45 segundos + VIDA

45segundosmaisVida

45 segundos + VIDA foi lançamento no passado dia 11 de Outubro de 2012. 45 segundos + VIDA é uma proposta de reflexão sobre o sentido + da VIDA, durante 45segundos por dia e um Projeto de Evangelização nas Redes Sociais desenvolvido pela FRAJUVOC© no âmbito do ANO da FÉ proposto por Bento XVI.

Destina-se Para ti & para os teus amigos/conhecidos: Para ti, para reflectires e dares sentido à rotina do teu dia no trabalho ou estudo. Podes partilhar no teu mural! Para os teus amigos [e amigos dos teus amigos]. Podes partilhar no seu mural, postar nos “grupos” onde estás inserido, comentando e aprofundando de forma a sermos palavra viva de Deus.

Segue uma metodologia muito simples: ①Aprofundar; ②Rezar; ③Por na Vida e ④Avaliar à noite: Continuar a ler

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Cardeais nas redes sociais.

Redes sociais são ambientes de vidaDentre os desafios do mundo moderno que aguardam o novo Papa, existe um que se destaca pela rapidez com que avança: o uso das novas mídias e a capacidade de comunicação com as novas gerações.

Segundo padre Antônio Spadaro, doutor em teologia pela Universidade Gregoriana de Roma e redator chefe da revista ‘Civiltá Cattólica’, o uso das novas tecnologias é muito importante para fazer com que a Igreja seja fermento de vida e esperança nestes novos ambientes de vida que João Paulo II chamou de “areópagos digitais”.
“O Papa está diante do mundo e por isso ele deve ser um homem de comunicação”, disse padre Antônio Spadaro.
Se depender de muitos dos nossos cardeais – e claro, possíveis sucessores de Pedro – este espaço de comunicação entre a Igreja e as novas gerações será cada vez mais curto. O uso das redes sociais pelos prelados da Igreja Católica tem sido cada vez mais comum nos dias de hoje.
Dentre os cardeais mais presentes e influentes nas redes sociais, estão o americano Timothy Dolan, o filipino Luis Tagle, o italiano Giafranco Ravasi e o brasileiro Odilo Scherer.
No Twitter, quem lidera a lista é o cardeal Timothy Dolan (@CardinalDolan), seguido pelo cardeal Gianfranco Ravasi (@CardRavasi@CardRavasi_sp@CardRavasi_en) e pelo brasileiro Odilo Scherer (@DomOdiloScherer). Em quarto lugar aparece Angelo Scola (@angeloscola) e por fim, o cardeal O’Malley (@CardinalSean) [ver lista mais alargada em Cardeais no Twitter].
Já no Facebook, o ranking é liderado pelo filipino Luis Antonio Tagle [125.882 gostos], seguido pelo americano Dolan [17.394 gostos], e, novamente na terceira posição, o cardeal Scherer [6.218 gostos]. Seguindo a lista, o cardeal Burke aparece em quarto lugar, seguido por Francis George, em quinto.
Lido aqui!

Papa pede orações no Twitter. Perfil @pontifex suspenso durante Sé Vacante

Cidade do Vaticano (RV) – “Neste momento particular, peço-vos que rezeis por mim e pela Igreja, confiando sempre na Providência de Deus.” Este foi o tuite de Bento XVI este domingo.
No sábado, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais informou que o perfil @pontifex no Twitter ficará suspenso durante todo o período da Sé Vacante, ou seja, depois das 20h do dia 28 de fevereiro [19 horas, hora de Lisboa] até a eleição do novo Pontífice.
O Secretário do Pontifício Conselho, Mons. Paul Tighe, recordou que este perfil foi criado para uso exclusivo do Papa e que o novo Pontífice utilizará esta rede social se considerar oportuno.
O precedente tuite de Bento XVI foi em 17 de fevereiro, quando escreveu: “A Quaresma é um tempo favorável para redescobrirmos a fé em Deus como base da nossa vida e da vida da Igreja”.
O perfil do Papa no Twitter foi inaugurado em 12 de dezembro passado, e está disponível em nove línguas: latim, português, inglês, espanhol, italiano, francês, alemão, polaco e árabe.
Quase três milhões de pessoas seguem Bento XVI, sendo que os seguidores em português são hoje mais de 88 mil e 400 [88700, às 16horas dia 24.02.13].

”Nas redes sociais precisamos de escutar muito, responder pessoalmente, e transmitir mensagens de esperança”

Entrevista a Xiskya Valladares Paguaga, uma religiosa ”tuiteira”

Roma, 29 de Janeiro de 2013 (Zenit.org). Rocío Lancho García

“Foi mais ou menos há 2 anos que descobri a existência de três elementos inseparáveis na minha vida: o jornal diário, a máquina fotográfica e a Bíblia. Não concebo uma espiritualidade abstracta que não se encarne na realidade do mundo hodierno. Por isso considero necessário estar ao par da atualidade. E nem sequer entendo essa mesma atualidade sem a fotografia que a imortaliza. Porém, não estou a falar da fotografia documental, mas sim de todo o tipo de imagem que exprime realidades que na maioria dos casos não se podem narrar com as palavras. Finalmente, isso seria inútil sem a Palavra de Deus que dá sentido a tudo e sem o podermos partilhar pessoal e virtualmente”. É assim que se apresenta na sua página web Xiskya Valladares Paguaga, uma religiosa da congregação Pureza de Maria, que vive em Palma de Maiorca, Espanha, filóloga e jornalista, uma religiosa ativa e empenhada na evangelização através das redes sociais.

Como é que nasceu em si esta curiosidade, interesse pelas redes sociais?

Xiskya Valladares: Quando surgiu o movimento de 15M [movimento chamado assim pelo 15 de Maio, ou seja dos “indignados”, surgido em Espanha nessa mesma data, com acampamentos na Porta do Sol de Madrid e de outras praças, de organizações citadinas cujo lema comum era democracia real e já] interessava-me acompanhar de perto as suas mensagens para contrastar a informação que aparecia nos jornais com que eles mesmos transmitiam através do Twitter. Tenha em consideração que uma das minhas competências ou profissão é aquela do jornalismo. A partir daí dei-me conta da surpresa que provocava em muita gente o facto de encontrar uma religiosa, de hábito, nas redes sociais. Alguns pensavam que era um perfil falso e naquele momento tive que dar várias explicações e demonstrações de que era autêntica. Porém, o que despertou a minha vocação para evangelizar através das e nas redes foi a JMJ de Madrid 2011, visto que muitas pessoas me agradeciam para que lhes enviasse mensagens em tempo real com o twitter. Aí descobri a grande potencialidade que este meio constitui para a missão evangélica.

O papa dedicou uma mensagem à Jornada Mundial das Comunicações precisamente às redes sociais. O que é que lhe pareceu dessa mensagem?

Xiskya Valladares: Gostei muito porque coincide exatamente com muitas das ideias que também já começamos a reflectir sobre elas na iMisión. É uma mensagem atual, aberta, profunda e que pode encorajar muitos religiosos a subir para o carro da evangelização através das redes sociais. Por isso resulta-me surpreendente que muitos meios de comunicação generalistas em Espanha não tenham comentado nada sobre esta mensagem, quando é tão moderna e cheia de esperança.

Como é que se comunica a mensagem de Cristo através das redes sociais?

Xiskya Valladares: Creio que em primeiro lugar se trata de uma forma de estar e de nos relacionarmos. O próprio papa disse-o bem claro na sua chamada de atenção para viver a autenticidade. E se somos autênticos, teremos que transmitir os valores do Evangelho, mesmo quando recebamos insultos ou ridicularizações pela nossa fé. É a oportunidade de viver esse dar a outra face a que Jesus nos chama, sem deixarmos de ser claros e decisivos sobre os princípios fundamentais da doutrina. Em segundo lugar, penso que devemos dar testemunho de comunhão entre nós, com a Igreja e com o seu Magistério. Que todos sejam um, disse Jesus, para que o mundo acredite… Em terceiro lugar, acolher e consolar todos aqueles que nos pedem orações, para rezarmos por eles, pedem aconselhamento para os seus problemas ou se aproximam de nós feridos por algum motivo. Por isso, necessitamos de escutar muito, responder pessoalmente, e transmitir mensagens de esperança. Em suma, a vida real levada até à virtual, assim como nos foi pedido pelo papa na sua mensagem.

Há pouco mais de um mês que o papa abriu a sua conta no Twitter, isso tem sido um estímulo para que os religiosos sejam mais activos na rede social?

Xiskya Valladares: Penso que sim. Que há um despertar para o sexto continente, o digital. E que o papa nos está a dar o exemplo, não são só teorias. Isso é importante. Antes, qualquer pessoa me podia interrogar, o que é que faz uma religiosa metida nas redes sociais, como se isso fosse incompatível com a minha vocação; agora ninguém me interpela, porque até o próprio papa está no Twitter. De facto, na iMisión continuamos a receber pedidos para a realização de cursos, para pessoas da Igreja que estão mais interessadas por este tipo de evangelização. E, isto parece-me muito importante. Como diz o próprio papa na sua carta, nas redes estão presentes todas as inquietudes e desejos do coração de cada ser humano. E a Igreja deve estar presente. Nós somos Igreja. Temos algo de muito importante para transmitir como resposta a todas essas inquietudes e desejos do coração humano. Aprendendo ao mesmo tempo e com muita humildade dos outros, porém não podemos guardar exclusivamente para nós o tesouro que recebemos como dom: o próprio Cristo e a sua mensagem.

Que vantagens oferecem as redes sociais para a nova evangelização?

Xiskya Valladares: Permitem-nos escutar o lamento do nosso mundo de hoje, permitem-nos dar uma resposta a esse lamento; ajudam-nos a chegar onde nunca teríamos chegado através dos meios tradicionais; permitem-nos unirmo-nos na missão; ajudam-nos a rezar por um maior número de pessoas; põem-nos em movimento para dar as respostas mais criativas às necessidades pastorais que somos capazes de captar; ensinam-nos a trabalhar em equipa e a criar sinergias dentro da mesma Igreja. E que tudo isso dê o seu fruto graças ao Espírito Santo que atua em cada um de nós. Por outro lado, de forma mais pessoal, ajudam-nos a viver com mais humildade mesmo quando nos insultam ou quando contemplamos as situações difíceis nas quais vivem muitas pessoas, ajudam-nos a sermos mais agradecidos pelos dons recebidos.

Já mencionou pelo menos duas vezes o projecto #iMisión. Poderia contar-nos de que se trata?

Xiskya Valladares: Trata-se de uma rede de missionários do sexto continente, o que nós acabamos por chamar iMisioneros. Uma manhã de Junho o H. Daniel Pajuelo, @smdani, e eu tivemos uma conversa em que partilhamos uma série de preocupações sobre a temática da evangelização na Internet. Dessa conversa nasceu iMisión. Nesse mesmo Verão, tanto ele como eu nos dedicamos à reflexão e à oração pelo projeto. Quando retomamos o curso no mês de setembro convidamos outras pessoas para que também elas fizessem parte da equipa que coordenava o projeto. Desde então, temos vindo a realizar uma série de iniciativas nas quais queremos envolver todos os que se identificam e unem ao projecto como colaboradores. A mais importante foi a de iEvangelizar da qual nasceu o nosso Decálogo que é a base teórica daquilo que significa para nós evangelizar na Internet, ou seja, que é a mesmo coisa: ser iMisionero. O mais importante para nós é criar uma rede internacional de iMisioneros no mundo que falem a língua espanhola, oferecer e receber formação no âmbito deste tema técnico e sobretudo da evangelização na Internet e organizar um congresso de iMisioneros que seja a semente de um novo vigor evangélico na rede.

9.844 [hoje, 08|fev|13, 10.117] Followers [seguidores] atualmente no seu perfil. Quando iniciou, pensava que isso seria possível?

Xiskya Valladares: O que é que será! Nunca pensei que poderia chegar a estes números. De facto quando cheguei a mil seguidores já me pareciam muitíssimos. Pensava comigo mesma o que é que pode interessar ao mundo tuiteiro aquilo que uma freira tem para dizer?. Porém, creio que as pessoas agradecem a nossa presença, pelo menos dizem-me que é uma maneira de nos sentirmos mais próximos e quem nos dera que muitas outras religiosas se enchessem de coragem para isso.

Que dificuldade encontrou no seu trabalho como ‘tuiteira’?

Xiskya Valladares: A primeira dificuldade com que me deparei foi a dos ‘trolls’, houve uma época em que não me deixavam em paz. Durante uma semana recebi só em quatro dias mais de 50 tuits diários ofensivos. Porém os ‘trolls‘ abandonam quando tu não os alimentas ou quando as tuas respostas não entram no jogo deles. Há bastante tempo que me deixaram em paz, à parte algumas excepções esporádicas.

A segunda dificuldade é o tempo, tendo em conta que gosto de responder pessoalmente a todas as interpelações. Até que te organizas melhor, aprendes ferramentas úteis que facilitam o trabalho, e que de alguma maneira com o Twitter incorporas na tua rotina.

A terceira dificuldade é a luta diária que tens que ter contigo mesma para aprender que os elogios não te devem exaltar, inchar, nem os insultos te devem derrubar ou afundar. Para isso é fundamental a oração e o apoio da equipa. Nunca nos podemos esquecer que somos servos inúteis

Como é o dia-a-dia de uma religiosa ‘tuiteira’? Como o concilia com as outras suas obrigações?

Xiskya Valladares: Agora mesmo com muitíssima organização. Tenho que dar aulas numa universidade, escrever para alguns meios e revistas, sou diretora da revista Mater Puríssima, tenho que coordenar uma sala de imprensa, de comunicação, preparar as conferências que me pedem, trabalhar na minha tese de mestrado e fazer a vida comunitária com todos os compromissos que isso implica, de reuniões, oração, excursões, etc. Twitter levo-o no telemóvel por isso escrevo quase sempre enquanto caminho pelos passeios, e tenho sobretudo dois momentos ao dia em que dedico meia hora para responder; além disso, para os tuites que não são pessoais utilizo algumas programas com as quais programo o seu envio automático. Para as outras coisas costumo dedicar dois dias por semana para a tese e as publicações, umas horas para a sala de imprensa e a revista, e o resto para preparar as lições, corrigir os testes, etc. Como te dizia, é necessário ter muita organização e tens que calcular muito bem o teu tempo.

A Xiskya Valladares podem segui-la em @xiskya.

(29 de Janeiro de 2013) © Innovative Media Inc.

Tradução de Domingos Ribeiro da Costa

Redes sociais são ambientes de vida

—Entrevista a Mons. Claudio Maria Celli —

A agência de notícias «Zenit» realizou, através de Jose Antonio Varela Vidal, uma entrevista ao Mons. Claudio Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Socais, tendo por base a recente Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais — «Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização». Aqui, publicamos algumas das perguntas e respostas (a totalidade da entrevista pode ser lida no sítio da agência noticiosa www.zenit.org).

As redes sociais são muito mais do que meros meios de comunicação?
Não são instrumentos, são ambientes de vida, são realidades onde eu «moro». Portanto, eu não utilizo as redes sociais só para anunciar o Evangelho, mas morando na rede social, com o meu testemunho, com o meu anúncio, eu comunico Jesus Cristo, a sua palavra, a sua proposta. Numa mensagem há alguns anos, até mesmo o Santo Padre falava de uma «diaconia da cultura digital», convidando os bispos a formar no seu próprio ambiente um pequeno grupo de padres que pudessem trabalhar na rede e exercitar uma verdadeira e genuína pastoral.

Quais são os desafios que emergem deste novo mundo?
Uma questão muito delicada no campo das novas tecnologias é o da linguagem. No sentido de que é preciso ter a capacidade para utilizar uma linguagem compreensível por todos os homens e mulheres de hoje. De facto, o Papa fala na Mensagem que não espera só uma citação formal da palavra do Evangelho. Não se trata de repetir somente as passagens das Escrituras, mas quem mora na rede tem que dar testemunho com a própria vida de uma relação existencial entre vida e Evangelho. O Santo Padre mesmo nos deu este exemplo entrando no Twitter. O seu desejo era justamente o de estar do lado dos homens e mulheres de hoje, e permanecer do lado deles com a sua palavra. E sim, o Twitter é limitado só a 140 caracteres, porém estas poucas palavras podem ter um conteúdo profundo que pode ajudar o homem a redescobrir o sentido profundo da sua vida.

Como é que a comunicação social católica vai colaborar para promover a nova Evangelização?
Eu acho que o convite para evangelizar é para todos. Todo o discípulo de Jesus Cristo deve assumir esta responsabilidade, que está ligada ao seu batismo, ou seja, de ser anúncio, instrumento, presença, proposta. Este é um ponto de referência fundamental. Este esforço evangelizador ajudará as pessoas a usarem bem tudo o que a tecnologia oferece.

©http://www.laboratoriodafe.net/

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Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização

Amados irmãos e irmãs,

Encontrando-se próximo o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2013, desejo oferecer-vos algumas reflexões sobre uma realidade cada vez mais importante que diz respeito à maneira como as pessoas comunicam actualmente entre si; concretamente quero deter-me a considerar o desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade.

Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contactos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma.

O desenvolvimento das redes sociais requer dedicação: as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade, buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem.

A cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca e validade. E frequentemente a popularidade está mais ligada com a celebridade ou com estratégias de persuasão do que com a lógica da argumentação. Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que, ao contrário, é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva. Por conseguinte os meios de comunicação social precisam do compromisso de todos aqueles que estão cientes do valor do diálogo, do debate fundamentado, da argumentação lógica; precisam de pessoas que procurem cultivar formas de discurso e expressão que façam apelo às aspirações mais nobres de quem está envolvido no processo de comunicação. Tal diálogo e debate podem florescer e crescer mesmo quando se conversa e toma a sério aqueles que têm ideias diferentes das nossas. «Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza» (Discurso no Encontro com o mundo da cultura, Belém, Lisboa, 12 de Maio de 2010).

O desafio, que as redes sociais têm de enfrentar, é o de serem verdadeiramente abrangentes: então beneficiarão da plena participação dos fiéis que desejam partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana que a sua doutrina promove. Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interacção humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo.

A capacidade de utilizar as novas linguagens requer-se não tanto para estar em sintonia com os tempos, como sobretudo para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos. No ambiente digital, a palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da imaginação e da sensibilidade afectiva daqueles que queremos convidar para um encontro com o mistério do amor de Deus. Aliás sabemos que a tradição cristã sempre foi rica de sinais e símbolos: penso, por exemplo, na cruz, nos ícones, nas imagens da Virgem Maria, no presépio, nos vitrais e nos quadros das igrejas. Uma parte consistente do património artístico da humanidade foi realizado por artistas e músicos que procuraram exprimir as verdades da fé.

A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria: a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal partilha consiste não apenas na expressão de fé explícita, mas também no testemunho, isto é, no modo como se comunicam «escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011). Um modo particularmente significativo de dar testemunho é a vontade de se doar a si mesmo aos outros através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e a relevância da religião no debate público e social.

Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui a fé deseje, com respeito e tacto, partilhá-la com aqueles que encontra no ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso. A confiança no poder da acção de Deus deve ser sempre superior a toda e qualquer segurança que possamos colocar na utilização dos recursos humanos. Mesmo no ambiente digital, onde é fácil que se ergam vozes de tons demasiado acesos e conflituosos e onde, por vezes, há o risco de que o sensacionalismo prevaleça, somos chamados a um cuidadoso discernimento. A propósito, recordemo-nos de que Elias reconheceu a voz de Deus não no vento impetuoso e forte, nem no tremor de terra ou no fogo, mas no «murmúrio de uma brisa suave» (1 Rs 19, 11-12). Devemos confiar no facto de que os anseios fundamentais que a pessoa humana tem de amar e ser amada, de encontrar um significado e verdade que o próprio Deus colocou no coração do ser humano, permanecem também nos homens e mulheres do nosso tempo abertos, sempre e em todo o caso, para aquilo que o Beato Cardeal Newman chamava a «luz gentil» da fé.

As redes sociais, para além de instrumento de evangelização, podem ser um factor de desenvolvimento humano. Por exemplo, em alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados, as redes sociais podem reforçar o sentido da sua unidade efectiva com a comunidade universal dos fiéis. As redes facilitam a partilha dos recursos espirituais e litúrgicos, tornando as pessoas capazes de rezar com um revigorado sentido de proximidade àqueles que professam a sua fé. O envolvimento autêntico e interactivo com as questões e as dúvidas daqueles que estão longe da fé, deve-nos fazer sentir a necessidade de alimentar, através da oração e da reflexão, a nossa fé na presença de Deus e também a nossa caridade operante: «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).

No ambiente digital, existem redes sociais que oferecem ao homem actual oportunidades de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Mas estas redes podem também abrir as portas a outras dimensões da fé. Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças precisamente a um contacto inicial feito on line – a importância do encontro directo, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são elementos sempre importantes no caminho da fé. Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra.

Enquanto de coração vos abençoo a todos, peço ao Espírito de Deus que sempre vos acompanhe e ilumine para poderdes ser verdadeiramente arautos e testemunhas do Evangelho. «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15).

            Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – do ano 2013.

BENEDICTUS PP. XVI

[As partes a negrito e/ou a cor deferente são as partes que mais me chamaram à atenção nesta primeira leitura da mensagem. Como podemos ver /ler, estamos perante uma mensagem de profundo conhecimento das redes sociais e de muitas potencialidades que as mesmas aportam à  vivência diária da mensagem cristã.   Não se olha, já, para as redes sociais como uma ferramenta,  mas onde o “ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interacção humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo].