a defender-se contra os que o atacavam.
Sim, isso me deixa claro que o Papa foi, em toda sua vida, muito apegado à renuncia.
E hoje, voltou a demonstrar.
Um papa que renuncia a seu pontificado quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, parece ser um Papa sábio.
Nada é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem seus sacerdotes, nem os laicos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela.
Mas ser Papa nesse tempo do mundo, é um ato de heroísmo (desses heroísmos que acontecem diariamente em nosso país e ninguém nota).
Recordo sem dúvida, as histórias do primeiro Papa. Um tal… Pedro. Como morreu? Sim, em uma cruz, crucificado igual ao teu mestre, mas de cabeça para baixo.
Hoje em dia, Ratzinger se despede de modo igual. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado pelos seus irmãos católicos. Crucificado pela sombra de alguém mais carismático.
Crucificado na humildade que tanto dói entender. É um mártir contemporâneo, desses que se pode inventar histórias, a esses que se pode caluniar e acusar a vontade, que não respondem.
E quando responde, a única coisa que faz é pedir perdão. “Peço perdão pelos meus defeitos”. Nem mais, nem menos. Quanta nobreza, que classe de ser humano.
Eu poderia ser mórmon, ateu, homossexual e abortista, mas ver uma pessoa da qual se dizem tantas coisas, que recebe tantas críticas e ainda responde assim… esse tipo de pessoa, já não se vê tanto no mundo.
Vivo em um mundo onde é engraçado zombar o Papa, mas que é um pecado mortal zombar um homossexual (e ser taxado como um intolerante, fascista, direitista e nazista).
Vivo em um mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um senhor de 85 anos que quer o melhor para a Instituição que representa, mas lhe indagamos com um “Com que direito renuncia?”.
Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Ninguém se sente cansado ao ir pra escola. Ninguém se sente cansado ao ir trabalhar. Vivo um mundo onde todos os senhores de 85 anos estão ativos e trabalhando (sem ganhar dinheiro) e ajudam às massas. Sim, claro.
Mas agora sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que vai sentir falta do senhor.
Em um mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, mas que em 50 anos se lembrará como, com um simples gesto de humildade, um homem foi Papa, e quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu partir por amor à sua Igreja. Vá morrer tranquilo senhor Ratzinger.
Sem homenagens pomposas, sem um corpo exibido em São Pedro, sem milhares aclamando aguardando que a luz de seu quarto seja apagada. Vá morrer, como viveu mesmo sendo Papa: humildemente.
Bento XVI, muito obrigado por renunciar.

Daniel

Recebi este artigo por e-mail de um amigo português, Domingos Ribeiro da Costa, que vive em Itália. Partilho pela grata surpresa ao ler o texto.

O Papa pertence a todos e todos lhe pertencem

©Tiago Freitas

Quando Bento XVI terminou a catequese da sua última audiência geral, não era claro se tinha feito um comentário ao texto bíblico de S. Paulo ou se, por outro lado, havia incarnado o espírito do grande apóstolo dos gentios. As semelhanças eram evidentes demais para serem ignoradas: o estilo coloquial e afectuoso do discurso, a releitura do seu ministério paterno à luz da cruz de Cristo, o reconhecimento das suas fragilidades e a análise da identidade da Igreja. Pessoalmente, e talvez a todos os que ali estiveram presentes, pareceu-nos escutar algumas passagens íntimas do seu diário espiritual.

A grande inclusão do seu discurso – que iniciou com «agradeço-vos por terem vindo» e terminou com um simples «obrigado!» – deu o tom de acção de graças e de despedida ao momento. Palavras recebidas calorosamente e retribuídas na justa medida. A cada duas ou três frases, Bento XVI era interrompido pelos aplausos e pelas bandeiras que espelhavam a criatividade dos povos. Lembro-me de um particular curioso. A dada altura assisti a um diálogo improvisado (não real) com a assembleia. Ao meu lado, um homem gritava «Resta con noi» – fica connosco – e o Santo Padre afirmava um «sempre» e «para sempre». «Não abandono a cruz, mas permaneço de um modo renovado junto do Senhor crucificado».

Encontro emotivo? Talvez. Verdadeiro? Certamente. Verdadeiro porque Bento XVI apresentou a sua alma com uma transparência desconcertante. A palavra que mais vezes repetiu foi «sinto» (algo paradoxal para quem foi repetidamente rotulado de frio e distante). Sentia alegria, confiança e o apoio familiar das «pessoas simples» que lhe escreviam na qualidade de «irmãos e irmãs». Com verdade afirmou «nunca me senti só». Sentiu também o peso da cruz, da idade, das forças. Sentiu que devia justificar uma vez mais o seu gesto «difícil», «grave» e «novo». Fê-lo, todavia, com serenidade de espírito e consciente que a  «barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é Sua [Cristo]».

Porventura este foi o último testemunho público de Bento XVI: «a consciência é o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser» (GS 16). E, por isso, na oração, no confronto com Cristo e na sua íntima consciência tomou a decisão «mais justa, não para o próprio bem, mas para o bem da Igreja». Igreja essa que agora se abre novamente à voz do Espírito.

Pe. Tiago Freitas| Roma, 27 de Fevereiro de 2013

“Também para mim foi uma alegria caminhar convosco ao longo destes anos”, Bento XVI

Venerados e queridos Irmãos!

 É com  grande alegria que vos recebo e ofereço a cada um de vós a minha saudação mais cordial. Agradeço ao cardeal Angelo Sodano que, como sempre, soube fazer-se intérprete dos sentimentos do Colégio inteiro: Cor ad cor loquitur. Obrigado de coração,  Eminência. E gostaria de dizer – retomando a referência da experiência dos discípulos de Emaús – que também para mim foi uma alegria caminhar convosco ao longo destes  anos, na luz da presença do Senhor ressuscitado.

Como disse ontem diante dos milhares de fiéis que encheram a Praça de São Pedro, a vossa proximidade e o vosso conselho  foram para mim de grande ajuda no meu ministério. Nestes oito anos, vivemos com fé momentos muito agradáveis de luz radiosa no caminho da Igreja, juntamente com momentos nos quais algumas nuvens se adensaram no céu. Procurámos servir Cristo e a sua Igreja com amor profundo e total, que é a alma do nosso ministério. Demos esperança, a que vem de Cristo, que só pode iluminar o caminho. Juntos podemos dar graças ao Senhor que nos fez crescer na comunhão, e juntos pedir-lhe  para que vos ajude a crescer ainda nesta unidade profunda, de modo que o Colégio dos Cardeais seja como uma orquestra, onde as diversidades – expressão da Igreja universal  –  concorram  sempre para a harmonia superior e concorde.

Gostaria de vos deixar um pensamento simples, que me está muito a peito: um pensamento sobre a Igreja, sobre o seu mistério, que constitui para todos nós – podemos dizer – a razão e a paixão da vida. Deixo-me ajudar por uma expressão de Romano Guardini, escrita precisamente no ano em que os Padres do Concílio Vaticano II aprovavam a Constituição Lumen gentium, no seu último livro, com uma dedicatória pessoal também para mim; portanto as palavras deste livro são-me particularmente queridas. Diz Guardini: A Igreja «não é uma instituição pensada e construída sob um projecto…. mas uma realidade viva… Ela vive ao longo do tempo, no futuro, como todos os seres vivos, transformando-se… E no entanto na sua natureza permanece sempre a mesma, e o seu coração é Cristo». Foi a nossa experiência, ontem, parece-me, na Praça: ver que a Igreja é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo e vive realmente pela força de Deus. Ela está no mundo, mas não é do mundo: é de Deus, de Cristo, do Espírito. Vimos isto  ontem. Por isso é verdadeira e eloquente também outra famosa expressão de Guardini: «A Igreja desperta nas almas». A Igreja vive, cresce e desperta nas almas, que – como a Virgem Maria – acolheram a Palavra de Deus e a conceberam por obra do Espírito Santo; oferecem a Deus a própria carne  e, precisamente na sua pobreza e humildade, tornam-se capazes de gerar Cristo hoje no mundo. Através da Igreja, o Mistério da Encarnação permanece para sempre presente. Cristo continua a caminhar através dos tempos e em todos os lugares.

Permaneçamos unidos, queridos Irmãos, neste Mistério: na oração, especialmente na Eucaristia quotidiana, e assim servimos a Igreja e a humanidade inteira. Esta é a nossa alegria, que ninguém nos pode tirar.

Antes de vos saudar pessoalmente, desejo dizer-vos que continuarei a estar convosco com a oração, especialmente nos  próximos dias, a fim de que sejais plenamente dóceis à acção do Espírito Santo na eleição do novo Papa. Que o Senhor vos mostre o que Ele quer. E entre vós, entre o Colégio Cardinalício, está também o futuro Papa ao qual já hoje prometo a minha reverência e obediência  incondicionadas. Portanto, com afecto e reconhecimento, concedo-vos de coração a Bênção Apostólica.

2013-03-01 – L’Osservatore Romano

Oito anos de ensinamentos de Bento XVI que vão passar para a História

Última Audiência de Bento XVI ©news.va

Última Audiência de Bento XVI ©news.va

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 27-02-2013, Gaudium Press– Em seu Pontificado de quase oito anos, Bento XVI publicou três Encíclicas. A primeira delas veio a lume apenas oito meses depois que ele foi eleito: “Deus caritas est“. Numa tradução literal seu nome seria “Deus é Amor” e trata do tema “amor divino e amor humano” com profunda reflexão.

Na ocasião de sua publicação o próprio Papa, em palavras proferidas em 23 de janeiro de 2006, afirmou: “Nesta Encíclica queria mostrar as diversas dimensões do conceito de amor. O eros, o dom do amor entre o homem e a mulher vem da mesma fonte de bondade do Criador, como também a possibilidade de um amor que renuncia a si mesmo em favor dos demais“.

Em 2007 foi a vez do Santo Padre tratar da esperança em uma Encíclica que se chamou “Spe salvi”. Era a segunda Encíclica de Bento XVI. Nela ele explica os motivos que levam os cristãos a ter esperança na vida terrena e na vida futura. Ela traz argumentos que justificam a virtude da esperança cristã.

A terceira encíclica foi publicada no ano de 2009. Seu nome: “Caritas in veritate”, ou seja, A Caridade na Verdade. Trata-se de uma Encíclica sobre questões sociais. Nela o Papa propõe um desenvolvimento integral com base na caridade e respeitando a verdade da pessoa. Uma orientação que traz luz sobre a grave crise econômica mundial.

Além da três Encíclicas, Bento XVI escreveu quatro Exortações Apostólicas, fruto das reflexões dos sínodos dos Bispos. Dessas exortações, uma fala sobre o sacramento da Eucaristia, uma segunda exortação tem como tema “a Palavra de Deus e a missão da Igreja. A terceira exortação Apostólica trata sobre a Igreja na Africa. A última delas trata da Igreja no Oriente Médio.

O Papa Bento XVI publicou também um grande número de documentos de governo: 129 Cartas Apostólicas e 116 Constituições Apostólicas. 

Para o Diego Contreras, professor de Comunicação Social Institucional da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, em Roma, em declarações feitas a “Rome Reports”, afirma: “Não só a especulação teológica mas a forma em que essa especulação é feita se faz vida e a aplica aos fiéis de todas condição. Creio que é uma riqueza que lembra os Padres da Igreja que eram muito profundos, porém, eram entendidos por todos e o que ensinavam tinha aplicações práticas para a maioria dos cristãos”.

Destaca-se também sua trilogia de discursos sobre o bom governo e as relações Igreja-Estado, em Paris, Londres e Berlim; ou seu discurso acadêmico em Regensburg, na Alemanha.

A tudo isso ainda é necessário que seja somado outro presente que Bento XVI deixa para a Igreja: suas catequeses e homilias. sem dúvida, um imenso patrimônio magisterial que os católicos levarão muitos anos para assimilar.

“Sinto vontade de lhe dizer: “Não vás, precisamos de ti””

Bento XVI num momento da sua última aparição pública, que foi acompanhada por vários cardeais GABRIEL BOUYS/AFP

Bento XVI despediu-se de uma “Igreja viva”, numa praça cheia de emoção contida. Lembrou os momentos “de alegria e de luz” e as “águas agitadas” dos seus oito anos de pontificado

Luisa Borgia já tinha estado em São Pedro no funeral de João Paulo II e na sua beatificação. Já tinha visto Bento XVI à janela e naquela mesma cadeira, no altar diante da basílica. Gostou de ter vindo à sua despedida. “O povo católico sabe unir-se quando é preciso. Estivemos nós aqui e sei que estiveram tantos em oração com ele, em todos os cantos do mundo”, diz a professora de Bioética, ao lado do marido e do filho.

Este Papa não voltará a acenar aos fiéis da varanda, não voltará a percorrer a Praça de São Pedro no Papamóvel, acenando com tempo e sorrindo aos que o queiram saudar. Não mais se sentará na cadeira ao centro do altar para falar ao mundo católico nem voltará a erguer-se, de braços levantados e sorriso franco e agradecido, a saborear um longo aplauso.

“Não o vi cansado nem curvado pela idade ou pelo frio. Vi-o abalado, mas pela emoção. É um Papa muito reservado. Mas hoje custou-lhe esconder os sentimentos”, diz Luisa.

Os fiéis viram que se emocionava e emocionaram-se com ele. O último acto público do Papa Bento XVI foi a audiência geral aos bispos de ontem de manhã. Os bispos ocuparam os seus lugares nas escadarias, mas quem encheu a praça de sorrisos e suspiros, de olhares e de silêncios cúmplices, foram dezenas e dezenas de milhares de fiéis comuns, homens de batina e gente só de fé.

“Estou realmente comovido”, disse Bento XVI. “Obrigado, obrigado”, “Obrigado, Santidade”, assim o receberam os fiéis, entre aplausos e agitar de bandeiras, de Itália, do Vaticano, de Portugal, dos Estados Unidos, da Índia, da África do Sul, da Alemanha, de Espanha, do Brasil… “Viva o Papa, viva o Papa!”, assim se despediram, uma hora e meia depois da chegada a São Pedro, que pela última vez percorreu no interior do Papamóvel.

“Não creio que possamos compreender os motivos da sua decisão. Renunciar foi algo que ele teve de fazer… E que nós aceitamos. É um momento profundamente difícil, para o Papa e para o homem”, afirma Luisa.

“Agradeço a todos o respeito e a compreensão com que acolhestes a minha decisão”, ouvira antes Luisa a Bento XVI. Uma escolha “grave” e “rara”, admitiu Ratzinger, mas tomada “com profunda serenidade de espírito”, disse o Papa, que partilhou ter pedido “com insistência a Deus” que o iluminasse para o “fazer tomar a decisão mais justa”. “Não para o meu bem, mas para o bem da Igreja.”

Os homens de fé não estão livres de dúvidas e Ratzginer recordou que já antes duvidara e rezara, a 19 de Abril de 2005. “Senhor, por que me pedes isto? É um grande peso que coloco sobre os ombros. Mas, se me pedes, confio em ti.”

A praça, que o escutou sempre no silêncio quase absoluto, interrompeu para o aplaudir. E de novo, mais à frente, quando disse: “Amar a Igreja significa ter a coragem de fazer escolhas difíceis, sofridas”, disse, antes de evocar “os momentos de alegria e de luz” “e os “momentos não-fáceis” que marcaram o seu pontificado. As “águas agitadas” que também experimentou aos comandos da barca de São Pedro, oito anos de intervenções teóricas e encíclicas sem poder ignorar os escândalos de corrupção e as denúncias de abusos sexuais, a terminarem na explosão da polémica dos documentos roubados que fazem o retrato de uma Cúria dominada por lobbys de interesses antagónicos.

Permanecer na cruz

Eram 10h35 quando o Papa chegou à Praça de São Pedro. Doze horas em ponto em Roma (uma hora a menos em Lisboa) quando desceu do altar e entrou de novo no Papamóvel. Entre a chegada e a partida, foi tempo de comunhão. “O Papa pertence a todos e todos lhe pertencem”, disse. “A minha decisão de renunciar não muda isto. Não abandono a cruz, permaneço nela. Continuarei a dedicar-me à Igreja.”

O guião estava escrito: percorrer a praça no Papamóvel, saudar os fiéis, caminhar até ao altar, sentar-se, ouvir os bispos lerem a Carta de São Paulo aos Colossenses em oito línguas, incluindo o português, discursar aos fiéis, ler a catequese em várias línguas e ouvir, de novo em várias línguas, os agradecimentos dos peregrinos de todo o mundo, rezar o Pai Nosso em latim, pela última vez, regressar ao Papamóvel para as despedidas finais.

O guião não dizia que Bento XVI tivesse de sorrir tanto, que os fiéis que o ouviam de olhos marejados contivessem as lágrimas, que o Papa se demorasse tanto nos acenos, que estivesse comovido e ao mesmo tempo de mãos tão firmes, enquanto segurava as páginas do seu último discurso. O guião até previa a multidão e o céu de azul-claro e manso, o sol quente a temperar o frio de fim de Fevereiro em Roma. As palavras de agradecimento trocadas. Mas não podia prever tantos sorrisos e emoções partilhadas em silêncio.

“Foi muito impressionante. Ver todas estas pessoas com o coração cheio”, diz Utta Graf, ao lado do marido, Jurgen, os dois protestantes de Hamburgo, contentes por estarem em Roma. “É fantástico. Ele trouxe-nos aqui, juntou-nos”, afirma Jurgen. “Estamos aqui em paz, sem pensar em dinheiro ou em problemas. Estamos todos juntos e as caras das pessoas estão brilhantes, não estão muito sérias. Gosto disso”, completa Utta.

O Papa usou o seu último discurso para agradecer, “sobretudo a Deus” e aos presentes. “Eu sempre soube que a barca da Igreja não é nossa, mas é Sua. E o Senhor não a deixa afundar. É ele que a conduz certamente, mesmo que através dos homens que escolhe”, afirmou, tantas vezes interrompido por aplausos. Essa é “uma certeza que nada pode ofuscar”.

A irmã Marianela Cruces chegou cedo, mas preferiu deixar-se ficar ao longe, debaixo das colunas laterais da praça, ora de pé, ora sentada. Não teve de correr, como outras freiras, pela Via della Conciliazione das lojas de recordações, entre polícias de trânsito e voluntários da Cruz Vermelha, funcionários da protecção civil e vendedores de jornais, guias turísticos, padres e gente de bandeira do Vaticano ao pescoço, pessoas embrulhadas nas bandeiras dos seus países, um homem com uma enorme cruz às costas.

A graça dele é a fé

Marianela percorreu devagar o caminho entre a residência onde vive e o Vaticano, e esperou sem pressas para ouvir o Papa. “É uma graça muito especial. Imagino que lhe custe tanto… Expressar o que lhe vai na alma, os seus sentimentos”, diz, feliz por se poder despedir dele, mas a pensar nas suas irmãs, que deixou no Peru. “Agora, é preciso rezar, rezar muito, a pensar nesta grande missão que têm os cardeais. Não é nada fácil, mas o Senhor também se vale dos seus instrumentos para os ajudar.”

A irmã Marianela vai rezar, sabendo que “ninguém rezará” tanto como Bento XVI. “Ele, mais do que ninguém, sabe a situação da Igreja. Ele é um homem santo, tão ligado ao Senhor, tão capaz, tão profundo”, diz. “Que pena que não o podemos ter para sempre! Sinto o desejo de lhe dizer: “Não vás, precisamos de ti”. Mas ele sabe que deve partir. Deixa a convicção de que a Igreja é do Senhor e a graça dele é a fé.”

Marianela nem imagina como terá sido difícil a Ratzinger escolher a renúncia, uma decisão tão pesada que nenhum Papa a ousara desde 1415. “Que força teve até ao último momento!”, diz a freira de 37 anos. “Mas ele está cansado e o Senhor quis que assim fossem as coisas.”

Lembrando as viagens e os peregrinos que encontrou e as cartas que tantos “irmãos e irmãs, e filhos e filhas” lhe escreveram, Bento XVI disse aos fiéis que, “hoje, a Igreja está viva” e que “a Igreja é um corpo vivo”. Um corpo que ele pôde sentir como poucos: experimentar a Igreja deste modo é quase como poder tocar-lhe com as mãos.”

Marianela emocionou-se com as suas palavras, André, seminarista brasileiro de 33 anos, comoveu-se ao “ver bandeiras de todo o mundo” e “o Papa, com toda a sua humildade”. Pascal Fomonyuy, franciscano dos Camarões a estudar em Roma, ficou com os olhos ainda mais brilhantes e o sorriso ainda mais rasgado.

Antes de se despedir, o homem que hoje pelas 20h deixará de ser Papa disse que rezará “pelos cardeais chamados a uma escolha difícil” e pelo sucessor”. Depois, pediu a todos para nunca perderem a fé. “Cada um de nós vive alegre, na certeza de que o Senhor está por perto, nunca nos abandona, está junto de nós com o seu amor. Obrigado.”

As mãos dos fiéis, muitas antes quietas e pousadas sobre o peito, puderam então aplaudir sem interrupções. Até a voz do Papa se voltar a ouvir, no Pai Nosso em latim, e a praça a rezar com ele, baixinho. Bento XVI sorriu e a praça aplaudiu de novo. Dois minutos durou o sorriso, um pouco mais os aplausos, os cardeais de pé, o resto da praça a gritar “Obrigado!” e “Viva o Papa!”.

“Nunca estarás sozinho”, lia-se num dos cartazes com mensagens para o Papa. “Que viva o Papa, que viva o Papa!”, gritou-se por fim, entre mais sorrisos e trocas de abraços. “Bento, Bento, Bento!”

“Foi um momento muito difícil para ele, cheio de amor e de dor”, diz Pascal. “O que posso fazer faço, o que não posso não faço.” Foi esta, para o frade de 36 anos, a lição de Ratzinger. Pascal vê-o “como um profeta vivo”, mas despede-se com “tranquilidade” e cheio de “encorajamento”. Agora, resta esperar pelo sucessor: “A Igreja é de Cristo, não é de Bento”.

Se pudesse falar-lhe na sua última audiência, Pascal teria poucas palavras para Bento XVI. “Coragem. Obrigado. Amo-te.” Hoje, alguns dos que ontem encheram a Praça de São Pedro voltarão para viver de perto os últimos momentos deste pontificado. André, o seminarista do estado da Paraíba, vai ficar em casa. “Vou subir ao terraço e ficar lá a olhar o helicóptero e a rezar por ele. Ele disse que vai subir o monte e nós estamos a subir o monte com ele.”

SOFIA LORENA, EM ROMA|Público|28/02/2013

Fiz as pazes com Bento XVI

Meu querido Santo Padre. Confesso que ainda estou a ter algumas dificuldades em aceitar a sua decisão.

Aceito-a com devoção filial, mas tenho muito medo que sirva para “relativizar” o carácter do ministério que ocupa até às 20h00 de 28 de Fevereiro.

Há algum tempo que dizia que não gosto do princípio de que os bispos, nossos pais na fé, resignem por limite de idade, quais funcionários públicos. Desde que tornou pública a sua decisão, já ouço demasiada gente a dizer que isto é o culminar de um processo e que, a partir de agora, todos os Papas vão ter de considerar o seu exemplo, quando as forças começarem a fraquejar. Eu não quero ver construir no Vaticano um lar de terceira idade para papas reformados. Morreria feliz se o seu exemplo não for seguido por mais ninguém.

Mas respeito-o. Respeito porque sei que não quer nada que não o bem da Igreja que tanto ama e que, obviamente, conhece melhor o seu estado de saúde do que eu ou qualquer outro comentador.

Respeito-o, sobretudo, porque sei que foi uma decisão rezada, profunda e sincera. E foi isso que me levou a fazer as pazes com a sua decisão. A oração.

Sei bem que não há maior arma contra os inimigos da Igreja que a oração. Esse será, para sempre, o seu melhor escudo contra o mal. E há tanto mal! Há tantos ataques! Sobretudo os que vêm de dentro, protagonizados por responsáveis da Igreja, como tão bem nos tem lembrado, inclusivamente, durante a sua viagem a Portugal.

Estamos em guerra, Santo Padre, e sei que as guerras ganham-se, em última instância, na frente de batalha, nas trincheiras. Os nossos trunfos nesta batalha não são os bem-falantes, não são os dedicados nem os muito praticantes. Os nossos trunfos são os que rezam. Só rezam. Nada mais fazem do que rezar. Os monges e freiras, aparentemente fechados e afastados do mundo, são as nossas armas de devoção maciça.

Por isso, agora acho que compreendo. Vai para as trincheiras, não vai? Vai combater o bom combate, no local onde ele custa mais. Não está a fugir. Não poderia fugir. Vai arregaçar as mangas e travar a luta que eu e tantos outros, por melhores que sejam as intenções, não podemos travar.

Vá Bento XVI. Prometo rezar por si. Vá para as trincheiras, vá lutar. É aí que Deus o quer agora. É também a si, agora, que a Igreja confia a sua protecção!

Filipe d’Avillez, em RR!

ps: obrigado Filipe d'Avillez pelo testemunho! Muitos o pensamos, mas poucos o escreveríamos.

ATO DE GRANDE CORAGEM E DE GRANDE AMOR

Continuamos a digerir a notícia que a todos nos apanhou de surpresa: a resignação do Papa Bento XVI. No passado dia 11 de fevereiro foi notícia em todos os órgãos crentes e não crentes este anúncio:

Caríssimos irmãos, […] Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

©DNPJ

O papa desistiu de o ser? “Abandonar cargo, função, título.” O mesmo que “abdicar”, “resignar”. Razões objetivas que Bento XVI apresentou para deixar de ser papa: falta de força, idade avançada, o mundo de hoje requer vigor de corpo e mente, é um ato em plena liberdade. Muitas outras coisas se têm escrito e lido, mas estas foram as razões apresentadas por Sua Santidade.

Porque causa tanta admiração este ato tão humano e genuíno? Na história da Igreja Católica, só dois Papas renunciaram ao cargo antes de Bento XVI. Celestino V, o asceta conhecido como “Pietro da Morrone”, que em 1294 assinou o primeiro decreto solene de renúncia papal; e Gregório XII, o Patriarca de Constantinopla eleito Papa de Roma em 1406, cuja resignação em 1415 no Concílio de Constança pôs fim ao Grande Cisma do Ocidente e restabeleceu a unidade da Igreja.

Como foi classificado este acontecimento?

É um “ato de grande coragem e de grande amor”, [padre José de Tolentino Mendonça]; “extraordinariamente corajoso” [D. José Policarpo]; “era necessário vencer toda uma tradição que não aponta para ser normal um ato destes” [D. Ilídio Leandro]; “revela enorme lucidez” [P. Victor Feytor Pinto].

É um “gesto único” na Igreja, [D. Januário Torgal Ferreira]. D. Manuel Clemente, considera que a decisão “é reveladora de um testemunho de sabedoria, de coragem e de verdade com que Bento XVI assumiu as funções tão difíceis de sucessor de Pedro”, disse à Renascença. Trata-se de “um testemunho de coragem e de verdade”.

Texto escrito para DNPJ

Bento XVI vai ser “Papa Emérito”

©news.va

Cidade do Vaticano (RV)– O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, realizou na manhã desta terça-feira mais uma coletiva de imprensa, em que esclareceu algumas das muitas dúvidas dos jornalistas.
Uma delas é sobre como Bento XVI será chamado a partir do dia 28 de fevereiro. A resposta é: continuará a chamar-se Sua Santidade Bento XVI, mas foi escolhido também Papa Emérito ou Romano Pontífice Emérito.
Sobre as vestes: branca, simples, sem mantelete. Não são mais previstas os sapatos vermelhos. “Parece que o Papa ficou muito satisfeito com os sapatos que lhe presentearam no México, em Leon”, disse Pe. Lombardi.
Não usará mais o anel do pecador, para o qual o Camerlengo, com o decano, darão o fim que a Constituição prevê.
Sobre o dia de hoje, o Papa a transcorrerá em oração e preparação para a transferência a Castel Gandolfo.
Para a Audiência Geral de quarta-feira, foram distribuídos 50 mil bilhetes. Prevê-se o mesmo esquema: um amplo giro com o papamóvel. Não terá lugar o “beija-mão” – este será feito após a Audiência Geral, na Sala Clementina, para algumas autoridades, como o Presidente da Eslováquia, o Presidente da região da Baviera.
Quinta-feira, às 11h, haverá a saudação aos Cardeais, com o discurso do Decano no início. Às 16h55 (hora local), a partida de carro do pátio de São Dâmaso, saudação dos superiores. No heliporto, haverá a saudação do Cardeal Decano. Às 17h15, a chegada a Castel Gandolfo, onde estarão presentes o Bispo de Albano e outros autoridades. Às 17h30, no Pátio interno o Papa saúda os fiéis – a última saudação pública do Santo Padre. Às 20h, a Guarda Suíça, fecha a porta do Palácio Apostólico, encerrando o serviço para o Papa como chefe da Igreja.